No final de fevereiro, o Banco do Brasil informou ter registrado lucro líquido de R$ 10,148 bilhões em 2009, resultado 15,2% maior que o verificado em 2008, quando atingiu R$ 8,803 bilhões. Este desempenho foi puxado pelo avanço das operações de crédito, pelas receitas extras com o fundo de pensão dos funcionários (Previ) e pela menor provisão para calotes. Tais números dão idéia de sua dimensão. Não se trata apenas de mais um banco, mas sim da maior instituição financeira brasileira, cujos ativos podem compor a sua carteira de ações. Veja, a seguir, se vale o investimento!
Para começar, o BB foi o primeiro banco a operar no País, em 1808, através de um alvará do príncipe regente D. João. Em mais de 200 anos de existência acumulou experiências e pioneirismos, participando vivamente da história e da cultura nacionais. O banco foi, por exemplo, a primeira instituição a ganhar um certificado ISO 9002 em análise de crédito (que significa que a instituição segue um modelo padrão de qualidade). A marca “Banco do Brasil” é uma das mais conhecidas e valiosas do território nacional.
Crescimento e perspectivas - Pouco a pouco, o BB vem ganhando cada vez mais espaço no sistema bancário. Segundo relatório da instituição, “o avanço do market share dos bancos públicos é resultante da trajetória crescente do volume de crédito concedido por essas instituições desde a eclosão da crise financeira internacional, em comparação ao maior conservadorismo das instituições privadas". Os dados do Banco do Brasil incluem os números integrais da Nossa Caixa e da parcela de 49,99% detida no banco Votorantim, operações adquiridas no início de 2009.
Quem pensa em investir nas ações ordinárias do banco (BBAS3) deve levar em conta que as perspectivas econômicas para o País são positivas e, com isso, haverá espaço para a expansão do crédito. Também deve considerar que, de acordo com a perspectiva do mercado, as ações do BB têm grande potencial de valorização no médio e longo prazo. "É um banco muito forte e consolidado. As ressalvas ficam com as interferências que ele pode sofrer por parte do governo. Se ocorrer algum problema na economia do país, por exemplo, ou se o país precisar de investimentos, o Estado vai recorrer aos recursos do Banco do Brasil e do BNDES para captar fundos", explica o coordenador do curso de Gestão Financeira da Veris Faculdades, Estevão Garcia.
Segundo levantamento da Economática, o BB lidera o ranking dos 20 maiores bancos da América Latina e dos Estados Unidos, considerando-se o indicador Rentabilidade sobre o Patrimônio (ROE). A instituição também fica entre os maiores, na sétima posição, no quesito “ativos”, com US$ 407 bilhões.
O que levar em conta ao investir – O desempenho do setor de crédito – muito importante para as instituições bancárias - depende do avanço da economia, da inflação e também da taxa de juros do País (Selic). Portanto, esses indicadores devem ser acompanhados de perto pelo investidor. Outro ponto é a questão da inadimplência do BB. A cada balanço divulgado pelo banco, deve-se ficar atento a este indicador. Aliás, este é um dos principais desafios das instituições financeiras este ano. Com a economia aquecida, os bancos irão disputar fortemente os clientes oferecendo vários tipos de produtos e muitas opções de crédito. Mas, ter a maior carteira de crédito não significa ter a melhor. Isso porque, quando o consumidor sofre algum tipo de redução no orçamento, seja por qual motivo for, ele tende a cortar despesas variáveis, como o pagamento de financiamento, e isso implicará em aumento de inadimplência.
Além disso, o fato de este ano haver eleições presidenciais também deve ser acompanhado, já que o BB é um banco público. No entanto, até o momento, o mercado não acredita que a mudança de comando do País possa implicar algum risco para o BB. “Essa época de instabilidade quanto à política econômica já passou e não acredito que isso tenha uma grande influência sobre a ação", afirma Garcia.
Para este ano, porém, o especialista acredita que não se pode esperar resultados tão bons quanto em 2009. "O banco tem um bom up side, mas o ano passado foi um período atípico, no qual ocorreu um retorno do capital emprestado durante a crise, o que beneficiou bastante o banco", conclui.