
Segundo os últimos dados de atividade econômica divulgados pelo mundo, parece que o arsenal de ajudas financeiras e pacotes de incentivos econômicos começam a surtir efeito. O primeiro sinal animador foi a recuperação das vendas de imóveis nos EUA, que subiram 6,7% abril - a terceira alta consecutiva. As boas perspectivas partiram daí, já que é difícil imaginar uma retomada sem a recuperação do setor, que envolve uma atividade intensiva em mão de obra. Dados sobre a confiança do consumidor e do empresariado também têm apresentado melhora em todo o mundo. Os últimos índices divulgados em maio no Japão, EUA, França e Brasil subiram.
Esse ambiente de maior confiança de uma maneira geral, combinada com a política de juros zero e uma melhora do ambiente econômico global, tem levado os investidores a procurarem aplicações com retornos maiores, mas sujeitas a riscos mais elevados. Desse modo, temos acompanhado uma melhora da Bolsa e do preço das commodities em quase todos os países.
O assentamento da poeira também tem possibilitado uma melhor distinção dos fundamentos econômicos entre as diversas nações, com ênfase para China e Brasil. O país asiático evidencia um gigantesco mercado potencial, com sua enorme população que depende, em sua maioria, da subsistência. A inserção de parte deste exército de novos consumidores tem levado a China a crescer quase 10% ao ano. Já o Brasil tem se destacado pela combinação de ótimos fundamentos macroeconômicos com baixo risco político, que podem levar o país a retomar o crescimento sustentado já no segundo trimestre de 2009.
Apesar dos indícios animadores, ainda é impossível distinguir se essa recuperação se trata apenas de uma readequação do nível de atividade para um ambiente onde o medo e as incertezas não estão tão pronunciados, ou, se estamos diante de uma retomada de crescimento de longo prazo.
Temos argumentos para as duas hipóteses:
- Para a primeira, o de estarmos apenas diante de um ajuste no nível de atividade. A melhora observada pode ser efeito dos estímulos fiscais combinado a um “desempoçamento” temporário da liquidez, irrigando a atividade econômica. O baixo nível de emprego, entretanto, emperraria uma recuperação mais duradoura, levando as empresas e os consumidores, receosos da experiência recente, a adiarem suas compras e prolongarem o período de estagnação.
- Para a segunda, o de que a economia teria passado por um forte ajuste necessário ao sistema capitalista, para que setores que já vinham com problemas se reestruturassem, como nos casos do setor financeiro e automobilístico. Nesse cenário, os estímulos monetário e fiscal estariam dando o empurrão inicial na engrenagem, que voltaria a rodar. A iniciativa privada seria obrigada a cumprir seu papel de criar novas tecnologias e produtos, gerando nova demanda por mão de obra. Esses novos trabalhadores consumiriam, aumentando a necessidade de produção, de contratação, e assim por diante, gerando um ciclo positivo e sustentável para a economia.
De qualquer modo, a crise já deixou sequelas. Os resultados corporativos do ano estão comprometidos e, mesmo em um cenário mais otimista, um crescimento econômico global sustentável só se daria em 2010. Dessa forma, acredito que a Bolsa está bem precificada e deve oscilar algumas semanas nestes patamares, até que novos dados possibilitem uma avaliação mais precisa de cenário que está por vir. Assim, uma realização de 10% a 15% do Ibovespa não está descartada.