Quando o empresário Eike Batista abriu o capital da sua companhia de petróleo e gás, em 2008, o mercado investiu sem medo. Um apetite que se traduziu em números: o IPO da OGX (OGXP3) foi o maior que a Bovespa já tinha visto até então, com R$ 6,7 bilhões captados com a venda de mais de cinco milhões de papéis. Mas o fato é que os investidores precisariam de paciência até conseguir enxergar os resultados concretos dessa aposta. Quase quatro anos depois, passados alguns adiamentos, eis que a empresa está pertinho de iniciar sua produção. E as expectativas estão a mil por hora! Apresentamos a seguir um panorama da situação, as perspectivas e os principais pontos que devem merecer sua atenção. Confira!
O X da questão – A expectativa dos investidores, e do mercado em geral, era a de que a OGX começasse a realizar suas operações ainda em 2011, o que gerou ansiedade. A demora foi justificada por diversos problemas legais, ambientais e operacionais enfrentados durante o período. A licença do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) autorizando a operação na Bacia de Campos, por exemplo, só foi obtida no último dia 2 de janeiro. Agora, o início das extrações no primeiro poço produtor, o OGX-26HP, foi confirmado para o dia 28 de janeiro. No total, a empresa conta com 35 blocos de exploração, sendo que 22 se localizam em área marítima. O campo de Waimea é o primeiro da lista para entrar em operação. Ele foi descoberto em 2009, e a plataforma a ser utilizada, a FPSO OSX-1, chegou ao Rio de Janeiro em outubro do ano passado.
Neste período de espera, são a segurança e a transparência do empreendedor Eike Batista as responsáveis por conter a ansiedade de quem investiu na empresa. “Apesar da espera, o fato de a OGX se comunicar bastante com o mercado joga a favor deles e gera uma confiança maior em torno da empresa”, analisa Marcelo Cambria, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado. Ainda assim, as cobranças prevalecem. “Embora o ceticismo seja de poucos agentes, ainda se está discutindo como essa demora pode impactar a companhia”, pondera Roberto Gonzáles, professor de Governança Corporativa da Trevisan Escola de Negócios. Além disso, a OGX ainda gera apreensões típicas de empresas pré-operacionais.
Paciência deve ser trabalhada - Para Cambria, a complexidade do tipo de operação da OGX é um dos motivos da demora. “Explorar plataformas marítimas é um negócio muito complexo, ainda havia a necessidade de obter a licença do IBAMA e o fato de continuar, paralelamente, a procura por mais poços, o que fez com que se perdesse um pouco o foco. Não é uma tarefa fácil e o investidor precisa levar isso em conta”, diz. No último comunicado sobre a questão, Eike Batista afirmou que o período de chuvas no Sudeste também obrigou a companhia a estender os prazos. O que, segundo ele, não deve ser algo de grande importância. "Num projeto que vai produzir petróleo por 28 anos, eu lhe pergunto: será que um mês ou quatro, cinco, seis semanas, faz diferença?", questionou o empresário.
Acontece que as expectativas e adiamentos são grandes responsáveis pela montanha russa que os investidores da OGX vivem na Bolsa. No último ano, as mudanças no cronograma, somadas ao cenário econômico mundial desfavorável, pesaram sobre as ações, que acumularam queda de 32%. Já neste início de ano a situação é outra. Em janeiro (até o dia 20), as ações acumulam alta de 13,85%. E, segundo o analista gráfico da WinTrade Igor Graminhani, a tendência de longo, médio e curto prazo é altista. Ele aponta como próximos suportes os valores R$ 14,03, R$ 13,40 e R$ 12,73. Já as resistências são: R$ 16,13, R$ 17,10 e R$ 18,16.
Em alta ou em baixa, o que é certo é que existe um consenso de mercado: as operações da OGX são confiáveis e, portanto, é preciso ter paciência! “Já existe uma crença tão grande no sucesso da operação que o mercado está adquirindo as ações. A empresa tem os poços perfurados, tem indicadores que fazem com que os fluxos de caixa futuros se mostrem interessantes. Deste ponto de vista voltado ao futuro, há certa tranquilidade dos investidores”, aponta Cambria.
Boas perspectivas X Temores - Com foco no futuro, Roberto Gonzáles afirma que o bom posicionamento da empresa no mercado é um dos fatores que mais contribui para gerar confiança. “Entre os pontos positivos da OGX podemos apontar os seus bons contratos, a parceria com outras empresas do grupo e a boa visão estratégica de negócio”, diz.
As parceiras da companhia estão dentro e fora do Brasil. A suíça Clariant vai fornecer o tratamento químico do petróleo e serviços nas plataformas, e a LLX, também do grupo EBX, deve fazer o transporte da produção até o Porto do Açu, que está em construção em São João da Barra (RJ). Já o óleo extraído durante o período de testes no campo de Waimea está vendido para a Shell. O contrato firmado entre as empresas prevê o fornecimento de 1,2 milhão de barris, divididos em dois lotes de 600 mil. O potencial líquido em toda a bacia de Campos é de 5,7 bilhões de barris – importante recordar, no entanto, que isso ainda não corresponde às reservas oficiais. Para que as reservas sejam declaradas ainda é necessário que se faça a declaração de comercialidade do produto.
Mas os riscos também se fazem presentes. O principal temor é de que a produção não atinja o patamar esperado, e que a qualidade do grupo de gestores indicados por Eike para comandar a petrolífera não esteja à altura do negócio. Além disso, o comportamento das commodities é volátil e pode por em risco grandes quantias de capital investido. “Há também o fato de a exploração em águas profundas não ser um negócio fácil”, destaca Roberto González.
Caso as projeções se concretizem, no entanto, o futuro dos investidores é promissor. Atualmente, a estimativa da OGX é de uma produção inicial média de 15 mil a 20 mil barris por dia. Cinco meses após o início do Teste de Longa Duração (TLD), a expectativa é que o volume aumente para entre 45 mil e 50 mil barris diários, com a ligação de mais dois poços produtores à plataforma. Existe ainda mais um motivo para torcer pela OGX: as ações da companhia têm um peso importante no Índice Bovespa – na carteira corrente, a participação é de 5,19%. Portanto, vale trabalhar a paciência e continuar de olho nos desdobramentos das operações.
Investindo em ideias
A solidez do Grupo EBX acende o interesse pelas ações da OGX, mas a realidade de outras empresas pré-operacionais está longe disso. Os pequenos investidores e aqueles de perfil conservador não costumam entrar em negócios que ainda não existem na prática, deixando esse nicho para o grupo que não tem medo de apostas arriscadas.
“Em toda pré-operacional você compra uma ideia, algo que ainda vai existir. Só investidores qualificados podem entrar em IPOs de empresas desse tipo, porque não há dados históricos para se guiar, o que exige um estudo profundo da área”, explica Roberto Gonzáles, professor de Governança Corporativa da Trevisan Escola de Negócios.
Sem uma história que mostre ao potencial investidor os motivos pelos quais a empresa merece investimento, os critérios para se entrar no negócio ficam mais difusos e especulativos. Fundamentos econômicos de cada ramo de atividade, feito por especialistas de mercado, análise de fatores macroeconômicos e fatores de competitividade devem ser analisados com cuidado, para avaliar se o negócio é ou não promissor.
Abyara Brokers, MMX, Brasil Agro e HRT fizeram seus IPOS antes de começarem a funcionar, mas, sem resultados consistentes e com perspectivas difíceis de serem apontadas, a maior parte do mercado se mantém longe desses papéis por cautela e a cotação despenca. “O investimento em empresas pré-operacionais apresenta maior risco. O analista fundamentalista tem dificuldades para avaliá-las. A metodologia do fluxo de caixa descontado é mais completa, mas como a geração de caixa ocorrerá em anos futuros, as estimativas são menos confiáveis”, explica o analista André Rocha em artigo publicado no Valor Econômico.