Se ontem o acordo firmado entre os líderes políticos gregos para salvar o país de um default animou os investidores, hoje a percepção de que a Grécia precisa cumprir ainda mais exigências para pagar suas dívidas trouxe a aversão ao risco de volta aos mercados. Influenciada pela cautela externa, a Bovespa operou durante todo o dia no campo negativo, encerrando em baixa de 2,34%, com 63.997 pontos e R$ 9,02 bilhões negociados. Além da influência estrangeira, também pesou sobre o índice a forte queda sofrida pelos papéis da Petrobras. O último balanço da estatal, divulgado ontem à noite, decepcionou os investidores ao apresentar um lucro líquido de R$ 5,049 bilhões no quarto trimestre de 2011, montante 52,38% menor do que o contabilizado no mesmo período de 2010. As ações preferenciais da empresa fecharam em baixa de 7,24%, e as ordinárias despencaram 8,28%. Na ponta oposta do pregão, o setor de energia liderava as altas com Eletrobras, Cesp e Cemig.
O acordo para o resgate da Grécia, firmado ontem pelos líderes do país, foi colocado em dúvida por autoridades da zona do euro, que apresentaram novas exigências para que o país receba a ajuda de 130 bilhões de euros que devem livrá-lo de um calote. Os ministros de Finanças do bloco decidiram que Atenas deve cortar mais 325 milhões de euros do seu orçamento de 2012, e que o pacote completo de cortes e reformas deve ser aprovado pelo Parlamento grego até a próxima reunião dos ministros europeus, marcada para quarta-feira. A exigência de se transformar o acordo em lei reflete a desconfiança do restante da Europa em relação à capacidade da Grécia de cumprir os compromissos firmados no pacto.
A prolongação do drama grego levou pessimismo a Wall Street, onde os investidores também trabalharam com complicadas referências internas. O déficit comercial dos EUA aumentou em dezembro pelo segundo mês consecutivo, subindo 3,7% com a soma de 48,8 bilhões de dólares. Enquanto isso, o índice de confiança do consumidor americano quebrou a sequência de cinco meses de aumento ao passar de 75,0 em janeiro para 72,5 na pesquisa preliminar de fevereiro. Com o clima negativo dentro e fora do país, os índices americanos ficaram no vermelho, e até as 18h10 do horário de Brasília o Dow Jones e o Nasdaq operavam em queda de 1,00% e 1,02%, respectivamente. No front europeu, o FTSE-100 da Bolsa de Londres fechou em baixa de 0,73%, o Dax de Frankfurt recuou 1,41% e o Cac-40 da Bolsa de Paris perdeu 1,51%.
Na agenda de indicadores brasileira, a inflação marcada pelo IBGE avançou 0,06 ponto percentual no último mês. O IPCA Amplo subiu 0,56% em janeiro, após alta de 0,50% em dezembro.