São muitas as histórias de filhos que, ao herdarem a tarefa de administrar o negócio dos pais, acabam destruindo o patrimônio construído. Não é o caso do empresário Antônio Ermírio de Moraes, filho do pernambucano José Ermírio de Moraes. Ele não apenas comandou com louvor o grupo criado pelo pai, como ampliou os negócios e, ao mesmo tempo, arranjou tempo para dedicar-se a atividades filantrópicas em instituições como a Sociedade Beneficência Portuguesa de São Paulo e as Casas André Luiz. O segredo? Provavelmente uma vida inteira de muito trabalho. Em entrevista à revista IstoÉ, Antonio Ermírio chegou a afirmar que desde que pisara no Grupo Votorantim não havia tirado férias de verdade. Essa dedicação o tornou um homem de negócios especial se comparado a outros tantos que, ao herdarem fortunas, só tiveram como foco os gastos e não a manutenção e ampliação do patrimônio. “Mas minhas viagens de trabalho têm sabor de aventura”, garantiu o empresário na época.
Como tudo começou – Antonio Ermírio nasceu em 1928 na cidade de São Paulo. Matriculado inicialmente no tradicional Colégio Rio Branco, em 1945 foi estudar nos Estados Unidos. Formou-se engenheiro metalúrgico na Colorado School of Mines, mesma universidade em que o pai havia estudado, e quatro anos depois voltou para o Brasil. O início no Grupo Votorantim foi como o de qualquer outro funcionário: com período de experiência e contratação somente no caso de um retorno positivo. Deu certo e após seis anos ele acabou abrindo a Companhia Brasileira de Alumínio, seu xodó. Sete anos depois, em 1962, passou a gerir as empresas que o grupo possuía e criou novas. O Grupo Votorantim se tornou um gigante, atuando nas áreas de cimento, papel e celulose, alumínio, zinco, níquel, aços longos, filmes de polipropileno, especialidades químicas e – pasmem – suco de laranja (a Citrovita, que fabrica o suco, se tornou um dos maiores nomes do setor no mundo, operando desde a etapa inicial de produção até a exportação).
Naturalmente que um conglomerado de empresas como o Grupo Votorantim não poderia deixar de ter um braço no mercado financeiro. Antonio Ermírio também criou o Banco Votorantim e a BV Financeira, os quais, segundo o empresário, teriam nascido para que ele não precisasse “pagar os juros cobrados pelo mercado e estabelecidos pelo Banco Central”. O trabalho árduo somado à ampla visão de negócios, que levou o executivo a aprovar a criação de um fundo de investimento para áreas tão diversas quanto biotecnologia e call center, tornou-o um dos homens mais ricos do mundo – em 2011, ocupou a 193ª posição no ranking mundial da Fortune, e a 7ª no Brasil, com fortuna pessoal estimada em US$ 5,3 bilhões.
Discrição e simplicidade – Antônio Ermírio é conhecido pelos hábitos simples e intensa atividade social, ainda que sempre dotada de muita discrição. Aos 83 anos, é pai de nove filhos e acabou perdendo um deles, Carlos Ermírio de Moraes, neste ano devido a um câncer. Chegou a escrever três peças de teatro (Brasil S.A., Acorda Brasil e S.O.S. Brasil) e a lançar duas nos palcos de São Paulo, mostrando sua preocupação com o País e com a política em geral. Já chegou a dizer que “o único caminho a ser seguido pelo Brasil é o da sala de cirurgia. Resta-lhe escolher um cirurgião de maior competência, pois pior do que estar doente é termos um mau médico”.
PERFIL: GRUPO VOTORANTIM
Ano de fundação: A história começa em 1918, a partir de uma fábrica de tecidos. Em 1935, houve a aquisição da companhia Nitro Química.
Sede: Votorantim (SP);
Fundador: José Ermírio de Moraes
Setores em que atua: Cimento, mineração, metalurgia, siderurgia, papel e celulose, suco concentrado de laranja, autogeração de energia, mercado financeiro e novos negócios.
Presença: Em mais de 20 países
Colaboradores: 56 mil
Faturamento: R$ 15,8 bilhões no 1º semestre/2011