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13/10/2011 16h15
Como investir com a alta da inflação?
Por: Laura de Araújo
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Inflação alta é uma velha e indesejada conhecida dos brasileiros. Mas, apesar de ser evitada pelo governo e temida pelos consumidores, ela voltou a dar as caras. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), principal medidor de preços do País, subiu 0,37% em agosto, após ter avançado 0,16% em julho. Na última prévia de setembro, o IBGE, responsável pelo índice, apurou alta de 0,53% – até agora, o índice está em 5,04% no ano. Os especialistas do mercado não estão nada otimistas em relação à escalada dos preços: no último relatório Focus, a projeção para o IPCA acumulado de 2011 foi reajustada de 6,46% para 6,52%, ultrapassando o teto da meta fixado pelo Banco Central, que é de 6,50%.

E não é só o poder de compra do dinheiro na sua carteira que diminui com a escalada dos preços. Como os principais índices inflacionários do País servem para ajustar operações e investimentos, o rendimento de aplicações financeiras – do mercado de ações aos títulos públicos – acaba sendo alterado pelo aumento da inflação. O consolo é que nem todo mundo sai perdendo, pois há opções que aumentam a rentabilidade nessa hora, e investir se torna uma atitude vital. “A pior coisa que o investidor pode fazer é deixar dinheiro parado”, orienta André Massaro, especialista em Educação Financeira da MoneyFit. “O dinheiro está perdendo valor e é preciso tentar defender ao máximo o valor desse dinheiro”, acrescenta ele. Confira abaixo como essa escalada da inflação afeta seus investimentos e o que se pode fazer para mantê-los garantidos.

Diminuição da rentabilidade – Inflação mais alta significa preços mais altos, do supermercado ao posto de gasolina. Quem tem dinheiro investido sente a diferença quando a inflação acumulada no período em que o dinheiro ficou aplicado entra na equação, entre montante investido e juros retornados. “Quando um investimento promete lucro, é importante lembrar que a rentabilidade real é aquela que se tem quando é descontada a inflação. Se um investimento prometia retorno de 11% ao ano e a inflação no período é 6%, na prática o investimento rende só 5%”, explica Marcelo Cambria, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Seguindo este exemplo, uma aplicação deveria ter a taxa de juros real superior aos 6% da inflação para ser rentável.

Nesse caminho, alguns setores e tipos de investimento sofrem mais. Além da conta que calcula a rentabilidade real, o impacto direto da inflação no dia a dia pode reduzir os lucros de empresas localizadas, por exemplo, na base da economia – entre elas, as de varejo. Como os produtos fornecidos estão mais caros e o consumidor final também recebe menos, as contas dessas companhias acabam ficando mais apertadas. Além disso, investimentos em renda fixa pré-fixados, como as Letras do Tesouro Nacional, também podem apresentar uma rentabilidade menor do que a inflação.

Investimentos que crescem com a inflação – Há, no entanto, alternativas que podem render bons resultados. E como dinheiro parado é dinheiro depreciado, escolher uma opção rentável e segura para protegê-lo é uma importante estratégia. Na renda fixa, a dica de André Massaro é optar por títulos públicos pós-fixados, indexados a algum índice de inflação, como as Notas do Tesouro Nacional Série B, já que a rentabilidade do investimento será proporcional à aceleração dos preços. Outra indicação é analisar os papéis ligados ao IGP-M, que costuma ter uma variação maior que a média dos índices.

Na renda variável, embora o senso comum diga que a Bolsa deve ser evitada, já que o faturamento de boa parte das companhias é prejudicado com o aumento da inflação, uma carteira que contenha empresas bem posicionadas pode garantir a tranquilidade do investidor. “Eu aposto na Bolsa nas empresas certas. Embora Vale e Petrobras estejam depreciadas, negócios cujos contratos são reajustados pela inflação devem apresentar bons resultados”, opina Cambria. Entre as empresas cujas contas costumam ser beneficiadas estão as concessionárias de serviços públicos, como energia elétrica. Além desses serviços serem um dos fatores medidos pelos institutos de pesquisa, o preço pago pelo consumidor também é revisado para cima. Com isso, o balanço das companhias tende a engordar, bem como o lucro.

“Os bons pagadores de dividendos também são uma opção defensiva. E é bom fugir de empresas como as de consumo e aéreas”, indica Massaro. Junto a essas alternativas, a compra de ações de bancos, que costumam receber mais depósitos em poupança nesse período, a própria poupança e fundos multimercado (que agem em diferentes vias ao mesmo tempo e aproveitam as melhores oportunidades em cada campo) também são indicadas pelos especialistas como alternativas válidas. O que não vale é deixar a peteca cair – e seus investimentos perderem segurança e rentabilidade.

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