A crise que anda assombrando os investidores não poupa nem os gigantes de mercado. A Fibria Celulose é um exemplo. Nos seis primeiros meses de 2011, os ativos da companhia desvalorizaram 22%. Mas, mesmo com suas ações em baixa, a empresa, líder mundial do setor, segue com planos de ampliar sua estrutura e complementar a produção de celulose com bioenergia. A nova fase da companhia reserva menos ênfase na produção de papel e aposta na celulose e em novos negócios. E para o investidor, o que esperar?
“Os papéis da Fibria estão sendo bastante penalizados pela crise. Muitos estrangeiros e grandes investidores saíram do ativo com essa piora do risco global”, explica o analista de mercado da WinTrade José Góes. Os bons fundamentos e seus esforços para diminuir a dívida, no entanto, oferecem boas perspectivas de longo prazo para a empresa. É por esta razão que apresentamos a seguir um panorama para o investidor estar por dentro de tudo sobre a Fibria. Confira!
Liderança e sustentabilidade - A Fibria é resultado da incorporação, feita em 2009, da Aracruz pela Votorantim Celulose. A companhia emprega mais de 15 mil funcionários e tem capacidade para produzir 5,2 milhões de toneladas de celulose e 163 mil toneladas de papel por ano. Seus ativos são negociados na Bovespa desde 2010, com o código FIBR3.
Responsabilidade social e ambiental
também são preocupações da empresa. Confira iniciativas ambientais da qual a Fibria participa e as certificações que a empresa possui.
• Pacto pela restauração da Mata Atlântica
• Índice FSC (Conselho Brasileiro de Manejo Florestal)
• Cerflor (Índice de Certificação Ambiental do Inmetro)
• Índice Down Jones de Sustentabilidade Global
• Índice de Sustentabilidade da Bolsa de Valores de São Paulo
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A companhia possui plantações de eucalipto, sua matéria prima, em áreas florestais que totalizam 875 mil hectares. Desse total, 323 mil hectares são utilizados para a conservação de ecossistemas nativos. Na Bahia, a Fibria tem ainda 50% de participação na empresa Veracel, produtora de uma fibra de celulose qualificada. No setor industrial, conta com cinco fábricas em quatro estados. A empresa também possui importantes índices de sustentabilidade e certificações ambientais.
Seu último balanço trimestral (o 1º de 2011) mostrou receita líquida de R$ 1,548 bilhão e lucro líquido de R$ 389 milhões, números em linha com a expectativa dos analistas. Para o balanço do segundo trimestre de 2011, que será divulgado no dia 27 de julho, o mercado aguarda uma retração na receita, cujo impacto deve ser limitado. “Como a Fibria vendeu as divisões de papel (Conpacel – Consórcio paulista de Papel e Celulose) para a Suzano, ela pode ter uma queda de receita nesse próximo balanço, mas nada que vá impactar no médio e longo prazo. Inclusive porque a celulose, na qual ela continua trabalhando, sempre foi maior geradora de capital do que o papel”, explica.
Dívida empresarial e reflexos da crise europeia – A Fibria carrega uma herança nada confortável da antiga Aracruz: uma dívida no patamar de R$ 10,3 milhões, conforme último balanço. Apesar de elevado, esse número já caiu 15% na passagem do terceiro trimestre de 2010 para o primeiro de 2011. Para diminuí-la e conquistar a confiança do mercado, a companhia vendeu os ativos da Conpacel e da KRS para a concorrente Suzano, liquidou empréstimos e vem trabalhando na redução de consumo de água e energia. Tais ações já surtiram efeito. A agência Fitch, após a venda dos ativos, elevou o rating da companhia para BB+/Estável.
Mas a empresa enfrenta ainda outros problemas, fruto do cenário em que vive o mercado de papel e celulose. De um lado, a crise da dívida europeia, com seus reflexos em vários continentes, pressiona o preço das commodities, afetando o mercado de celulose. O dólar barato também impacta a conta da empresa, já que implica em aumento dos custos de produção. A demanda por papel e celulose, segundo dados da empresa, segue estável. Góes alerta, no entanto, que o fato de a empresa ter nos países europeus tradicionais compradores faz com que, enquanto durar a recessão por lá, a empresa veja reflexos nas suas contas.
Ação barata é boa oportunidade de compra - Segundo Góes, o baixo preço dos ativos da Fibria a transformam em uma boa pechincha na Bolsa para quem comprar de olho no longo prazo. “A empresa tem ótimos fundamentos, é uma líder de mercado, consegue operar com boas margens e pode pagar bons dividendos”, diz.
A redução do endividamento promete possibilitar novos investimentos e ampliar as margens. “Não é uma empresa que vá crescer a níveis extraordinários, mas, com a resolução desses problemas atuais, ela deve reagir rápido e apresentar bons resultados para o mercado”, aponta. “O preço-alvo da companhia é R$ 32,00, o que reflete o bom espaço para crescer que ela tem. Com as ações na faixa dos R$ 19,00 como elas estão agora, o papel pode ser uma boa compra”, avalia.
Confira o comportamento das ações da Fibria nos últimos 12 meses:
