Dinheiro na mão é vendaval, já bem dizia o cantor e compositor Paulinho da Viola na música "Pecado Capital". E foi bem isso o que aconteceu com os Estados Unidos. Com dinheiro sobrando na praça, ficou cada vez mais fácil conseguir um empréstimo para comprar a casa própria. Itens primordiais como emprego, renda, conta bancária, histórico de pagamentos passaram a não ser avaliados por quem concedia crédito. Conclusão, mesmo as pessoas que não tinham condições de honrar suas dívidas
conseguiam tomar dinheiro emprestado, deteriorando a qualidade do crédito e dando início à crise das hipotecas, conhecida como "subprime".
Tharcísio Souza Santos, professor e diretor de MBA da FAAP, explica que a situação se agravou em 2004, quando o banco central americano (Fed) começou a ensaiar uma elevação da taxa básica de juros. O aumento, por sua vez, dificultaria ainda mais que os saldos devedores fossem quitados, já que o sistema de concessão de créditos funcionava em princípio sob taxas fixas, e, passados alguns anos, sob taxas variáveis. "O problema é que o devedor começa pagando, por exemplo, uma taxa de 2,28% e depois tem de arcar com uma taxa de 3,27%. Passado o primeiro período, o comprador vai depender muito do comportamento da economia", exemplifica Santos.
Os preços dos imóveis começaram a cair, e o bancos, mesmo com as hipotecas, não conseguiam reaver o prejuízo. Além disso, importantes instituições financeiras bem como fundos de investimento foram prejudicadas, já que grande parte das hipotecas foram securitizadas, ou seja, reunidas e transformadas em papéis que são comprados e vendidos, espalhando o risco por todo o mercado.
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