Quem tem acompanhado de perto o desempenho do mercado de Construção Civil sabe: o ano de 2009 foi surpreendente, uma verdadeira evolução. Após a crise do ano anterior, que penalizou o segmento – sobretudo pela falta de crédito –, o setor de construção civil apresentou-se como uma das melhores alternativas para os investidores. De acordo com a consultoria Economática, apenas no primeiro semestre de 2009, o segmento registrou uma valorização de mercado de 87,31%. E, de fato, uma das principais protagonistas desse crescimento foi a Cyrela.
Cyrela Brazil Realty é considerada a maior empresa incorporadora de imóveis residenciais do Brasil e uma das mais expressivas dentro do setor de Construção Civil. Sua trajetória de sucesso começou ainda nos anos 60, mas a companhia viu seus ganhos aumentarem significativamente a partir do momento em que se lançou na Bolsa de Valores em 2005. O relatório do 3º trimestre deste ano não deixa esconder: a Cyrela apresentou um lucro líquido recorde de R$ 264,1 milhões, 68,1% maior que o trimestre anterior e 239% superior a igual período de 2008. Além disso, sua receita líquida também foi igualmente notável: R$ 1.348,9 milhões.
O analista Sílvio Araújo, da consultoria Lopes Filho, aponta que tamanho destaque no setor de Construção Civil se deve, principalmente, ao aumento significativo da venda de imóveis. “O balanço positivo do 3º trimestre refletiu o número de vendas acumuladas nos anos de 2006, 2007 e primeira metade de 2008, sobretudo. E a Cyrela soube contabilizar tais vendas para seu bom desempenho“, afirma. Vale lembrar que foram registrados somente no período do último relatório R$ 2 bilhões em lançamentos e R$ 1,6 bilhões em vendas, que contabiliza mais do que todo o primeiro semestre.
Entretanto, há ainda outros fatores que contribuíram para o forte crescimento da Cyrela, como o desempenho da Living - braço econômico da empresa - que ganha mais força, principalmente com o programa habitacional do governo, o Minha Casa, Minha Vida. Além disso, há a questão dos Jogos Olímpicos de 2016 que, por ser realizado no Rio de Janeiro, animou ainda mais as projeções de investimento da Cyrela. Segundo o diretor de Relações com Investidores, Luis Largman, em entrevista à imprensa, a empresa possui um banco de terrenos estratégico na Barra da Tijuca – onde ficarão o Novo Centro de Treinamento Olímpico e a Vila Olímpica – com potencial de R$ 14 bilhões em vendas.
Investir, aliás, parece ser o lema da companhia. Até 2012, a Cyrela espera duplicar seu tamanho, sobretudo em vendas. Enquanto até o fim deste ano está previsto um valor de R$5,1 bilhões, em 2012 a empresa estima alcançar um patamar de R$ 10,7 bilhões! “A Cyrela possui a vantagem de ser uma empresa de grande escala, com muita liquidez em Bolsa”, diz Sílvio Araújo, analista da consultoria Lopes Filho. Para ele, as perspectivas para a empresa são realmente positivas, visto que a perda de 2008 foi recuperada em 2009, com potencial moderado de alta.
De olho nas ações – O recente IPO, feito em outubro deste ano, entra nesse contexto de expansão da Cyrela. “Com essa nova entrada de capital de giro, a incorporadora de imóveis pode aumentar ainda mais seus investimentos”, acrescenta o analista Sílvio Araújo, da consultoria Lopes Filho. A oferta de ações, que conseguiu arrematar o montante de R$ 1,2 bilhão, também se encaixa nos planos de compra de novos terrenos para a companhia.
No primeiro IPO, realizado em 2005, as ações da Cyrela estavam em R$15,00. Já em 2009, a companhia lançou mais ações na Bolsa a R$ 22,00. “A valorização dos papéis reflete o bom momento que o setor de Construção Civil está passando, ainda mais com a renda do brasileiro e o crédito, ambos em expansão”, explica José Góes, economista e analista da WinTrade. Para Góes, renda e crédito são os principais fatores que podem, de certa maneira, apresentar certo risco para as ações da Cyrela, bem como para o segmento de construção civil. “Por isso, é sempre preferível que o investidor diversifique sua carteira de ações e não opte apenas por papéis deste setor alavancado”, alerta o analista da WinTrade.
Sílvio Araújo, analista da consultoria Lopes Filho, tem a mesma opinião de José Góes e ainda desmente o fato de as ações da Cyrela serem consideradas arriscadas. “Não há contra indicação para os papéis da empresa, já que ela apresenta bom volume negociado e histórico”, esclarece. Entretanto, segundo ele, o investidor deve optar pela diversificação da carteira de ações, além de ficar atento ao mercado, que promete ser bastante próspero. “A tendência é que as ações da companhia subam ainda mais”, pontua Sílvio Araújo.