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18/06/2010 11h08
Oi: Quarta maior empresa de Telecom desperta interesse do mercado
Por: Marcel Teixeira
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A Oi (ex-Telemar) foi destaque dos principais noticiários nos últimos dias. Pautas não faltaram! Primeiro, a companhia se mostrou interessada em ter uma participação especial no Plano Nacional de Banda Larga, despertando a ira de seus concorrentes. Depois, a Portugal Telecom foi quem demonstrou interesse em ingressar em seu capital. Por fim, a novela de sua reestruturação societária com a Brasil Telecom ganhou mais um capítulo neste mês com a recusa dos minoritários à relação proposta para a troca de ações.

A recente decisão dos acionistas derrubou as ações da Oi na Bolsa, mas não o suficiente para apagar o bom desempenho alcançado em maio, quando três papéis da empresa, criada em 1998, figuraram entre as cinco maiores altas do Índice Bovespa. A ação ON (TNLP3) ficou em segundo lugar no Ibovespa, com uma valorização de 14,35%, seguida pelos papéis PN (TNLP4) e PNA (TMAR5), que subiram 13,45% e 11,61%, respectivamente. Neste mesmo período, o termômetro da Bolsa paulista acumulou uma queda de 6,6%, aos 63.046 pontos.

Aproveitamos o ótimo desempenho dos papéis da companhia no último mês e a possível oportunidade que surge agora com a queda para dar uma visão do que o investidor precisa saber e o que esperar da companhia que, com 62,2 milhões de usuários, ocupa a 4ª colocação no ranking do setor de Telecomunicações no Brasil. Veja!

Portugal Telecom e Oi

As recentes investidas da Telefónica para adquirir a parte da Portugal Telecom na Vivo levantaram uma nova possibilidade dentro do setor das Telecomunicações brasileiro: a entrada da empresa portuguesa no capital da Oi. Entretanto, esse acordo, que ainda não está em negociação, teria uma participação recíproca da empresa brasileira no capital da PT e estaria restrito a uma parcela minoritária, com a Oi podendo obter parte dos 10% que a Telefónica tem na companhia portuguesa.

“Na verdade, essa história é apenas especulação ainda. Primeiro, a Portugal Telecom precisa de uma definição sobre o caso de venda de sua parte da Vivo para a Telefónica. Ainda não há nada concreto, mas, caso essa transação se confirme, há uma possibilidade maior da empresa portuguesa entrar no capital da Oi, pois já demonstrou esse interesse”, afirma José Góes, economista e analista de mercado.

A entrada da PT no capital da Oi seria pela holding Telemar Participações, mas Góes não acredita que isso possa trazer grandes consequências para os papéis da companhia brasileira. “Isso não terá muito impacto nas ações da Oi. Caso a PT venha adquirir o controle da empresa, pode haver um efeito nos papéis ON, mas é um cenário pouco provável. Acredito que para a Oi, ter um sócio a mais não causará muito impacto. Seria mais um voto de uma empresa que conhece bem o setor e acho que seria positivo pelo fato de o controle da companhia brasileira não ser muito confiável”, diz o economista e analista.

Bom desempenho e altos dividendos

Os ótimos resultados divulgados no primeiro trimestre pela Oi foram os principais responsáveis pela alta dos ativos da empresa em maio, fato que também traz otimismo a José Góes sobre seu desempenho na Bolsa.  “Acredito que seja uma excelente oportunidade de compra. Do setor de Telecom, é a empresa que mais me agrada. É uma boa aposta de longo prazo, pois alia bom desempenho, altos dividendos e uma perspectiva de crescimento”, diz o economista e analista.

A Oi anunciou um lucro líquido de R$ 496 milhões no primeiro trimestre de 2010, o que representou um enorme avanço frente aos R$ 11 milhões registrados no mesmo período do ano passado, resultado do aumento na base de clientes e das sinergias com a Brasil Telecom. Os custos e despesas operacionais consolidados apresentaram redução de 7% em relação a 2009.  Além disso, em um ano, a companhia conquistou 4,6 milhões de novos clientes entre os serviços de telefonia fixa, telefonia móvel, banda larga e TV por assinatura.

Tamanho crescimento foi impulsionado, principalmente, pelo aumento das operações da companhia em São Paulo.  No primeiro trimestre, a Oi obteve 16,4% de participação na Grande São Paulo e 13% no Estado, com 5,7 milhões de assinantes. A meta da empresa é ter 25% de participação e entre 6,5 milhões e 7 milhões de clientes até o final deste ano nessa região.

 


Segundo Góes, outro fator que colabora com o bom desempenho das ações em um setor tão concorrido, são os altos dividendos pagos pela empresa. “É um setor que tem bastante concorrência e é até complicado vislumbrar crescimentos muito grandes. Em contrapartida, a Oi paga dividendos muito altos e não há perspectiva, pelo menos no curto prazo, de que essa política mude. Para o investidor que pretende lucrar com dividendos o papel tem um preço muito atrativo”, constata o analista.

A diminuição em seu endividamento é outro quesito positivo do desempenho da empresa do setor das Telecomunicações.  A dívida líquida da companhia no final de maio era de R$ 21,27 milhões, o que representa 2,1 vezes o Ebtida no final do primeiro trimestre, contra 2,2 vezes ao final de 2009.

Bons resultados, mas com um controle conturbado

Na opinião de José Góes, os controladores da empresa são o seu ponto fraco. A questão sobre a incorporação das ações da Brasil Telecom, prevista desde 2008, quando foi anunciada a compra da empresa pela Oi, exemplifica a desconfiança dos investidores a respeito do controle da companhia.

Com o intuito de brigar pelas primeiras posições do setor de Telefonia nacional, a Oi investiu R$ 11 bilhões e adquiriu, em abril de 2008, 49% da Brasil Telecom (BrT), que hoje vale cerca de R$ 7 bilhões (100% do capital na Bolsa). No último dia 16, os acionistas minoritários da BrT rejeitaram a troca de ações da empresa pelos papéis do grupo Oi. Essa era a última etapa do processo de reorganização societária e tinha como objetivo acelerar a integração dos negócios, os ganhos de sinergia e a redução da dívida.

A incorporação das ações seria uma forma de a empresa fazer um preço médio mais baixo pelo ativo, diluindo o elevado custo de aquisição de controle, fato que desperta insatisfação dos minoritários. “Nessa nova relação de troca, a Oi está oferecendo um preço abaixo do mercado para os acionistas que, nitidamente, não estão satisfeitos com isso. Essa situação revela, mais uma vez, a falta de confiabilidade de seus controladores”, constata Góes.

O laudo para a nova relação de troca, feito pelo Credit Suisse, desagrada os investidores, pois parte do princípio de que as provisões eram conhecidas em abril de 2008, desta forma, apenas o valor da BrT foi reduzido na avaliação. Com mais uma recusa dos minoritários, a única saída será uma nova avaliação de preço, desgastando ainda mais a relação investidor x controlador.

Em maio, o papel ON da Brasil Telecom (BRTO3) obteve uma alta de 11,13%, enquanto a ação PN (BRTO4) subiu 6,54%.

Plano Nacional de Banda Larga

Rogério Santana, presidente da Telebrás, holding estatal responsável por gerir a infraestrutura de rede do Plano Nacional de Banda Larga, disse recentemente que a Oi será uma parceira especial nesse processo, devido à abrangência de sua rede. Porém, a empresa acredita que é cedo para definir o papel da operadora dentro do PNBL.  Entre as incertezas da empresa estão o preço de acesso ao usuário, o modelo de uso das redes das operadoras privadas e a participação da Telebrás no fornecimento de serviços para o Governo.

A banda larga figura entre as prioridades da Oi para 2010, com 42% dos investimentos de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões previstos pela empresa para este ano.  Segundo o presidente da operadora, Luiz Eduardo Falco, se a parceria com a Telebrás se confirmar e tiver o devido planejamento, a Oi teria condições de dobrar a capacidade de instalação de novos pontos de banda larga para até três milhões de acesso por ano.

 

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