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27/01/2012 15h48
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2012 para Petrobras e Vale
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Por: Laura de Araújo
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Entra ano, sai ano e elas continuam presentes nas carteiras de ações da maior parte dos investidores brasileiros. Afinal, Petrobras e Vale são dois carros-chefe da economia nacional, respondem a um grande volume de negociações na Bolsa, e foram as primeiras empresas a contar com o investimento de parte do FGTS dos trabalhadores do País. O grande defeito de ambas – afinal ninguém é perfeito mesmo – é a volatilidade do preço dos seus produtos, o que, consequentemente, reflete nas cotações de suas ações. No ano passado, por exemplo, a crise na zona do euro provocou uma queda acumulada de 21% nos papéis preferenciais da Vale e de 22% nas ações da Petrobras. Mas essa baixa, segundo analistas, tem seu lado bom, pois representa uma boa oportunidade para o investidor disposto a ganhar no longo prazo. “As perspectivas para as duas empresas são boas para os próximos dois ou três anos, pois elas vêm dando sinais de recuperação e a tendência é continuarem nesse movimento. Como as ações estão bem defasadas, e levando em conta seu porte e potencial, quem comprar agora vai conseguir por um preço muito baixo. Uma boa ideia é fazer compras programadas ao longo do ano. Quando elas se recuperarem vai haver uma boa realização”, acredita o analista Richard Rytenband. Se você tem na carteira alguma das queridinhas do pregão, clique nas imagens a seguir e confira o panorama!
Para Vale, crescimento chinês é ponto-chave - A crise de 2011 pressionou os preços das matérias-primas em todo o mundo. A Vale sentiu isso através da queda do preço do minério de ferro, que despencou na segunda metade do ano. A tonelada da matéria prima fechou o ano a US$ 108, depois de ter custado, em média, US$ 150 no primeiro semestre. Mas, apesar disso, a exportação do minério brasileiro atingiu nível recorde. Foram 331 milhões de toneladas, das quais metade foi destinada à China, principal cliente do País nessa área. E ainda que alguns analistas apontem sinais de arrefecimento do crescimento chinês, é no gigante asiático que as esperanças do setor continuam a ser depositadas. "É preciso acompanhar a economia chinesa, que é o grande fator em jogo. A China está vivendo um boom de urbanização, parecido com o que aconteceu no Brasil em meados dos anos 50, então eles têm muita coisa para demandar ainda", aponta Rytenband. Medidas tomadas pelo governo chinês para impulsionar o mercado interno, como a diminuição do compulsório sobre depósitos bancários, devem assegurar um bom ritmo de crescimento econômico.
Ainda assim o futuro da Zona do Euro, que desencadeou todas as turbulências do ano passado, continuará sendo crucial para a saúde financeira global, podendo atrapalhar até mesmo os bons prognósticos chineses. Com o impasse em torno da negociação da dívida grega e o risco de um calote coletivo nas economias mais frágeis do bloco, a questão segue como fonte de preocupação. Filipe Portella, sócio da Monte Bravo Investimentos, diz que, em relação à Vale, a indefinição europeia deve comprometer, sobretudo, a primeira metade do ano. "2012 deve apresentar um primeiro semestre difícil para a Vale, já que a situação na Europa ainda precisa ser controlada. Com os cortes de gastos por parte dos governos, essa situação deverá ser regularizada e, assim, o segundo semestre promete ser mais favorável para a companhia", diz. Até lá, a Ásia deve continuar como o principal destino do minério de ferro brasileiro.
Compra é para quem tiver visão de longo prazo - Estudos de mercado indicam que a demanda pelo minério de ferro deve crescer entre 2% e 3% no mundo inteiro neste ano em comparação ao ano anterior. Os preços, no entanto, não devem aumentar, limitando os ganhos da Vale. "O sistema de precificação do minério de ferro está sofrendo mudanças, que deixam os preços dos contratos mais próximos aos praticados no mercado à vista, o que pode influenciar nos resultados da empresa", indica Portella.
Como os reflexos da crise ainda devem impactar as vendas da Vale no curto prazo, os papéis da mineradora devem ser comprados por quem estiver de olho no médio e longo prazo e não no retorno imediato. Estudos apontam que a estabilização da demanda e a diminuição da oferta são fatores que desencadearão um forte aumento no preço do minério de ferro a partir de 2015. Em relação à Vale, mais dois fatores estimulam a compra das ações: o preço baixo e os dividendos. "Num cálculo de valuation, se vê que ela está custando no mínimo a metade do que deveria custar, alguns dizem que até 1/3 do valor justo", analisa Rytenband. Além do grande espaço para valorização dos papéis, a empresa anunciou o pagamento de pelo menos US$ 6 bilhões em dividendos durante 2012. O retorno ao acionista será quase US$ 1 bilhão maior do que o estimado por instituições financeiras.
Nova presidência é questão para Petrobras - A Petrobras começou 2012 despertando dúvidas entre os investidores. A exploração do pré-sal, a forma como os investimentos anunciados serão realizados, e a nova presidência da companhia fazem com que o futuro da estatal seja difícil de ser previsto. Embora o baixo preço das ações, assim como acontece com a Vale, abra espaço para uma recuperação na Bolsa, problemas de produtividade e a fragilidade da demanda global ameaçam um restabelecimento mais vigoroso dos números da empresa. É preciso ficar atento a alguns pontos.
Em 2011, a indisponibilidade de plataformas e sondas para produzir e explorar petróleo, gargalos na cadeia de fornecedores e atraso nos cronogramas limitaram a operação da estatal, com a produção diária ficando na média de 2,016 milhões de barris, abaixo da meta de 2,1 milhões. Embora pesados investimentos tenham sido anunciados para 2012, a estabilização da produção ainda é alvo de dúvidas, sobretudo em relação ao pré-sal. A estrutura das reservas do campo de Tupi ainda não é totalmente conhecida, fazendo com que não se saiba exatamente quais tipos de tecnologias seriam necessárias para a sua exploração. Os entraves na produção e a crise internacional tiveram forte impacto sobre a Petrobras – e não apenas nos balanços trimestrais. Segundo levantamento feito pela Bloomberg, a estatal teve a segunda maior perda de valor de mercado do mundo, com uma queda de US$ 72,39 bilhões. Além disso, ela também caiu duas posições no ranking das maiores petrolíferas do mundo, passando para a quinta posição.
Já em 2012, a empresa parece contar com a tal luz no fim do túnel. Com a entrada de Maria das Graças Foster na presidência (em substituição a Sergio Gabrielli, cuja gestão era considerada mais política que técnica), os problemas de gestão e direcionamento dos investimentos operacionais têm a chance de receber novas soluções. A nomeação de Maria das Graças foi bem recebida pelo mercado, que agora espera um comando mais técnico e eficaz. Para este ano, já é previsto um aumento da capacidade de extração em 480 mil barris diários e investimentos de R$ 389 bilhões, dos quais 60% prometem ser destinados à exploração e produção.
Ainda assim, para Filipe Portella, sócio da Monte Bravo Investimentos, os atrasos dos últimos anos devem restringir o crescimento total da produção. "Deste total de 480 mil barris diários, 180 mil são referentes ao início das operações da plataforma P-55, que está atrasada no seu cronograma e cujo início das atividades é estimado apenas para 2013. Isso reduz as estimativas de produção em 37,5%", destaca. As perspectivas de baixo crescimento da economia mundial em 2012 mostram que a demanda por petróleo de economias de peso, como a dos Estados Unidos e Europa, não deve ser expressiva. O que pode salvar o produto da queda nos preços é a demanda de países em desenvolvimento e a possibilidade de um aumento do barril. As tensões políticas no Oriente Médio e no norte da África, além da delicada situação internacional do Irã, que ameaça fechar o Estreito de Ormuz, podem elevar o preço da commodity no mercado global.
Aqui no Brasil, o governo autorizou no final do ano passado o aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel vendidos nas refinarias. O reajuste deve gerar uma melhora anual de US$ 1,2 bilhão no caixa da estatal, segundo o Credit Suisse. A capitalização da Petrobras, realizada em 2009, também deve contribuir para o equilíbrio da estrutura de capital da empresa, lembra Rubens Rytenband. O aumento na geração de valor e a exploração de novas reservas devem levar a produção diária da estatal à marca de quatro milhões de barris diários em 2015. Para o investidor que foca no longo prazo, portanto, trata-se de um bom horizonte.
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