01/02/2012: O Índice Bovespa abriu o ano de 2012 com uma performance excelente, apresentando uma variação positiva de 11,13%, contra 8,31% de nossa Carteira Recomendada. Esta foi a melhor performance em um início de ano desde janeiro de 2006. O principal responsável pela alta foi o grande fluxo de capital estrangeiro. No acumulado do ano (até dia 27/01), a Bolsa registrou superávit de R$ 6,47 bilhões em recursos estrangeiros. O montante corresponde a compras de R$ 46,182 bilhões e vendas de R$ 39,712 bilhões no período.
Entre as ações de nossa Carteira Recomendada, as da Petrobras apresentaram o melhor desempenho no mês (+15,39%). A principal notícia para a companhia foi a indicação de Maria Graça Foster para a presidência da empresa, em substituição a José Sérgio Gabrielli. O mercado recebeu a novidade muito bem, apostando em uma gestão mais técnica, com maior foco nos resultados e menor influência do Governo, apesar da proximidade de Foster com a presidente Dilma Rousseff.
Para fevereiro, decidimos excluir as ações da Gerdau do portfólio sugerido. Os papéis tiveram uma performance muito boa em janeiro (+14,83%), mas a siderúrgica está em um setor mais exposto a uma possível deterioração do cenário externo, o que pode influenciar seu desempenho na Bolsa. Em seu lugar passamos a recomendar as ações da Magazine Luiza, apostando que as baixas taxas de desemprego e o aumento da renda disponível, somado a um cenário de “barateamento” do crédito, devem impulsionar o setor varejista, em especial o de bens duráveis. Além disso, a empresa está com um valuation atrativo quando comparada aos múltiplos do setor, o que corrobora nossa recomendação.
Ainda na ponta positiva estiveram Vale e Itaú. Apesar do fluxo negativo de notícias, as ações da mineradora avançaram 12,88%, sustentando nosso argumento de que a empresa apresenta um valuation atrativo. Já as ações do banco subiram 3,36%, melhor desempenho do que Bradesco, que variou +2,17%. A diferença evidencia que a troca de Bradesco por Itaú, realizada no início de janeiro, foi acertada.
Por fim, o destaque negativo ficou por conta das ações da Ambev, que cederam 4,9%. Apesar disso, elas serão mantidas em nossa carteira, por apresentarem um caráter defensivo e serem menos vulneráveis a uma possível piora da economia global.
Panaroma econômico
O cenário externo pouco se alterou em relação aos últimos meses e a Europa continua no centro das atenções. As agências de rating, S&P e Fitch, anunciaram o rebaixamento de várias notas de países europeus, com destaque para a França. As discussões em torno da reestruturação da dívida grega ainda não tomaram um rumo comum e se arrastaram durante todo o mês, aumentando, assim, o risco de default. Cabe destacar que a Grécia tem mais de 14 bilhões de euros em dívidas que vencem em março, e necessita de um acordo com os bancos privados para captar o segundo plano de ajuda, estimado em 130 bilhões de euros. A taxa de desemprego da região atingiu um patamar de 10,4%, o maior desde abril de 1998. Para solucionar os problemas da crise, os países anunciaram a assinatura de um pacto fiscal na Zona do Euro, em que Reino Unido e República Tcheca não foram signatários. Além disso, foi oficializada a criação do Mecanismo de Estabilidade Europeu, com capacidade de até 500 bilhões de euros.
No cenário interno, o destaque de janeiro foi para a clara sinalização do Banco Central de que a taxa básica de juros (Selic) caminha para patamares de um dígito. Alguns setores, como o de Construção e Varejo, reagiram e tiveram uma performance muito boa. Ao mesmo tempo, o IBGE divulgou uma taxa de desemprego recorde (4,7%), a menor da série histórica que começou no ano de 2002. Vale ressaltar também que no final do mês foi aberta a temporada de balanços do quarto trimestre de 2011, que deve balizar a performance das ações no curto prazo.