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27/08/2010 11h39
LATAM: A nova companhia aérea traz oportunidades aos investidores
Por: Marcel Teixeira
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A notícia da fusão entre as gigantes aéreas latino-americanas TAM e a chilena LAN agitou o mercado na última semana. No dia em que a transação foi anunciada, em 13 de agosto, o papel preferencial da companhia brasileira (TAMM4) subiu quase 30%. Após a divulgação, a agência de notas de crédito Fitch Ratings  colocou as notas de risco da TAM S/A em observação positiva. Com a integração haverá a criação da Latam Airlines Group, estimada para o segundo trimestre de 2011 e que terá sua sede no Chile. Vale conferir como os investidores ficam no meio deste processo!

“O anúncio já teve um impacto direto no papel, vale à pena os investidores ficarem com olhos abertos e até realizarem um pouco de lucro, pois foi pago um prêmio muito alto. As duas juntas passaram a ser um player muito interessante. O investidor não deve se preocupar com a troca das ações da TAM por BDRs da nova companhia, pois poderão comprar o ativo da LATAM na própria Bolsa. Como está sendo pago um bom valor, é interessante ficar atento para a possibilidade de vender a ação e recomprar (como BDR) por um preço melhor”, avalia o economista e analista de mercado, José Góes.

O maior negócio do setor, desde a fusão Gol/Varig em 2007, foi revelado em meio às repercussões sobre a divulgação do balanço referente ao segundo trimestre de 2010. A TAM registrou um aumento de 14,4% nas vendas no primeiro semestre, ficando com a quarta posição entre as companhias aéreas de capital aberto com maior crescimento de vendas nas Américas. Entretanto, a empresa teve um prejuízo de R$ 204,3 milhões no período.

“A TAM seguiu um caminho natural, até porque nesse tipo de negócio é preciso ganhar escala. Obviamente, isso acarretará no acirramento da concorrência no mercado interno. Com essa união, outras empresas do setor no Brasil terão que se mexer para não perder espaço. Isso pode gerar mais opções para o investidor do setor no futuro”, diz o especialista em fusões e aquisições, Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de negócios.

Com a fusão e o fechamento do capital da TAM, a Gol passa a ser, por enquanto, a única grande opção do setor na BM&FBOVESPA. “A Gol é a outra alternativa para os investidores do nicho. Esse negócio também pode abrir espaço para uma eventual fusão da Gol. Entretanto, é um setor um pouco complicado, com suas maiores empresas no mundo passando por certa dificuldade. Dependem de ativos muito caros (aviões) e outras questões como preço do combustível e variação cambial influenciam diretamente em seus resultados”, segundo José Góes.

A Gol é a grande concorrente da companhia brasileira no mercado nacional e única empresa do setor, além da própria TAM, a possuir capital aberto na Bolsa. Porém, o balanço em relação ao 2T10 da empresa não trouxe otimismo aos investidores. Apesar do bom desempenho nas vendas, a empresa teve um prejuízo de R$ 51,9 milhões, ante lucro de R$ 353,7 milhões no 2T09.

Troca de ações terá decisão dos minoritários

O negócio, que necessita passar pela aprovação da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), também dependerá da aceitação dos minoritários que detenham, no mínimo, 95% do capital votante da TAM.

Após a criação da empresa haverá uma oferta pública para troca de ações (OPA) da TAM por BDRs (Brazilian Depositary Receipts) da LATAM, que são certificados de ações da nova companhia emitidos por instituições financeiras brasileiras, permitindo que sejam negociadas sem a necessidade de se abrir uma conta no Chile. A nova holding terá suas ações negociadas na bolsa chilena, BDRs na BM&FBOVESPA e ADRs na Bolsa de Nova York.


Assim que o processo de transição dos papéis for concluído, o registro de companhia aberta da TAM será cancelado. “Algumas informações sobre essa mudança ainda faltam ser reveladas. Normalmente, as empresas dão as opções de venda conforme o preço de referência, que ainda está acima do valor do papel, ou a troca por BDRs, cujas negociações não serão feitas no mercado de balcão, mas sim na própria Bolsa, como é feito com as ações. Para investir na holding, os novos investidores terão que adquirir esses certificados. Basicamente, essa é a mudança para os acionistas”, explica o analista.

Para cada papel da TAM será emitido 0,9 BDR da nova empresa. Mesmo com a subida das ações da aérea brasileira desde o anúncio da fusão, o valor de referência do ativo da TAM para troca é de R$ 43,50, bem acima do valor atual da ação PN, cotada a R$ 34,21 no pregão do dia 26 de agosto.

“Os valores atuais dos papéis podem ser alterados, principalmente o da LAN, que deve ter seu endividamento aumentado após essa transação. Essa diferença entre os valores das ações da TAM e o preço de referência para troca tem alguma relação com a probabilidade desse acordo não dar certo, pelos impedimentos da lei brasileira”, constata José Góes.

Lei pode impedir fusão

A lei brasileira limita a participação de investidores estrangeiros em companhias aéreas em 20% do capital votante de companhias aéreas nacionais, portanto, 80% das ações com direito a voto da companhia brasileira continua sob controle da TAM. “Esse impedimento deve ser repensado. Até porque a situação inversa, com aquisições de empresas estrangeiras por brasileiras também é uma realidade. Essa lei não é algo negativo, pois existe para frear a saída de capital do País, mas é algo a ser discutido”, acredita Furtado.

A TAM, líder do setor nacional, à frente da Gol, com 43% dos passageiros transportados no Brasil, concentrará sua operação no País, com possibilidade de oferecer novos voos para países latino-americanos, enquanto a LAN ficará voltada para os mercados hispânicos. As empresas prevêem sinergias no valor de US$ 400 milhões de dólares por ano, que devem ser concretizadas em três anos. “Esse anúncio deve ser visto como algo positivo e pode agregar valor ao papel da empresa conforme essas previsões forem sendo cumpridas, pois será um procedimento rápido”, afirma o coordenador da Trevisan.

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