“As empresas que aderiram as boas práticas de Governança Corporativa obtiveram melhor desempenho do que as que não aderiram? Existe histórico destas empresas e de seu desempenho?” Dúvida de Elaine Cristina de Moura Leite
Entende-se por Governança Corporativa(G.C.) uma série de práticas que visam à transparência de negócios e ações de uma empresa. E esse é o objetivo de muitas das companhias que abrem capital na Bolsa. Isso porque, ao adotarem tais critérios, é como se elas obtivessem um “selo de qualidade”, que garante ainda mais segurança aos investidores. Petrobras, Vale, HSBC, Furnas, Sabesp, Telefônica, Tam Linhas Aéreas e Brasil Telecom são algumas das empresas que já adotaram as melhores práticas de Governança Corporativa.
Na Bovespa, além dos níveis 1,2 e Novo Mercado – que enquadram companhias com grau elevado de Governança -, há o chamado IGC (Índice de Governança Corporativa Diferenciada), que mede o desempenho de uma carteira teórica de ações de empresas que possuem bons níveis dessas práticas. No entanto, fazer parte desse índice não garante performance melhor do que a de empresas pertencentes a outros. Em 2009, por exemplo, IGC e Ibovespa tiveram resultado semelhante: alta de 83,4% e 83,6%, respectivamente. O motivo é que o sobe e desce das ações está relacionado ao comportamento do setor em que elas estão inseridas, ao panorama macroecônomico geral e a outros fatores em comum. Neste ano o caminho trilhado também parece ser o mesmo. Até o dia 14 de abril, o IGC acumula ganho de 3,95%, enquanto o Ibovespa sobe 3,57%.

Por que investir em companhias com alto nível de G.C.? O economista Estevão Garcia de Oliveira Alexandre, coordenador do curso de Gestão Financeira da Veris Faculdades, diz que as empresas que possuem algum nível de Governança Corporativa trazem “mais clareza e igualdade de direitos entre acionistas minoritários e majoritários, o que reflete confiança ao mercado”. Ele explica ainda que, em geral, há preferência por investimentos em ações dessas empresas, pois existe maior disponibilidade de informação sobre suas operações. “A empresa possui vantagens mercadológicas quando faz parte do IGC, isso porque quanto mais informações ela passa ao mercado, mais seguros os acionistas se sentem para investir nela. Isso é muito importante”, revela.
O economista José Guimarães Monforte, presidente do Conselho de Administração do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), lembra ainda que “as empresas com nível elevado no IGC asseguram respeito aos direitos dos acionistas minoritários e transparência nos atos e resultados da administração”. Isso significa vantagens para quem pretende investir nestas ações. “É mais ou menos como aplicar as economias num banco pouco conhecido e em outro que já tem um histórico de confiabilidade.”
Estevão Alexandre tem a mesma opinião de Monforte e completa dizendo que todas as empresas tendem a aderir às práticas de boa Governança Corporativa. “Principalmente depois de grandes crises, como vimos nos últimos anos, a tendência é termos mais adesões a essas práticas e regras mais rígidas futuramente”, finaliza.