“Quais são as empresas que pagam os maiores dividendos? Vale a pena investir nelas?" Ricardo Raffa Valente
Investir em empresas boas pagadoras de dividendos é, sem dúvida, vantajoso. Mas esse não deve ser o único requisito na hora de escolher as ações que irão compor a sua carteira. Uma companhia que distribui bons dividendos, por exemplo, pode não ter liquidez no mercado, ou seja, pouca procura. Além disso, é recomendável analisar o histórico de dividendos da empresa e o seu estatuto social, que irá informar a política de distribuição de cada uma (periodicidade, percentual mínimo do lucro distribuído etc).
Tradicionalmente, as empresas do setor de energia e de telecomunicações são as que pagam os maiores dividendos, como as ações da Telesp, da Telemar, e da Eletropaulo. Porém, é importante observar o comportamento das ações das empresas no ano para ter ideia do que deve acontecer adiante.
O professor e diretor do FAAP MBA, Tharcísio Souza Santos, explica que setores como esses foram pouco afetados pela crise mundial. Além disso, são dominantes devido à infraestrutura já consolidada. “As empresas mais tradicionais têm um parque industrial já instalado, então, não precisam reinvestir tanto”, explica. Assim, a companhia pode redistribuir uma porcentagem maior de seus lucros para os acionistas. Já para as empresas que precisam dispor de um montante maior de dinheiro para investimentos, como é o caso da Petrobras, o mais coerente é redistribuir dividendos menores.
| Ação / Empresa |
Dividend Yield |
| Telemar ON |
35,6% |
| Light ON |
16,3% |
| Coelce PNA |
13,15% |
| Telesp PN |
11,06% |
| Souza Cruz ON |
8,14% |
| Eletrobrás PNB |
6,28% |
| Usiminas PNA |
5,76% |
| Petrobras PN |
4,52% |
| Vale PNA |
3,6% |
| Bradesco PNA |
3,23% |
|
*período considerado: agosto de 2008 a agosto de 2009
O ideal é cada investidor praticar um exercício de autoconhecimento antes de aplicar o dinheiro em alguma empresa esperando pelos dividendos. Tharcísio explica que, de modo geral, “o investidor conservador tem migrado para a renda variável investindo nas blue chips, enquanto o mais arrojado procura dividendos maiores”. Isso acontece porque as blue chips, apesar de pagarem baixos dividendos, possuem ações de alta liquidez, enquanto o contrário pode acontecer com aquelas que pagam bons dividendos, assim como explicado inicialmente. Para ilustrar, podemos comparar a Petrobras com a Telemar, uma das melhores pagadoras de dividendos. Entre agosto de 2008 e de 2009, a estatal obteve um
dividend yield de 4,52% e suas ações valorizaram 40%. Já a Telemar alcançou um dividend yield de 35,60% e seus ativos renderam apenas 0,9%.
Para analisar se o investimento não é uma fria, o professor dá uma dica aos acionistas: calcular quanto tempo o dividendo vai levar para pagar o dinheiro investido. O tempo ideal de retorno é de aproximadamente 20 anos. Sendo assim, fica claro que o investidor que busca ganhos com dividendos visa ao longo prazo. “Para quem investe a longo prazo, é possível fazer a poupança em dividendos”, explica Paolo Mason, diretor de Varejo da WinTrade. Além do mais, esse retorno pode vir mais cedo do que o esperado. “Comprando ações todo mês, em dez anos é possível reaver o dinheiro investido”, continua Mason. Assim, para impulsionar os lucros é interessante reinvestir o dividendo recebido, já que quanto mais capital aplicar na companhia, maior será o retorno no próximo pagamento.
Mais rentável que renda fixa - Com a redução da taxa Selic, investir em empresas que pagam altos dividendos tornou-se uma alternativa atrativa aos fundos de renda fixa. Alguns deles utilizam a taxa CDI como referencial para determinar o retorno do dinheiro investido. Assim, no período de julho de 2008 ao mesmo mês de 2009, essa taxa se manteve a um patamar de 12%, enquanto que o dividend yield de algumas empresas superaram esta porcentagem, proporcionando um retorno mais vantajoso. Porém, há de se ressaltar que a oscilação dos papeis deve ser levada em conta, uma vez que ela pode impulsionar tanto ganhos muito elevados quanto valores menores que os fundos de renda fixa.
| Lei das S.A. – Conforme previsto na Lei das Sociedades Anônimas, as empresas que não possuem um estatuto devem distribuir no mínimo 50% do lucro sob a forma de dividendos. Caso elas criem um estatuto posteriormente, esse valor não deverá ser menor do que 25%. Atualmente, a maioria das companhias se enquadra nesta faixa. Mas nada impede que elas paguem mais ou menos. Se o percentual for menor do que os tradicionais 25%, ele estará determinado no estatuto antes mesmo da abertura da capital. O detalhe é que nesta situação a alíquota não poderá ser alterada futuramente. |