A BM&FBOVESPA divulgou a nova carteira teórica do Ibovespa, principal indicador do desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro. Ela passou a vigorar a partir de hoje (01/09) e estará vigente até 31 de dezembro deste ano. O Índice teve a entrada das ações ordinárias da Marfrig e da Brookfield, além das Units do Santander, contando agora com 68 ativos de 62 empresas. Confira alguns dos destaques da nova carteira e as opiniões do analista de mercado, José Góes.
Vale (VALE5) – O peso da ação PNA da segunda maior mineradora do mundo diminuiu de 10,766% para 10,756%, mas, mesmo assim,
ultrapassou a Petrobras e alcançou o topo da nova carteira do Ibovespa. Entre os meses de maio e agosto – período no qual vigorou a última carteira do Índice – o papel teve uma desvalorização de 10,96%. Já neste primeiro dia de setembro, VALE5 subiu 4,27%, cotada a R$ 43,20.
Góes: “A perspectiva é positiva para o papel. É um ativo que continua relacionado ao mercado externo, mas os últimos números que saíram sobre a economia chinesa, bem aquecida, podem fazer com que entre em um ciclo positivo novamente”.
Brookfield (BISA3) – A construtora que entregou os melhores resultados entre as grandes do setor em seu último balanço e presente na carteira recomendada da WinTrade, a Brookfield agora passa a fazer parte também da nova carteira teórica do Índice Bovespa. A ação ordinária da companhia tem participação de 0,667% na carteira entre setembro e dezembro. Nos quatro meses anteriores, o ativo teve uma valorização de 16%, fechando o último pregão de agosto cotado a R$ 9,06.
Góes: “A Brookfield vem apresentando um resultado espetacular com imóveis comerciais. Faz parte de um setor que vem crescendo bastante e é a aposta para quem acredita na melhora da economia do País. É uma empresa com um grande poder de alavancagem”.
Marfrig (MRFG3) – Uma companhia em expansão, que vem realizando grandes aquisições como as da Seara e da Keystone e que está de olho no mercado internacional. Com a participação de 0,654%, a inclusão da Marfrig foi outra novidade da nova carteira do Ibovespa. No período em que vigorou a última carteira teórica do principal índice da BM&FBOVESPA, a ação ON da empresa teve uma queda de 6,79%, a R$ 17,00.
Góes: “É uma opção mais conservadora. Entretanto, é uma companhia que vem buscando aumentar seu market share através de aquisições e expansão para o mercado externo. Com concorrentes como BRFoods e JBS, essa agressividade é sua única saída em um setor de forte concorrência”.
Petrobras (PETR4) – As incertezas e indefinições sobre a questão da capitalização da estatal prejudicaram o desempenho do papel e fizeram com que a companhia perdesse o primeiro posto na nova carteira do índice. Com participação de 9,709%, a Petrobras caiu para a segunda posição. Entre maio e agosto, a ação PN da empresa sofreu uma desvalorização de 20,54%, cotada a R$ 26,06. Já neste primeiro de setembro, a ação seguiu o otimismo do mercado, subindo 3,91%, para R$ 27,08.
Góes: “Com a capitalização cada vez mais perto de ser concretizada, as incertezas vão diminuindo e as perspectivas são de melhora. Para quem vem apostando na ação, está chegando a hora do papel ficar um pouco mais solto no mercado”.
Santander (SANB11) – O aumento nas operações de crédito e a alta no lucro reportados sobre o último trimestre colaboraram para que a unit (combinação de ações ON e PN) da filial brasileira do Santander figurasse entre as novatas da carteira. Apesar de estrear no índice, o ativo já tem uma participação de 1,062%. Com uma valorização de 11% nos últimos quatro meses, o papel ficou cotado a R$ 22,30 no pregão derradeiro da última carteira teórica do Ibovespa.
Góes: “O setor bancário em geral, principalmente os grandes bancos, vem se beneficiando da melhora da economia brasileira e da expansão de crédito. É um nicho que só tem a crescer com a evolução econômica nacional”.
BM&FBOVESPA (BVMF3) – Apesar da queda de 4,16% do Ibovespa nos últimos quatro meses, o papel ON da Bolsa não perdeu a terceira posição dentro da carteira teórica do índice. Entretanto, sua participação caiu 0,436 pontos percentuais para 3,822%. Entre maio e agosto, o ativo teve uma valorização de 11,30%, cotado a R$ 12,80.
Góes: “É um papel mais conservador hoje em dia, mas, ainda sim, atrativo. O aumento na entrada de pessoas físicas e estrangeiros na Bolsa tem aumentado sua liquidez e as perspectivas são de crescimento desses números com as campanhas de popularização do mercado acionário. Entretanto, ainda é um ativo muito ligado ao desempenho da economia”.