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10/11/2009 15h18
Lojas Americanas: "queremos sempre mais"
Por: Fernando Ladeira
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Ela pode ser uma das gratas surpresas da Bolsa nos próximos anos. A Lojas Americanas, que está entre as maiores empresas do varejo, planeja retomar no próximo ano o seu projeto de expansão, interrompido em 2008 por conta da crise. Recentemente, ela realizou importantes aquisições, consolidando posição de destaque em outros segmentos, como o comércio eletrônico. No período de um ano suas ações registraram ganhos de mais de 100%. “E há potencial para valorizar ainda mais”, diz André Saito, pesquisador e professor do laboratório de finanças da Fundação Instituto de Administração.

O início da empresa remonta ao ano de 1929, na cidade de Niterói, quando foi inaugurada a primeira loja. Porém, o crescimento da companhia ocorreu de forma mais consistente apenas nesta última década. Controlada indiretamente pelo megainvestidor Jorge Paulo Lemann, a empresa começou o século com menos de 100 lojas e hoje conta com 476 estabelecimentos. Com o lema interno “queremos sempre mais”, a empresa lançou no dia 6 de novembro o programa “Sempre Mais Brasil”, que deverá praticamente dobrar esse número até o final de 2013. Neste programa, a companhia irá expandir principalmente a participação nas regiões norte e nordeste. Em 2004, a companhia acelerou seu programa de expansão, e as ações acompanharam esse processo. Para se ter ideia, até 2003 suas ações não ultrapassavam os centavos! Desde então, seus papeis já atingiram R$ 20 em 2007 e, hoje, está cotada perto dos R$ 11.

Nesses últimos anos, a empresa criou nova identidade, expandindo suas operações em outros segmentos. Em 2005, realizou uma joint-venture com a Financeira Americanas Itaú, para ofertar crédito com cartão de marca própria. No ano seguinte, em 2006, a união entre a americanas.com e o submarino originou a B2W Varejo, uma das maiores empresas de comércio eletrônico do País, detentora de marcas como shoptime e ingresso.com. Em 2007, continuou a passos largos para expandir sua participação no setor de varejo, e adquiriu a BWU, marca detentora da Blockbuster no Brasil. Assim, as lojas da Blockbuster passam a dividir seu espaço com a Americanas Express, conceito de loja com tamanho reduzido e linha de produtos selecionados de acordo com o perfil do público da região. Para Ulysses Reis, coordenador do MBA de Varejo da FGV-RJ, a companhia está em um processo de mudança de estratégia. “As Lojas Americanas estão partindo para um formato de lojas de conveniência”, diz.

Dessas, o braço mais importante da companhia é a B2W – Companhia Global do Varejo. Ela, aliás, rendeu mais aos investidores que sua controladora. O lucro por ação atingiu R$ 0,32 nos primeiros noves meses deste ano, enquanto que a Lojas Americanas rendeu R$ 0,06. Já o lucro líquido consolidado foi de R$ 43,3 milhões. E esse número pode ser ainda maior. “A tendência é crescer mais, pois as vendas ainda são pequenas com relação ao potencial que ela tem. A atual expectativa de crescimento do comércio eletrônico é de 120% ao ano, enquanto que no varejo normal é de 5%”, afirma Reis. Apesar das ótimas perspectivas e resultados, suas ações acumulam queda de aproximadamente 40%, contando desde o lançamento na Bolsa em 2007. É importante observar também que ela, até o momento, acompanha de perto o desempenho dos papeis da Lojas Americanas. Considerando que a perspectiva dos analistas para a Lojas Americanas é de retomada, seria interessante também manter os olhos atentos na B2W.

Retrospecto – Até o último trimestre de 2007, quando passaram a fazer parte do Ibovespa, as ações da Lojas Americanas pareciam não ter limite para subir. Do início de 2005 ao final de 2007, elas valorizaram mais de 300%, enquanto o Ibovespa gerava retornos de 140%. Já no início do ano passado, iniciou um processo de queda, agravado pela crise financeira. Outras empresas do varejo, como Lojas Renner e Globex, mais conhecida como Ponto Frio, registraram variações semelhantes, em queda desde o início de 2008. Mesmo assim, a Lojas Americanas teve lucro líquido de pouco mais de R$ 110 milhões no ano passado.

Fim de ano – Agora, o setor está se aproximando de sua data mais importante. Muitos sabem que as festividades de final de ano alavancam as vendas do setor, mas poucos sabem o quanto isso realmente representa para a empresa. No ano passado, o desempenho da Lojas Americanas no quarto trimestre representou aproximadamente 95% do lucro líquido do ano inteiro! Em 2007, o valor foi de 73%. “O evento do Natal começa a partir da primeira parcela do 13º salário e vai até o dia 30 de dezembro. No varejo corresponde a algo em torno de 30% a 35% da receita anual”, afirma Reis. E as expectativas para esse final de 2009 são positivas. Principalmente se considerarmos o excelente resultado da companhia alcançado no terceiro trimestre. Ele foi quase 445% maior do que o do ano passado.
 

Atenção, investidor – Mas, afinal, no que o investidor deve estar atento para saber o que pode influenciar no desempenho da empresa? Como o setor é dependente do consumo, Saito explica que é importante analisar constantemente alguns indicadores como crédito, renda, nível de emprego e índices de confiança do consumidor. Esses dados, normalmente, indicam como o consumo irá se comportar.

O professor insiste, ainda, que o acionista tenha uma postura mais racional quanto aos seus investimentos. Assim, enfatiza que é importante não se desesperar, traçar um objetivo e avaliar se este está sendo alcançado ou não. Reis, por outro lado, faz uma última análise: “ela tem nome conhecido, a marca é forte, está passando por uma operação de mudança e, assim, tem grandes chances de se sobressair no mercado”, finaliza.

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