“Porque se concentra em elétricas e telecomunicações, as indicações para carteira de dividendos? Quais outras boas opções em outros setores?”, enviada por Derli Antonio Bernardi.
Entre todas as empresas listadas na BM&FBOVESPA, as que pertencem aos setores de telecomunicações e elétrico levam a fama de boas pagadoras de dividendos. E não à toa. Isso porque, normalmente, são companhias já consolidadas em seu ramo de atuação, “maduras” no mercado, que não necessitam de grandes investimentos e podem destinar boa parte de seus lucros para os investidores. No entanto, esse privilégio não fica limitado apenas a esses dois nichos, pois cada empresa tem sua própria política de distribuição de proventos em dinheiro, podendo variar a porcentagem do lucro líquido destinada e a periodicidade de seus pagamentos.
“As empresas desses dois setores apresentam menor volatilidade, porque não são muito alavancadas. São geradoras de caixa e não precisam de grandes investimentos, fora aqueles de manutenção já previstos. Entretanto, podem existir aquelas em processo de crescimento e que não serão boas pagadoras. Vale lembrar que existem boas opções fora destes segmentos que, historicamente, distribuem boa parte do lucro, como a Natura e a Souza Cruz”, afirma o economista e analista de mercado, José Góes.
O dividendo é uma das coisas mais importantes para ação, segundo Góes. O investidor que quer ter preferência no recebimento de dividendos deve optar por ações PN.
Indicadores
Para o investidor que se sente seguro com o máximo possível de informações, seguem algumas dicas: “A primeira coisa a se fazer é dar uma olhada no histórico de pagamentos de dividendos da empresa, disponível no site da própria Bolsa. No entanto, existem dois indicadores que demonstram se a empresa é uma boa pagadora de dividendos: o Dividend Yield, que é o retorno em dividendos com relação ao preço da ação, e o Payout, que representa quanto do lucro a empresa paga como dividendo”, explica Góes.
Esses são indicadores que podem ser calculados por qualquer investidor. Tome nota:
Dividend Yield = proventos por ação ÷ preço da ação
Payout = proventos÷ lucro líquido
*proventos = dividendos + juros sobre capital próprio
Juros sobre capital próprio e dividendos
A palavra proventos pode assustar logo de início para quem não é familiarizado. Mas proventos nada mais são do que dividendos (a fatia do lucro da empresa que você recebe) e juros sobre capital próprio.
A diferença entre os dois fica apenas por conta do imposto de renda. O investidor não sofre a incidência do IR nos dividendos, enquanto nos juros sobre capital próprio o acionista é tributado em 15% na fonte, pois é considerado uma despesa financeira da empresa, o que reduz o seu lucro tributável.