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19/12/2011 11h32
O incerto futuro da Usiminas
Por: Laura de Araújo
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A Usiminas deve fechar o ano de 2011 de forma atribulada. A oscilação do preço das commodities e o movimento do dólar pressionaram o mercado, comprometendo as vendas da siderúrgica e seu balanço do terceiro trimestre. Tudo isso se refletiu na Bolsa: as ações ordinárias da companhia (USIM3) acumulam queda de 16,2%* desde janeiro, enquanto os papéis preferenciais (USIM5) acumulam depreciação de 46,7%* no período. Mais um capítulo da vida da Usiminas começou no final de novembro, quando o grupo Ternium comprou as participações da Camargo Corrêa e da Votorantim, passando a responder por 43,3% do controle. E o que os acionistas podem esperar com a entrada da Ternium?

Capital Hermano no controle - Inicialmente, é preciso entender que a entrada da argentina Ternium encerra um cenário de especulação que se estendia há meses, criando insegurança. Durante este processo, entre as companhias que tiveram a siderúrgica no radar, estiveram até mesmo as brasileiras CSN e Gerdau. No final das contas, a Ternium ganhou a parada, pagando R$ 36 por cada ação ordinária dos antigos controladores. A operação totaliza R$ 5 bilhões e garante a posse de 27,7% do capital com direito a voto. Agora, o grupo de controle da siderúrgica brasileira será formado pela Nippon Steel, tradicional acionista que detém 46,1% da empresa, pela Ternium, com 43,3%, e pela Caixa dos Empregados da Usiminas, com 10,6%.

Para os pequenos, insatisfação

Ainda que alguns analistas considerem que a entrada da Ternium foi mais positiva para os minoritários do que uma eventual entrada da CSN, por exemplo, o fato é que ainda assim os pequenos não se mostraram muito satisfeitos; isto em razão da anulação da possibilidade de tag along na operação.

O tag along é um mecanismo de proteção a acionistas minoritários, que garante o direito de retirada da empresa caso o controle seja adquirido por um novo investidor.

No entanto, como a Nippon Steel continua tendo a participação majoritária da empresa, a Usiminas entendeu que não houve uma troca de comando, tornando desnecessário o tag along.

Os investidores que haviam comprado papéis da Usiminas na esperança de que a mesma oferta oferecida à Camargo Corrêa e ao Grupo Votorantim fosse estendida a todos os acionistas se decepcionaram e venderam suas posições, provocando uma nova queda no já castigado ativo.
A entrada da Ternium provocou reações diversas. Alguns analistas avaliam que a parceria com a Gerdau ou com a CSN traria mais sinergia ao negócio, além de representar oportunidades de integração das produções. Por outro lado, a compra pela empresa argentina pode ser encarada sob um viés positivo. “Vendo pelo lado do acionista minoritário, foi melhor do que ser comprada pela CSN, que provavelmente iria fechar o capital da empresa, já que não faria sentido manter as duas empresas com ações. Mas ainda é cedo para falar o que vai acontecer”, diz o analista de mercado Maurício Bastter. “A Usiminas já está nos principais mercados, mas agora tem a chance de ampliar a carteira de clientes, de ter mais troca de experiências com o comando da Ternium”, avalia Marcelo Cambria, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). De acordo com Wilson Brumer, presidente da Usiminas, foi aberto um caminho para a internacionalização da empresa. "A Ternium está muito focada na América Latina. Ela tem usinas no México e na Argentina e vários centros de serviço nos EUA. Podemos discutir muitas oportunidades de negócios", disse em entrevista à imprensa.

De qualquer forma, os analistas concordam que o término dos boatos relacionados ao controle da empresa oferece um respiro aos que estavam preocupados. “A empresa estava sujeita a muitos boatos e o fato de haver uma definição e ter se mantido a estrutura societária faz com que o mercado se sinta mais aliviado, já que isso é melhor do que a especulação”, afirma Cambria.

A economia não é de aço - Acabaram as dúvidas do mercado em relação ao futuro comando da companhia, mas ainda há outras questões nublando o horizonte da empresa. A crise na Zona do Euro e nos EUA balançou o volátil preço das commodities e representou uma diminuição na demanda global. Além disso, a forte valorização do real ante o dólar brecou as exportações do aço brasileiro. E mesmo a produção nacional, com a construção civil, a indústria e as obras para a Copa do Mundo, passou a ser mais abastecida pelo produto importado. De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2010 o Brasil importou 5,9 milhões de toneladas de aço, 17,9% da produção do País.

Apesar da desaceleração e da concorrência dos importados, para alguns a perspectiva para 2012 não é tão pessimista. André Johannpeter, presidente do Instituto Aço Brasil, relativiza os prognósticos para o próximo ano e aposta numa melhora de cenário. "Os dados mostram que vai crescer a demanda por aço, tanto nas vendas internas, quanto no consumo aparente. Existem previsões de crescimento de 3,5% do PIB do Brasil. No mundo, por volta de 4%. Nos Estados Unidos a previsão é de crescimento do PIB de 1,5% a 1,8% no ano que vem. Caracteriza muito mais uma desaceleração, do que uma crise como a que vivemos em 2008", afirmou Johannpeter à imprensa. Cambria, da FECAP, diz que o cenário deve ser mais estável. “Atualmente o mercado está em equilíbrio. Ele passou por um período de indefinição e menor produção. A crise fez com que as empresas revissem para baixo seus planos de produção. Mas, agora, vêm tempos melhores. E a Usiminas tem uma posição central nisso, já que é uma das principais da área no Brasil e no mundo”, destaca.

Dúvidas na Bolsa - O tamanho da empresa e a importância do seu produto contrastam com a sua performance recente na Bolsa de Valores, onde as quedas desde o início do ano são, em média, de 30%. Segundo Bastter, a desvalorização das ações é reflexo de maus resultados e especulação. “Os resultados da Usiminas pioraram em 2011. Ela vem tendo cada vez menos lucro, e depois disso fica uma volatilidade enorme, guiada por notícias, não por fatos, o que torna difícil avaliar qualquer coisa. A questão do aço ficou muito complicada por pressão da China, mas a Usiminas em si vem piorando há uns anos, desde 2008, e agora está com um lucro que é metade do apresentado no ano passado”, avalia o analista.

No último balanço trimestral, a siderúrgica reportou um lucro líquido de R$ 154 milhões, contra R$ 514 milhões do terceiro trimestre de 2010 (3T10), e obteve uma receita líquida de R$ 2,5 bilhões, 10,1% inferior à receita do 3T10. Esse desempenho é um dos principais fatores a pressionar a empresa e tornar o seu futuro difícil de prever. “Ela trabalha com um produto de necessidade absoluta, é normal que as commodities oscilem, e, se a necessidade continua, uma hora ajusta. Mas a empresa está com uma margem muito baixa e tem que ver de que forma vai resolver isso. A gente precisa ver os resultados aparecerem. Se houver uma reestruturação dentro da empresa e uma melhora nos preços, pode ser que a empresa melhore na Bolsa”, diz Bastter. Será que os hermanos – e a sorte – conseguirão levantar a Usiminas?

Confira o gráfico de desempenho da Usiminas em comparação com o Ibovespa no período de janeiro a dezembro de 2011 (até o dia 15):

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