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22/11/2010 11h59
Com desempenhos consistentes, construtoras visam novos setores
Por: Marcel Teixeira
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Estamos chegando ao fim de mais uma temporada de balanços e, nesta reta final, a vez é das construtoras. Ao analisarmos três balanços das principais companhias do setor no País, fica evidente que todas estão colhendo os frutos de um ótimo ano e de crescimento do setor.

No trimestre passado, Gafisa, Rossi Residencial e PDG Realty mostraram evolução do lucro líquido em relação ao terceiro trimestre de 2009 (3T09). A Gafisa, que avançou 83% na comparação com o ano anterior, teve o melhor desempenho entre as companhias. Seu lucro foi de R$ 116 milhões. Já a Rossi registrou um aumento de 54% na mesma base de comparação e ficou no segundo posto, com ganhos de R$ 95 milhões. Enquanto a PDG viu seu lucro crescer 3% para R$ 251,3 milhões.

“De forma geral, as empresas tiveram bons resultados. Continuo achando que é um setor promissor, apesar do grande risco que paira sobre ele, por ser altamente dependente de crédito, tanto por parte das construtoras como pelos consumidores. Mesmo assim, continuam sendo um investimento interessante”, afirma José Góes, economista e analista de mercado.

Rossi: crescimento contínuo de vendas e olho nos consumidores de baixa renda

O terceiro trimestre de 2010 (3T10) foi o período que contou com mais lançamentos da Rossi Residencial. A companhia colocou R$ 1,4 bilhão em novos produtos disponíveis. No primeiro semestre essa soma foi de R$ 900 milhões. A meta é de R$ 3,3 bilhões para este ano. Vale destacar que a Rossi passou a olhar de outra maneira as construções populares, que responderam por 74% dos lançamentos em unidades e 51% em volume.

“A Rossi teve um resultado bom e é uma empresa interessante, pois tem uma grande diversificação de seus negócios, além de empreendimentos por todo o Brasil. A construtora demonstrou consistência no seu crescimento de vendas, o que também é muito bom. A expectativa é de que essa receita e os lançamentos continuem fortes”, constata o analista de mercado.

A construtora teve o sétimo semestre consecutivo de crescimento nas vendas, registrando no terceiro trimestre deste ano alta de 63% em relação ao mesmo período de 2009, com R$ 1,1 bilhão. Já o EBTIDA (lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização) foi 26% maior do que o registrado há um ano, com R$ 132 milhões.
A receita líquida da companhia também teve um aumento considerável no 3T10, totalizando R$ 644 milhões. O avanço foi de 49% se comparado ao período de julho a setembro do ano passado.

Gafisa: com incorporação da Tenda, construtora entra de cabeça no segmento popular

Com um dos maiores avanços do lucro líquido entre as principais construtoras do País, a Gafisa credita boa parte de seu resultado à incorporação anunciada no início deste ano da construtora mineira Tenda, empresa mais voltada ao segmento popular.

Os lançamentos do período atingiram enorme alta de 140,5% em relação a um ano atrás, com R$ 1,23 bilhões. Essa alta colaborou com o aumento de 9,1% na receita líquida do mesmo período, chegando à marca de R$ 957, 1 milhões.

“A baixa taxa de juros, a melhora da renda e a maior disponibilidade de crédito propiciou a entrada de uma nova classe no mercado (baixa renda). Além disso, tiveram programas como o ‘Minha casa, minha vida’ para fortalecer esse novo nicho. Entretanto, devemos ficar atentos aos recentes aumentos dos juros e ao desempenho da economia, que pode causar inadimplência. Mesmo assim, a Gafisa tem um potencial de enorme crescimento”, diz Góes.

O EBTIDA da Gafisa (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 197,2 milhões no 3T10, o que representou um avanço de 13,4% em relação ao mesmo período de 2009.

PDG: resultado consistente e investida no setor hoteleiro

Enquanto as outras duas companhias citadas concentram seus esforços para conquistar o nicho de baixa renda, a PDG não ficou atrás e também fez sua investida, mas em outro setor, o hoteleiro. A empresa assinou um memorando de entendimentos com umas das três maiores redes de hotel do mundo, a Marriott e pretende construir 50 novos hotéis da rede no Brasil nos próximos cinco anos.

“A PDG é uma das empresas mais bem administradas do setor. Não evoluiu tanto no 3T10, mas já vinha crescendo de forma violenta. Talvez, possa até ser uma estratégia da empresa (freada na evolução dos resultados) para que ela possa entregar todas as obras em dia. É um papel um pouco mais caro em relação aos outros dois, até pelo seus últimos resultados, mas é uma empresa ainda em expansão”, analisa o economista.

A receita líquida da empresa foi de R$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre de 2010, alta de 61% em relação ao ano passado. No total, foram lançados 67 empreendimentos nesse período.

O volume geral de vendas da PDG atingiu a marca de R$ 2 bilhões, com aumento de 68% a igual período de 2009. Já o EBTIDA da companhia ficou em R$ 415 milhões, 31% superior ao atingido no ano passado na mesma base de comparação.

Veja os principais números das construtoras

Ações Rossi (RSID3) Gafisa (GFSA3) PDG (PDGR3)
Lucro Líquido 3º tri./10
(em R$ milhões)
95 116 251,3
Lançamentos 3º tri./10 17 34 67
EBTIDA 3º tri./10
(em R$ milhões)
132 197,2 415
Oscilação das ações em %
(365 dias)
17,91 -5,62 32,94
Dividend Yield em %
(12 meses até 18/11)
1,25 0,92 0,96
Último dividendo pago/ação
(em R$)
0,19 0,12 0,21
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