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14/04/2011 15h47
Companhias brasileiras ganham espaço em bolsas estrangeiras
Por: Laura de Araújo
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A Bovespa ficou pequena demais para a Usiminas. Pelo menos é a conclusão a que a siderúrgica chegou ao resolver dar um passo adiante no mercado internacional: lançar ADRs nível 2, marcando sua entrada na Bolsa de Valores de Nova York. ADR é a sigla para American Depositary Receipt, recibos de depósito norte-americanos que representam ações de empresas estrangeiras. A mudança do nível 1 para o nível 2, que a Usiminas pretende fazer, é marcada pela passagem do mercado de balcão para a Bolsa de Valores nova iorquina (Nyse). Entre as brasileiras que já possuem ADRs nível 2 estão Eletrobrás e Banco do Brasil.

“O principal ponto dessa decisão é a demonstração, por parte da Usiminas, de que a internacionalização e a transparência perante os investidores estrangeiros serão uma prática da gestão”, avalia o analista de mercado Conrado Navarro. “Isso porque o nível 2 para as ADRs exige que o padrão de contabilidade passe a ser o US GAAP [padrão norte-americano], e é o último nível antes de uma possível capitalização diretamente fora do país, que acontece no Nível 3”.

São 35 ADRs brasileiras em Nova York, como Petrobras, Embraer e Gerdau, dividas entre os níveis 2 e 3. Chegar em Wall Street é um fato significativo para qualquer empresa. O montante negociado mensalmente na Bolsa de Nova York ultrapassa US$ 1 trilhão, e a cifra correspondente às operações com ADRs brasileiras também não é modesta. Elas movimentam diariamente cerca de US$ 3 bilhões, par a par com o que gira todos os dias na Bovespa. Entretanto, as exigências para fazer parte desse clube são proporcionais às vantagens.

Caso Usiminas

O conselho de administração da Usiminas aprovou no final de março a conversão dos seus recibos negociados no mercado de balcão dos EUA em certificados de ações a ser listados na Bolsa de Nova York. De acordo com comunicado divulgado pela empresa, a operação deve ser concluída ainda no ano de 2011, após análise e homologação da Securities Exchange Comission (SEC).

A resolução da Usiminas vem em um momento em que a empresa busca alcançar mais visibilidade internacional em meio a uma reestruturação que pretende dar mais valor a suas áreas de siderurgia e mineração. O caminho para o sucesso da empresa é justamente uma boa estrutura interna e operacional, afirma o analista de mercado José Góes. Ele considera que, em termos de cotação, o ingresso em Nova York não deve gerar grande impacto. “A maior vantagem é que, nos EUA, a Usiminas vai alcançar investidores que não alcança aqui, que preferem operar só no mercado americano”, diz. “Mais pessoas vão acompanhar a empresa e, por causa da captação de recursos, tem possibilidade de ganhar um pouco mais”.  

Diferentes tipos, diferentes exigências

“A principal diferença em passar do nível 1 para o nível 2 é a negociação em Bolsa de Valores. O ADR nível I é negociado exclusivamente em mercado de balcão não-organizado, que é um mercado secundário, mas não é Bolsa de Valores”, explica Marcelo Cambria, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). “Os papéis no ADR nível 1 têm isenção de adequação às regras da SEC (Securities and Exchange Commission), que é uma entidade que equivale à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) brasileira”.

O nível 1, mais simples, é considerado como um teste que a empresa faz no mercado americano. É a partir do nível 2, afirma o professor, que a venda de ações se torna significativa. “Pode-se dizer que a empresa somente ‘joga para valer’ quando ingressa na Bolsa de Valores, porque a companhia passa a ter acesso ao imenso volume de recursos que é transacionado nas principais Bolsas dos Estados Unidos, conferindo a ela maior liquidez, visibilidade e possibilidade de captar recursos financeiros através de novas ações ou de títulos de dívida”, diz Cambria.

Já para ingressar no nível 3, além da adequação às normas contábeis americanas, a empresa deve realizar uma oferta pública de ações nos EUA. Foi o caso, por exemplo, da Petrobras. “O ADR nível 3 é o nível máximo de demanda, transparência, liquidez e levantamento de capital novo que uma empresa não americana pode conseguir nos Estados Unidos”, afirma o professor.

As exigências são maiores, mas as vantagens não ficam para trás, segundo Cambria. “Pode-se dizer  que as vantagens aumentam em proporção maior em relação às obrigações, principalmente se a companhia estiver preparada para usufruir da visibilidade e liquidez adquirida pela emissão de ADR nível 2 e se ela tiver planos de alçar um vôo ainda maior com a emissão de ADR nível 3”.

Clique aqui e saiba quais são as ADRs brasileiras negociadas na Bolsa de Valores de Nova York.

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