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Banco do Brasil no mundo

Por: Laura de Araújo

06 de maio de 2011 | 19h02

O nome já diz tudo: o banco é do Brasil. Mas isso não impede que, para alcançar os clientes que vivem no exterior, ele estenda suas ações para além do território nacional. O Banco do Brasil avançou mais uma casa em sua internacionalização quando anunciou a compra do EuroBank por US$ 6 milhões. O banco fica na Califórnia, onde tem três agências e atende a clientes americanos, portugueses, hispânicos e brasileiros. O patrimônio líquido da instituição, segundo divulgado em dezembro do ano passado, era de US$ 5, 5 milhões, e seus ativos contabilizavam US$ 102 milhões.

A decisão do Banco do Brasil está alinhada com a política internacional do Governo, que trabalha com a projeção do Brasil no mercado para além de nossas fronteiras, segundo Eduardo Armando, especialista em internacionalização de empresas da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).  “O Brasil era, até pouco tempo, mais fechado, mas a tendência atual é de abertura. E as consequências são positivas, porque os executivos começam a ter mais referências em termos de competição e empenho”, avalia.

Outro indício dessa política foi o anúncio de que o Banco do Brasil deve transformar seu escritório de representação na China na sua primeira agência naquele país. “A China é a grande economia emergente do mundo, e, dentro da política externa comercial brasileira, está subindo de patamar. Hoje o nosso saldo comercial com a China é o maior, então é o caminho natural estar lá, faz todo o sentido que a primeira viagem internacional da nossa presidente tenha sido para lá”, avalia Armando.

“O capital é um agente internacional, então é natural que um banco da envergadura do Banco do Brasil tenha operações no exterior. Um banco que tem um papel tão importante no mercado doméstico já mostrou que pode ser um player muito importante no mercado externo”, afirma Olavo Henrique Furtado, professor de Comércio Exterior da Trevisan Escola de Negócios.

Mercado avalia a compra de forma positiva


Segundo o analista de mercado José Góes, o mercado tem boas perspectivas quanto à aquisição do EuroBank e no processo de internacionalização do Banco do Brasil. “O banco vai ficar mais forte, agora que começou a crescer para outros países. A expectativa é positiva para os resultados, a partir do momento em que isso for consolidado”, afirma.

Ele lembra, no entanto, as dúvidas de solidez que o mercado americano desperta. “Tem que se ter uma atenção extra, porque tem muitos bancos endividados. Então tem que estudar a fundo, olhar balanços, fazer uma boa auditoria para ter certeza de que não se está comprando um ativo podre”.

Mesmo com o mercado dividido entre a internacionalização do banco, que deve refletir em um aumento de receita e aumento de visibilidade internacional da empresa, e os riscos de fazer parte de um mercado ainda com as feridas da crise, Góes afirma que os ativos do BB apresentaram uma variação positiva desde o anúncio da compra do EuroBank – o que mostra certa predominância do otimismo nos investidores.

Mas os efeitos reais da operação e sua verdadeira influência nos ativos do banco não devem ocorrer imediatamente. “Houve certa variação positiva, mas foi um resultado mais do movimento de expansão, porque ainda é difícil avaliar com precisão. Os efeitos nas ações e nas contas da empresa devem aparecer em um prazo mais dilatado, quando se tiver avaliado melhor o impacto financeiro desse investimento”, comenta o analista. 

BB vai onde está o dinheiro, e o leva onde precisa chegar


A expansão do Banco do Brasil para outros países também é vista como natural por Armando. “Qualquer banco tende a ir onde estão os clientes. E a gente tem visto uma maior internacionalização de empresas brasileiras, então é natural que o Banco do Brasil esteja alinhado a essa internacionalização dos seus clientes”, avalia. Segundo o professor, a escolha reflete a intenção de atender plenamente aos brasileiros que vivem nos EUA, com sistema e operações seguras. “Ter só um escritório em Nova York era pouco para a expressão da comunidade brasileira naquele país, então nada mais plausível que comprar um banco nacional, com condições plenas de operar no mercado americano. E eles começaram por um banco na Flórida, onde existe uma grande comunidade brasileira”.

Os especialistas afirmam que, além de alcançar clientes fora do Brasil, a operação também deve dar uma força para os brasileiros que querem expandir os negócios para o exterior. “O Banco tem um papel importante na exportação, e tende a ajudar o brasileiro que queira se inserir internacionalmente”, assinala Armando. “O BB sempre foi a grande alavanca de negócios para as empresas brasileiras, o banco dos negócios internacionais. Vai ser uma boa rede de apoio para o médio empreendedor que queira colocar seus produtos no exterior”, concorda Furtado.

Ele diz, ainda, que a operação não está sendo feita de forma impensada, o que abranda os riscos. “Toda e qualquer operação implica em riscos, mas como o BB é um banco capitalizado, com forte lastro, os riscos são reduzidos. É uma expansão que está sendo bem estudada e bem conduzida, dentro da política econômica brasileira”, explica.

Eduardo Armando confirma a solidez da ação do Banco do Brasil, mas lembra que as marcas deixadas pela crise de 2008 na economia americana merecem atenção. “O regulatório do sistema bancário americano ainda está em adaptação para que problemas eclodidos com a crise sejam evitados. Mas como o sistema ainda não está centralizado, não há total segurança”, alerta o professor.

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