Os balanços referentes ao terceiro trimestre deste ano das empresas Copel, CPFL Energia e AES Tietê trouxeram bons resultados, entretanto, em uma análise mais ampla, não superaram muito as expectativas dos especialistas para o setor Energético. A Companhia Paranaense registrou lucro líquido de R$ 316,2 milhões no período, 11,2% superior ao 3º trimestre de 2009. A CPFL, por sua vez, apresentou lucro de R$ 387,6 milhões, 33,8% acima do conquistado há um ano. Enquanto para a AES Tietê este número foi 2,3% inferior se comparado ao terceiro trimestre do ano passado, ao atingir a marca de R$ 216,4 milhões.
Para entendermos um pouco mais sobre os resultados dessas empresas e do setor, batemos um papo com André Trein, analista de mercado da Fundamenta Administradora de Recursos e especialista do nicho energético. “Os balanços do setor ainda estão refletindo a recuperação econômica, em especial do segmento industrial, principalmente para as empresas mais ligadas a esse campo, como Copel e CPFL. De forma geral, (os resultados) vieram positivos, sem nenhuma grande surpresa negativa”, afirma.
Copel: fim de descontos para bons pagadores aumenta receita
Segundo o especialista no setor energético, o fim dos descontos para os consumidores que pagavam suas contas em dia foi preponderante para o bom resultado da empresa. “O principal destaque do balanço para o crescimento do resultado da Copel foi a eliminação dos abatimentos nas tarifas no segmento de distribuição”, explica Trein. O analista ainda aponta o repasse tarifário de 2,46% em junho e o aumento de 11,7% na receita com fornecimento de energia como fatores que contribuíram para o desempenho da companhia.
A receita operacional líquida da Companhia Paranaense subiu 13,5% em relação ao 2º trimestre de 2009, atingindo a marca de R$ 1,6 bilhão. Enquanto o EBTIDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 489 milhões no mesmo período, com um avanço de 14,7% na mesma base de comparação.
“A recuperação do setor industrial, impactando tanto no consumo de energia, como no de gás, além da alta da inflação influenciaram positivamente o resultado da Copel, uma vez que a companhia tem a receber um ativo do governo do Paraná de mais ou menos R$ 1,3 bilhões, sujeito a correção monetária com base na própria inflação”, constata o analista.
Agora, uma notícia que pode animar os investidores. Com a eleição do novo governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), a empresa pode ficar um pouco mais flexível em relação a algumas de suas políticas, como a de distribuição de dividendos. “Defasada em relação ao restante do setor nesse quesito, com um ‘pay out’ de 25%, a empresa tem a possibilidade de rever para cima essa quantia do lucro distribuída, o que pode ser saudável para a empresa”, diz Trein.
CPFL: Despesas não recorrentes freiam lucro
Apesar de ter conquistado a maior alta de lucro líquido entre as empresas analisadas do setor, se compararmos com os números de um ano atrás, a CPFL Energia teve seu resultado impactado por algumas despesas fora do seu ciclo de gastos.
“O resultado veio dentro do esperado pelo mercado, mas poderia ser melhor. Despesas não recorrentes, como a compra de energia para honrar os compromissos com os clientes de hidrelétricas ainda inacabadas no Nordeste e na região da foz do Chapecó. Entre esses gastos e um acordo sindical fechado durante o trimestre, foram contabilizados aproximadamente R$ 72 milhões de despesas”, explica o especialista no setor.
“O aumento no volume de vendas foi perceptível, com destaque para o crescimento dos setores industrial e comercial. O ponto positivo ficou com o segmento de distribuição, que puxou o resultado do balanço”, diz Trein. As vendas totalizaram 13.201 GWh, o que representou aumento de 7,6% em relação ao 3T09. O mercado cativo foi responsável por 9.779 GWh no 3º trimestre de 2010, aumento de 4,5% a igual período do ano passado, enquanto o consumo de clientes livres teve alta de 17,2% na mesma base de comparação, chegando a 3.423 GWh. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 816,5 milhões, um aumento de 21,9% na comparação anual.
“Em relação ao pagamento de dividendos, a CPFL vem mantendo a política de repassar 95% de seu lucro aos acionistas. Por ser uma empresa com investimentos para expansão, isso tem causado aumento de seu endividamento, mas não chega a ser preocupante. Nos próximos dois ou três anos, ela pode tranquilamente manter essa política sem que isso afete negativamente seus resultados. Ao mesmo tempo que paga bons dividendos, está crescendo em geração e distribuição”, lembra o analista de mercado da Fundamenta Administradora de Recursos.
AES Tietê: aumento na receita e continuidade na política de distribuição de dividendos
Mesmo com a companhia tendo divulgado um lucro líquido 2,3% inferior ao resultado de um ano atrás, Trein analisa que a AES Tietê teve um bom balanço no último trimestre. “A receita teve um bom incremento beneficiada pela maior alocação de energia e pelo reajuste de 5% nas tarifas em julho deste ano. O preço da energia no mercado spot também foi de suma importância, indo de R$ 21 no 3º trimestre de 2009 (3T09) para R$ 113 no mesmo período deste ano”.
A receita líquida chegou a R$ 471,2 milhões, com aumento de 4,8% se comparada ao mesmo período do ano passado. Já o EBTIDA da empresa fechou o terceiro trimestre deste ano em R$ 357,2 milhões, resultado 1,2% inferior se comparado ao 3T09.
O destaque da AES Tietê ficou mais uma vez para sua política de distribuição total de seu lucro. Seu Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 216,4 milhões na forma de dividendos, 100% do lucro líquido do terceiro trimestre deste ano.