“Gostaria de uma comparação entre Eucatex e Duratex. Qual a melhor em relação aos balanços?”, enviada por Leonardo Lopes da Costa.
As duas corporações em questão, Eucatex e Duratex, são empresas do ramo de Papel e Ccelulose, que tiveram que expandir sua gama de produtos e investimentos para sair de endividamentos e concordatas dos últimos cinco anos. Em 2010 apresentaram um leve crescimento, já que a redução de IPI do setor alavancou as vendas. Porém, nada muito significativo, levando em conta a forte crise pela qual passaram em 2009.
No caso da Eucatex – gerida pela família Maluf – trata-se da primeira empresa do Brasil a migrar do processo de concordata para recuperação judicial em 2005. Pela nova legislação, durante dois anos, a corporação se compromete a cumprir suas obrigações fiscais e trabalhistas. Em troca, tem seus ativos preservados até que a empresa consiga pagar suas dívidas, de acordo com um plano negociado com os credores. Graças a essa medida, o montante do endividamento foi reduzido de R$ 485 milhões para R$ 82,4 milhões entre 2006 e 2008. Esse crescimento contínuo fez com que alcançasse lucro líquido de R$ 17 milhões no primeiro semestre de 2009, segundo dados da própria empresa.
A Duratex, conduzida pelo grupo Itaúsa, também chegou perto do vermelho em 2009, mas por se tratar de uma empresa de grande porte, se reestruturou na mesma onda de alta do Ibovespa. Em 2008, a Duratex registrou receita líquida de R$ 1,9 bilhão, alta de 14,55% sobre o resultado do ano anterior, segundo dados da própria empresa. Para este ano, a companhia prevê um cenário positivo, principalmente depois da fusão com a Satipel. O negócio resultou na oitava maior indústria de revestimentos de madeira do mundo, com faturamento de R$ 3,2 bilhões. Juntas, as ex-concorrentes deterão 42% do mercado nacional, o que permitirá à nova empresa ter escala suficiente para atender ao esperado crescimento do segmento de Construção Civil.
Apesar do aumento produtivo, as duas empresas oscilaram bastante no mercado acionário. As ações da Eucatex sofreram sucessivas quedas no primeiro trimestre deste ano. Seus papéis na Bovespa chegaram a cair 7,94%. No início de maio variaram entre altas e baixas até se estabilizarem e avançarem 18% nos meses de junho e julho. Já a Duratex teve alta de 4,07% em janeiro, mas não se manteve estável e, no mês seguinte, teve queda de 12,22% em suas ações. A despeito da baixa, a Duratex acumula crescimento de aproximadamente 41,52% de julho do ano passado até hoje.
Mesmo com essa instabilidade é possível enxergar ambas as empresas com otimismo. “As duas saíram de endividamentos e por isso tendem a crescer”, explica o analista e economista José Góes. Segundo ele, é difícil comparar as duas empresas ainda que estejam no mesmo setor. “A Eucatex é uma empresa bem menor em relação à Duratex, mas é exatamente por isso que tende a crescer e se valorizar”, afirma. Para o analista, a Eucatex seria uma opção interessante para se investir no longo prazo, pois, mesmo tendo papéis mais baratos (R$ 6,5), renderia mais. “Já a Duratex, que é vendida a R$ 16,9, é uma empresa maior e mais estabilizada”, comenta Góes. “Com todas as variações, a Eucatex seria a melhor escolha no momento”, conclui.