Neste mês de dezembro, a proximidade do Natal leva muitos de nós – investidores e não investidores – a participar mais ativamente de projetos e ações sociais. No mundo acionário não é diferente, e é possível encontrar empresas de capital aberto que investem, não somente neste período do ano, mas durante todo o ano, em ações voltadas à sustentabilidade empresarial, ambiental e social. Para quem ficou interessado, a professora Lúcia Guilhoto, da FECAP, explica que há várias maneiras de identificar essas empresas. “As companhias com esse perfil prezam por uma comunicação transparente, apoiam constantemente as comunidades onde estão inseridas, têm projetos de preservação do meio ambiente e costumam ter boa reputação junto aos consumidores”, explica.
Além disso, muitas dessas empresas costumam também publicar o Balanço Social, desenvolvido pelo Instituto Ethos, para mostrar suas ações nesse sentido. “É como um demonstrativo financeiro semelhante ao balanço patrimonial e demonstração de resultados, só que voltado para as ações sociais da empresa. Nele constam o montante de gastos e a abordagem qualitativa desses gastos”, explica o coordenador do curso de Finanças da Veris Faculdade, Fabrício Pessato.
Para a especialista da FECAP, os investidores optam por comprar ações de empresas com esse perfil por duas grandes razões: a primeira, porque acreditam que essas companhias têm maior probabilidade de permanecerem produtivas e rentáveis a longo prazo, já que podem reduzir custos produtivos e são menos suscetíveis a ações judiciais, seja de âmbito trabalhista ou ambiental; e a segunda, porque, como cidadãos conscientes, não querem se envolver com empresas que têm problemas éticos ou poluem, por exemplo, e preferem privilegiar as que atuam de forma sustentável, com respeito a valores éticos, ambientais e sociais.
Índice de Sustentabilidade Empresarial – A grande pergunta a ser feita quando se fala em empresas socialmente responsáveis é se é possível ter parte do foco de atuação em projetos ou ações que levem em conta o bem comum e ainda gerar lucros ao mesmo tempo. Essa é também a principal dúvida de muitos investidores. Pensando nisso, a BM&FBovespa criou em 2005 o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que se tornou um benchmark neste quesito.
Segundo definição da própria Bolsa, o índice tem por objetivo refletir o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial. E para fazer parte do ISE as empresas precisam responder a diversos questionários que levam em conta parâmetros de liquidez, transparência, governança corporativa e ações ambientais. Além disso, é preciso comprovar cada resposta com evidências físicas do que está sendo feito de sustentável.
A partir deste ano, as empresas foram incentivadas a divulgar seu questionário respondido. De acordo com Roberta Simonetti, coordenadora do Programa de Sustentabilidade Empresarial do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, essa novidade irá transformar o ISE em uma valiosa fonte de informação. “Dessa forma, o índice facilitará a tomada de decisão por parte de analistas e investidores”, explica.
Preocupação com sustentabilidade - Outro questionamento frequente sobre o envolvimento social das empresas é em relação à continuidade dessa participação. Para o coordenador do curso de Finanças da Veris Faculdade, Fabrício Pessato, trata-se de uma “moda” que tende a se tornar permanente. “As empresas começaram a entender que questões sociais são o grande tema do século 21”, acredita ele.
Para a especialista da FGV, o investidor está se preocupando cada vez mais com o assunto. “Esse movimento é crescente entre as empresas e uma tendência sem volta da sociedade. Quem não se adaptar a essa nova realidade não irá sobreviver no mercado”. Segundo Roberta, a cada ano, com o anúncio de uma nova carteira, a sociedade (seja ela formada por investidores, acionistas, imprensa ou pessoas comuns) pede explicações às empresas não incluídas no índice. “Esse processo tira a empresa da ‘zona de conforto’, fazendo com que busque um processo de melhoria contínua, de maior alinhamento estratégico com a sustentabilidade”, completa.
Conheça projetos sociais de 5 empresas que têm foco nos lucros, mas também dão uma mãozinha para tornar o mundo um lugar melhor