“Eu quero investir a longo prazo, mas também gosto muito de ler os gráficos e ver como o papel está indo no decorrer dos dias. Como posso melhorar meu desempenho juntando as duas análises - fundamentalista e gráfica? Devo continuar observando os gráficos e ter opinião de compra ou venda?”, enviada por Eduardo Feitosa.
Essa é uma questão que ronda as cabeças de muitos investidores. É verdade que as análises fundamentalista e gráfica são complementares e, juntas, podem ser excelentes ferramentas para auxiliá-lo na hora de investir. Entretanto, quando falamos em investimentos de longo prazo, a análise fundamentalista é indicada
“A análise fundamentalista é baseada em estudos como os dos resultados da empresa, cenário macroeconômico, entre outros fatores. Através dela podemos analisar as expectativas para a companhia. No longo prazo, esse tipo de análise é essencial para vislumbrar o futuro de uma empresa, uma vez que o estudo dos gráficos mede apenas o fluxo de compra e venda dos papéis”, afirma José Góes, economista e analista de mercado fundamentalista.
Apesar de ser mais indicada para investimentos de curto e médio prazo, a leitura dos gráficos não deve ser desconsiderada. “A análise gráfica funciona melhor para operações de curto prazo, o que não significa que ela não funcione para o longo prazo. Ela identifica os pontos de saída e de entrada de um determinado ativo. Para longo prazo ela vai fornecer uma definição de tendências. Após analisar os fundamentos de uma companhia, os gráficos podem mostrar o momento em que o papel estiver entrando em uma tendência de alta, dando a noção de melhor instante para entrar nesse ativo”, constata o analista gráfico responsável pelo site chrinvestor.com, Christian Cayre.
A indicação de uma análise fundamentalista bem elaborada para investimentos que buscam retorno em um maior espaço de tempo não significa que esses dois tipos de estudos sejam antagônicos. “A longo prazo você precisa ter uma ideia de que empresa está comprando. Juntar as duas análises para esse tipo de investimento é o ideal. Assim, você pode identificar um papel que tenha um preço atrativo em relação aos balanços e definir o ponto de entrada nesse ativo, com um bom ‘timing’”, esclarece Cayre.
Para o investidor consciente, que não dispensa boas análises para tornar-se acionista de uma empresa, é importante entender que ao comprar ações de uma determinada empresa, está se tornando sócio dela. Portanto, é interessante associar-se a companhias cujos fundamentos de seus negócios sejam conhecidos, além de claros e sólidos. A análise gráfica e, principalmente, a fundamentalista, são indispensáveis para o investidor de longo prazo ter noção de “onde está pisando”.