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25/02/2011 19h04
Aumento do poder de compra favorece Natura
Por: Laura de Araújo
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Em 2010 o poder de compra do brasileiro aumentou, algo que se refletiu nas vendas 11% maiores do comércio varejista e, consequentemente, nos resultados de empresas como a Natura, que oferecem exatamente o que brasileiros e brasileiras têm apreciado cada vez: produtos para cuidar da beleza e bem-estar, itens que não são considerados essenciais e que, portanto, crescem em volume de vendas apenas quando a situação econômica permite.

Na última quinta-feira, dia 24, a empresa divulgou seus resultados de 2010 e mostrou números animadores. O lucro obtido no ano passado foi de R$ 744 milhões, cifra 8,8% superior a de 2009. A receita líquida foi de R$ 5,1 bilhões, avanço de 21,1% sobre o ano anterior, e o Ebtida – sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização – alcançou R$ 1.256,8 milhão, com crescimento de 24,6% e margem de 24,5%. A margem de 2009 foi de 23,8%.

Os números referentes ao quarto trimestre também bateram os resultados do mesmo período em 2009: o lucro líquido cresceu 17,6%, contabilizando R$ 219,3 milhões, e a receita líquida disparou 18,1%, chegando a R$ 1,557 bilhão.

Para o analista econômico Conrado Navarro, esses números são resultado de um cenário econômico estável, que favorece as vendas da Natura. “Os resultados mostram que o crescimento do poder de compra do brasileiro, a estabilidade econômica e a geração de empregos oferecem ao consumidor a tranquilidade para consumir produtos de beleza e cosméticos em geral”, avalia. Segundo o analista, os números de 2010 também indicam equilíbrio após uma temporada de baixos ganhos. “Fica clara a forte consolidação da empresa depois de um ano de 2009 impactado pela baixa no consumo”, afirma. E a perspectiva é continuar essa escalada.

Crescer e multiplicar - Um dos fatores que contribui para a confiança em relação ao futuro da empresa são os reforços além-fronteira, que devem aumentar neste ano. Em 2010, Bolívia, Peru, México, Argentina e Colômbia contribuíram para as contas da Natura com uma receita líquida de R$ 372 milhões, salto de 37,3% em relação ao ano anterior. E devem ser responsáveis por cifras maiores.

Em conferência realizada com jornalistas, Alessandro Carlucci, diretor-presidente da Natura, explicou que Colômbia e México devem ganhar centros de produção por meio de parcerias com outras empresas, experiência que já foi aplicada na Argentina. O executivo afirmou que esse tipo de produção baixa custos, impactos ambientais e aumenta a flexibilidade dos produtos, além de ser uma importante plataforma de crescimento.

O ponto de equilíbrio das novas operações – quando ganhos e despesas se neutralizam – deve ser atingido entre seis e sete anos. "Nosso formato de negócio tem prazo longo. Demora para ter efeito. Por outro lado, exige pouco desembolso de dinheiro", ponderou Carlucci.

Além da internacionalização, os investimentos em infraestrutura, outro ponto de apoio para o crescimento, também estarão em foco em 2011. Carlucci prevê o desembolso de R$ 300 milhões em imobilizado - investimentos destinados à melhoria de ativos já existentes -, capital que será voltado para as áreas de logística, aumento da capacidade industrial e tecnologia da informação. “Este será o ano de avanço em infraestrutura para garantir que vamos continuar crescendo a taxas elevadas", disse ele à imprensa.

Batalha para manter o mercado - Para Navarro, os papéis da Natura são para os que confiam em lucros no longo prazo. “Como investimento de longo prazo, a Natura parece uma boa opção”, avalia. Em 2010, as ações da empresa (NATU3) valorizaram 30,7% e fizeram circular diariamente, em média, R$ 33 milhões. O bom desempenho na Bolsa é reforçado, lembra o analista, pela atuação da Natura no campo da governança corporativa, fator que agrega valor à empresa.

O principal desafio da companhia agora é, segundo Navarro, saber se posicionar no mercado, garantindo consumidores e driblando a concorrência, principalmente a que vem de fora. E quem tem ações da Natura precisa ficar de olho no desempenho da empresa neste campo. “O investidor deve prestar atenção ao acirrado mercado de cosméticos, com participação de grandes grupos internacionais”, alerta. “A demanda é crescente, mas as empresas multinacionais estão atuando de forma cada vez mais incisiva em mercados emergentes”.

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