A cotidiana expressão “investir na Bolsa” pode ter outro sentido além de comprar ações de qualquer empresa de capital aberto. Isso porque a nossa velha conhecida BM&FBovespa também é uma empresa que tem suas ações negociadas desde 2008, com o código BVMF3. “O fato de a própria BM&FBovespa ser uma empresa de capital aberto, com ações negociadas, pode dar um certo nó na cabeça. Mas, apesar de algumas características especiais, ela funciona como qualquer outra empresa”, explica o analista de mercado Maurício Bastter. E você sabe como funciona a Bolsa enquanto uma opção de investimento?
Uma companhia diferente - A BM&FBovespa que conhecemos hoje surgiu em 2008, a partir da integração entre as operações da Bolsa de Valores de São Paulo, que já atuava na negociação de Títulos Públicos desde o final do século 19, e a Bolsa de Mercadorias e Futuros, onde eram negociados contratos de mercadorias, sobretudo de commodities, e derivativos, desde 1971. Hoje, além de englobar as negociações de mercado de ações, derivativos, Títulos Públicos, câmbio e commodities, a BM&FBovespa também cria índices de mercado (como o Ibovespa) e desenvolve os softwares que permitem o funcionamento dessa estrutura de negócios.
O fato da BM&FBovespa atuar em serviços de intermediação financeira faz com que seu funcionamento seja semelhante ao de bancos e demais instituições da área. “Como todas as operações feitas na Bolsa envolvem pagamento de taxas, é dessas operações que vem o lucro da companhia. Ou seja, quanto maior e melhor estiver o ritmo de atividade desse mercado, melhor é para a empresa e para os acionistas”, diz Bastter. Os investidores que possuem ações da BM&F operam de olho nas perspectivas para o mercado de ações como um todo. “Esses papéis se comportam, de forma geral, como qualquer outra ação. No curto prazo, variam de acordo com o fluxo econômico, no longo, de acordo com os fundamentos da empresa”, afirma o analista.
Como avaliar - Não existe investimento sem análise de balanços e resultados, mas o especialista alerta que, em relação à BM&F, essa tarefa não é das mais simples, o que pode turvar um pouco a mensuração dos fundamentos, riscos e oportunidade da empresa. “Os resultados da BM&F são mais complicados de ser analisados, mais complexos, assim como os dos bancos. Eles prestam serviços financeiros, intermediações de mercado, fazendo com que seus relatórios sejam mais complicados de ser analisados”, comenta Bastter. A ausência de parâmetros no mercado para avaliar o desempenho da BM&F também pode dificultar o trabalho do investidor. “Os números da Bolsa não podem ser comparados com os de nenhuma outra empresa, porque não há nenhuma correspondente. Você pode comparar os resultados da CSN com os da Gerdau e da Usiminas, os do Bradesco com o Itaú, mas com a BM&F não tem isso, o que já traz alguma dificuldade”, diz ele.
Sólida e vulnerável - Vencidos os percalços na análise e mensuração dos números da BM&FBovespa, o principal parâmetro para o investidor continua sendo a comparação entre as receitas e despesas geradas pela empresa. O que, no caso da Bolsa, não é um fator decepcionante. “O fim de toda análise de empresa é o lucro. Tem que ver se ele está subindo ou não e como isso evolui. No caso da Bovespa, ele é grande em comparação com a receita, já que ela não tem grandes gastos, como com pesquisa e matéria-prima caras, por exemplo”, aponta Bastter. O especialista ressalta que também é importante ver como estão a margem de segurança, o endividamento, que no caso da Bovespa é pequeno, e a governança corporativa, que mostra como a empresa está sendo conduzida.
Outros pontos positivos apontados pelo analista são o monopólio de mercado e a solidez da empresa. “Ter o monopólio de um mercado acaba sempre sendo bom para a empresa, porque, mesmo que o mercado passe por dificuldades, é pouquíssimo provável que ela quebre, ou que o Brasil não tenha mais uma Bolsa de Valores. Então ela tem uma boa garantia nesse sentido”, afirma. Ele acrescenta também o fato de ser uma empresa muito sólida, que está há muito tempo no mercado nacional e que trabalha muito bem. “Você quase não ouve falar de problemas na Bolsa”, argumenta.
Entre as desvantagens de mercado da empresa, além da falta de praticidade que envolve sua análise de balanços, Bastter menciona o pequeno número de investidores na Bolsa, o que acarreta lucros menores frente ao potencial existente, e a dependência que os papéis têm do desempenho geral do mercado.
Desempenho geral do mercado afeta
As turbulências no mercado de ações que preocupam os investidores desde o início da crise econômica mundial também acabam se refletindo no preço dos papéis. Em setembro de 2010, o valor médio de negociação da ação da BM&FBovespa no mercado à vista estava em R$ 14. Um ano depois, caiu para R$ 9.
Fonte: BM&FBovespa