No próximo dia 29 de março, a Lupatech, fabricante de válvulas industriais e equipamentos para o setor de Petróleo e Gás e Metalurgia, divulgará resultados. O mercado não vem arriscando muitos palpites, mas é fato que os papéis da companhia, desde que estrearam na Bovespa, foram capazes de gerar sentimento de amor e ódio entre os acionistas. Mas para começar, quem é a Lupatech? Trata-se de uma empresa que possui três segmentos de negócios: Energy Products, Flow Control e Metalurgia.
No primeiro segmento (Energy Products), a empresa oferece produtos de alto valor agregado e serviços para a indústria de petróleo e gás, como cabos para ancoragem de plataformas em águas profundas, válvulas, equipamentos para exploração de poços, revestimentos de tubos, compressores para GNV e sensores e serviços, através de 11 marcas. O principal cliente deste segmento é a Petrobras.
No segmento de Flow Control, a Lupatech responde pela produção e comercialização de válvulas industriais, principalmente para as indústrias química, farmacêutica, papel e celulose e construção civil, através das marcas "Lupatech Valmicro", "Lupatech Mipel", "ValBol" e "Jefferson". Os seus principais clientes são Rhodia, Basf, Vale e Votorantim, e a empresa tem liderança no Mercosul.
E, finalmente, há o segmento de Metalurgia, no qual a empresa ocupa posição de destaque no mercado internacional e especializa-se no desenvolvimento e na produção de peças, partes complexas e subconjuntos direcionados principalmente para a indústria automotiva mundial através dos processos de fundição de precisão e de injeção de aço. Opera, ainda, na fundição de peças em ligas metálicas com alta resistência a corrosão, voltadas para os setores de válvulas industriais e bombas, especialmente para aplicações nos processos para a indústria de petróleo e gás, através das marcas "Microinox", "Steelinject" e "Itasa". Seus principais clientes neste segmento são General Motors, OPEL, Bosch, Dana Albarus, International e Eaton.
Haja coração – Analisar a história da Lupatech na Bolsa é ver uma série de altas e baixas. Os primeiros dois anos, por exemplo, foram de euforia, quando as ações da empresa apresentaram valorização de 45,5% em 2006 e 88,1% em 2007. Já em 2008, foi a vez do investidor experimentar o sentimento contrário, de decepção. As ações caíram 61%. Esse desempenho, no entanto, não pode ser atribuído totalmente à empresa. Isso porque, foi neste ano que o mundo passou pela maior crise vista desde 1929. Já em 2009, com os sinais de recuperação a partir do segundo semestre, as ações apresentaram desempenho positivo, de 16%, mas ainda muito abaixo da performance do Ibovespa, que apresentou valorização de 83%. E para 2010 e o futuro que se aproxima, o que esperar?

Como toda companhia listada no Novo Mercado de Ações, a Lupatech tem a obrigação de pagar no mínimo 25% do lucro líquido em forma de dividendos e juros sobre capital aos investidores. Mas a companhia só lucrou no primeiro ano de atuação na Bolsa, os anos seguintes foram de prejuízo. O endividamento em dólar e a necessidade de amortização do ágio relacionada a esta dívida (que a partir da nova norma contábil não existe mais) impediram a empresa de registrar lucro líquido positivo e, consequentemente, de pagar dividendos aos acionistas. Agora, se o investidor teve fôlego para passar por todos esses períodos, analistas acreditam que ele pode ser recompensado no médio e longo prazos.
No longo prazo, é o setor de petróleo e gás que mais chama a atenção no sentido de garantir uma forte demanda. A Lupatech acredita que este setor apresentará crescimento expressivo nos próximos anos em decorrência dos investimentos anunciados pelas companhias produtoras e da necessidade de manutenção das infraestruturas já existentes, para o crescimento da produção de petróleo e gás almejada, bem como para reparação de plataformas e refinarias. O objetivo principal da Companhia é capturar as oportunidades associadas a estes investimentos em desenvolvimento de novos campos e na reposição de equipamentos na fase de produção. Adicionalmente, a Companhia busca consolidar o mercado Latino Americano de válvulas industriais, bem como aproveitar outras oportunidades de crescimento e investimento em negócios e produtos correlatos com suas atuais áreas de atuação. Ainda não se fala em números concretos, mas é fato que a empresa será beneficiada.
Recentemente, o Citigroup distribuiu aos seus clientes um relatório em que recomenda as ações da companhia para o longo prazo. De acordo com o documento, “incorporando perspectivas de fortalecimento dos ganhos a longo prazo, menor custo de capital e ainda projeções de múltiplos maiores, o Citigroup elevou o preço alvo das ações de R$ 26,00 para R$ 33,00. Para os analistas do Citigroup, este ano e 2011 devem ser relativamente fracos em termos de resultados, considerando que os novos pedidos levarão um tempo para se converterem em ganhos para a companhia”. Para quem tiver paciência de esperar, portanto, pode ser uma boa aposta.
As ações e a história - Desde 12 de maio de 2006, as ações da Lupatech são negociadas na Bolsa sob o código LUPA3. Vai fazer quatro anos que ela ingressou no Novo Mercado, reforçando o comprometimento com boas práticas de Governança Corporativa.
De 1987 até o seu IPO, a empresa recebeu importantes investidores de capital de risco, provendo recursos que viabilizaram seu crescimento - orgânico e aquisições - e introduziram fortes praticas de Governança Corporativa em sua cultura. Entre os fundos de capital que investiram na Lupatech estão: BNDESPAr, GP tecnologia; Bozano Simonsen Advent – Fundo Mútuo de Investimentos Empresas Emergentes, entre outros.