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27/12/2011 10h56
De olho nos lances da GOL
Por: Isabella Abreu
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A companhia aérea GOL tem roubado a cena na Bovespa, liderando a lista das maiores altas nas últimas semanas. No dia 7 de dezembro, após fechar um acordo com a Delta Airlines, que envolvia a venda de R$ 100 milhões em novas ações preferenciais à companhia, os papéis da GOL subiram 8,96%, enquanto o Ibovespa recuou 1,47%. Também nesse dia, o volume financeiro movimentado pelas ações foi bem expressivo, chegando a atingir R$ 70,22 milhões, mais do que o triplo da média observada nos 20 dias anteriores, que foi de R$ 21,62 milhões. O anúncio da transação deixou os investidores bastante animados, e será que eles têm razão em estar assim? Conheça a seguir o panorama em que a GOL se encontra e saiba em que tipo de terreno pode estar pisando.

Perspectivas e resultados - Segundo o analista Leonardo Nitta, a operação com a Delta Airlines será importante para a GOL, pois trará benefícios operacionais e estratégicos ao permitir que seus clientes utilizem todos os vôos da empresa norte-americana e vice-versa. Além disso, o repasse de duas aeronaves B767s reduzirá os custos da GOL em aproximadamente R$ 50 milhões. Já a associação permitirá otimizar as conexões realizadas entre viagens das duas. “De imediato, haverá um reforço de caixa com aporte de capital. Mas o maior valor desse acordo advém de um posicionamento estratégico mais coerente ao cenário competitivo para os próximos anos”, explica.

Com relação aos resultados que a GOL tem apresentado, os dados operacionais de novembro foram vistos de maneira otimista pelos analistas do mercado. Nesse mês, a GOL apresentou um crescimento de 5,4% na demanda do mercado doméstico em relação ao mesmo período de 2010. A oferta do sistema total teve alta de 6% na comparação anual, principalmente devido à alta produtividade das aeronaves.

Tantos pontos positivos, porém, não significam que o investidor possa abrir mão da cautela. A analista Renata Faber faz um alerta para 2012. “O desempenho da companhia sugere uma relevante melhora no desempenho operacional no próximo ano, o que pode deixar pouco espaço para surpresas positivas. Além disso, a partir de uma perspectiva de custos, a combinação de um dólar forte e um alto preço dos combustíveis, é bem provável que 2012 seja um ano desafiador”, avalia. Ou seja, é preciso que o investidor controle a quantidade de animação para o próximo ano.

Contudo, para o longo prazo o cenário pode ser muito melhor, já que o setor aéreo deve ser beneficiado com a proximidade da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Segundo um estudo realizado pela consultoria Enerst & Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, as companhias aéreas são consideradas as mais promissoras antes, durante e depois desses eventos esportivos. Portanto, vale a pena ficar atento nos lances para apostar com segurança em um placar positivo!

Conversamos com a área de Relações com Investidores da GOL Linhas Aéreas para saber o que eles têm a dizer a seus acionistas. Confira a seguir*: 

WN: Por que o investidor deve escolher comprar as ações da GOL?

RI GOL: O mercado brasileiro de aviação civil é um dos que possui o maior potencial de crescimento no mundo devido à baixa penetração da população nesse meio de transporte. A GOL foi a primeira empresa que começou a mudar isso, quando foi fundada, em 2001, oferecendo tarifas acessíveis e criando condições para que milhões de pessoas pudessem viajar de avião. No futuro, a tendência é que o transporte aéreo se popularize ainda mais. O Brasil tem dimensões continentais e com uma infraestrutura pouco desenvolvida no que se refere a estradas e ferrovias. O desenvolvimento da aviação influenciará nossos resultados no longo prazo.

WN: Qual o diferencial que a companhia oferece para os investidores?

RI GOL: A GOL já nasceu com o objetivo de popularizar o transporte aéreo e atender a demanda da nova classe média que percebeu que é possível voar. Adicionalmente, somos a companhia com o custo operacional mais baixo e balanço patrimonial representado pela forte posição de caixa e sem amortização de dívidas relevantes no horizonte de três anos. Ambas as situações combinadas criam uma perspectiva positiva nos resultados da companhia para os próximos anos.

WN: Como a turbulência dos mercados está afetando a empresa?

RI GOL: A turbulência nos mercados internacionais impacta a operação da empresa no sentido que gera volatilidade nos preços de variáveis macroeconômicas mundiais como preço do combustível, taxa de câmbio e taxa de juros utilizadas no país. Cerca de 55% dos custos de uma companhia aérea são representados em dólar e, destes, 35% referentes ao combustível.

WN: Quais as principais estratégias de crescimento?

GOL: A principal estratégia da companhia é estimular a demanda no setor aéreo brasileiro por meio do gerenciamento dinâmico de tarifas (privilegiar o passageiro que compra com antecedência), popularizar o transporte aéreo e descentralizar o trafego aéreo das principais capitais brasileiras para cidades do Norte e Nordeste.

WN: Quais são as oportunidades e os riscos dentro do segmento em que atua?

GOL: As oportunidades são referentes à perspectiva de crescimento do setor para os próximos anos combinado ao crescimento econômico do país.  Já os riscos estão relacionados à volatilidade de importantes variáveis macroeconômicas para o bom desempenho da operação da empresa (preço do combustível, juros e taxa de câmbio), além do risco relacionado à infraestrutura por conta da saturação da capacidade nos principais aeroportos do país que podem ser limitadores do crescimento das companhias.

WN: Qual o principal concorrente da empresa? Como está o ambiente competitivo no Brasil?

GOL: A principal concorrente da GOL é a TAM. Juntas elas possuem quase 80% do marketshare do país. Com relação ao ambiente, após um período em que as margens operacionais das empresas foram impactadas negativamente (durante o primeiro semestre de 2011, em função de um cenário de excesso de oferta no setor, situação que levou a uma queda nos preços das tarifas durante este período), no segundo semestre do ano, o setor começou a sinalizar uma preocupação com a retomada de margens operacionais positivas através de um gerenciamento mais cauteloso da oferta de assentos no setor que, por sua vez, tem por consequência a recuperação gradual de tarifas frente aos valores apresentados no primeiro semestre deste ano.

WN: Quais os planos e novidades para 2012?

RI GOL: A visão da companhia permanece positiva para o futuro. Para 2012, a GOL projeta um crescimento de não mais que 4% em sua oferta (combinada com Webjet) e um crescimento da demanda doméstica da indústria de 2,5 a 3 vezes o PIB.


*A conversa da Redação da Win com o RI da GOL aconteceu antes do anúncio do acordo com a Delta Airlines. Procurada novamente, a empresa respondeu informando a posição oficial do CEO, Constantino de Oliveira Júnior. “O acordo está alinhado com a estratégia da GOL em buscar parcerias de longo prazo e fortalecer sua estrutura de capital, com foco na geração de valor para seus acionistas. A vasta experiência da Delta nos EUA, mercado mais desenvolvido da indústria, combinada ao potencial de crescimento da aviação comercial brasileira, oferece uma oportunidade para reforçar o nosso modelo de negócio e o retorno sobre o capital empregado nos próximos anos. Nossos clientes irão se beneficiar com opções de voos adicionais, mais flexibilidade e novos produtos e serviços”, disse o executivo.

 

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