“Com o nível de investimentos externos aumentando no Brasil, a Bolsa continuará sua tendência de alta? Qual é o limite?”, Paulo de Tarso Batista.
É verdade que 2009 foi um ano de crise mundial e que, por conta disso, a projeção para a entrada de recursos no Brasil não deve ultrapassar US$ 25 bilhões, mas, ainda assim, a expectativa, segundo relatório elaborado pela Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica), é que até 2011 o Brasil passe do 10º para o 4º lugar no ranking dos países que recebem investimento estrangeiro, e no caso específico da Bolsa de Valores, a entrada destes investimentos deve ser avaliada sob dois ângulos diferentes.
“Pode ser bastante positivo, afinal, é a lei da oferta e da procura. O aumento de investimentos estrangeiros em ações brasileiras beneficia quem investe nesses papéis”, explica Keyler Rocha, professor da FIA. No último mês de setembro, por exemplo, a participação dos investidores estrangeiros nas negociações da Bovespa foi de 32%. Em um cenário econômico positivo, de recuperação, como parece ser o atual, a entrada desses investimentos pode auxiliar na valorização das ações. Ou seja, quando você decide comprar uma ação, deve saber que ela pode já estar precificada um pouco além de seu real valor por conta dessa injeção “gringa” de dinheiro.
Por outro lado, haver um percentual considerável de investimento estrangeiro nas negociações da Bolsa pode não ser tão positivo no caso de cenários desfavoráveis, como em uma crise mundial. Isso porque o tipo de investimento estrangeiro que entra em Bolsa é considerado mais volátil, com uma natureza de curto prazo e bem mais suscetível às crises, afinal, pode ser retirado a qualquer momento. O contrário acontece com outros tipos de investimento estrangeiro de longo prazo, como em infraestrutura, por exemplo.
Para este ano, e levando em conta o cenário atual, o analista gráfico da WinTrade, Fernando Góes, acredita que o Índice Bovespa ficará entre 66 mil e 69 mil pontos. “Como o panorama é positivo, com juros baixos e países centrais mais fortes, se as commodities voltarem a subir, em um ano atingiremos até 100 mil pontos”, diz. Portanto, deve continuar, sim, a tendência de alta.