O mercado acionário, à primeira vista, parece um mundo sisudo, onde apenas empresas com ar bastante sério, de setores também muito sérios, podem tomar parte. Em geral, ao montar uma carteira de ações, olhamos de cara para setores essenciais na vida de qualquer cidadão e economia, como os siderúrgicos, petrolíferos, varejistas. Dizem, inclusive, que as primeiras ações negociadas no mundo, nos anos de 1600, foram as da Companhia Holandesa das Índias Orientais e, a partir daí, se seguiram várias outras do mesmo porte e importância.
Uma pesquisa ao longo da história pode mostrar, porém, que há empresas muito mais curiosas que são – ou foram - negociadas nas Bolsas de Valores de todo o mundo, revelando que a busca por lucro muitas vezes pode estar relacionada a coisas que nunca chegamos a olhar com cuidado. Também é verdade que nem sempre o lucro projetado por tais empresas realmente é alcançado, razão porque é necessário que o olhar do investidor seja ainda mais cuidadoso do que o normal em se tratando de companhias que parecem fugir do convencional.
“Existem empresas que parecem “estranhas”, mas que na verdade são apenas pequenos empreendimentos com gestão profissionalizada e transparência. Isto porque, lá fora, principalmente nas economias mais desenvolvidas, a Bolsa serve ao seu propósito básico: ser a principal e mais barata fonte de financiamento para um bom negócio”, explica o consultor financeiro e responsável pelo Dinheirama.com, Conrado Navarro. Ele acredita que na hora de levar em conta estas empresas para investir, é preciso atenção. “Ações “estranhas” podem ter pouca liquidez, o que significa pouco volume de negociação, ou seja, não é fácil se desfazer delas”, explica.
Vale lembrar que, aqui no Brasil, é muito difícil encontrar empresas que queiram captar menos de R$ 200 milhões abrindo capital. De acordo com Navarro, neste caso, as candidatas acabam se afogando nas exigências e o processo todo acaba não valendo a pena.
Para escolher empresas de menor porte ou pouco convencionais, Navarro acredita que o investidor deve levar em conta o histórico de gestão, investimentos e, principalmente, os indicadores financeiros da empresa. “É preciso que tenha potencial, não esteja tão endividada e, ao mesmo tempo, tenha estratégias de vendas e produtos interessantes”, explica ele, completando que uma estratégia mais segura seria pensar em uma carteira de forma a conter empresas que pagam bons dividendos e uma pequena parte em empresas de menor porte, mas com potencial.
O caso do Mustang Ranch, primeiro bordel legalizado dos Estados Unidos, é um exemplo que já foi tratado de muitas formas pela mídia. Nesta história, a empresa totalmente fora dos padrões sisudos da Bolsa abriu capital no início dos anos 90 e acabou sendo fechada pela Receita Federal após uma série de confusões.
Confira a seguir exemplos interessantes que podem ajudá-lo a investir de forma mais criativa ou a tomar cuidado redobrado antes de escolher onde aplicar seu dinheiro!