As previsões para 2012 sobre a economia mundial estão cercadas de dúvidas. A crise europeia segue alimentando o mercado de incertezas e está bem longe de ser resolvida. Já no Brasil, as expectativas continuam positivas, mas um agravamento do cenário internacional pode atrapalhar os planos por aqui. O fato é que a Bolsa de Valores deve chamar mais atenção neste ano com o aumento da renda e a eminente queda da taxa básica de juros, sinalizada em janeiro pelo Banco Central. A inflação, claro, não pode ser descartada. Analistas preveem que ela deve dar uma trégua a partir do segundo semestre.
Diante de tantas projeções destoantes e não tão certeiras, é sempre importante lembrar-se da velha máxima na hora de investir: nunca coloque os ovos na mesma cesta, ou seja, diversifique! E uma opção de baixíssimo risco e bom rendimento são os títulos públicos, uma das principais apostas dos brasileiros em meio às turbulências de 2011 e prováveis promessas para 2012. Confira, agora, informações valiosas para quem gostaria de dedicar parte da carteira de investimentos a esta alternativa.
Busca tem aumentado - A busca por papéis do Tesouro Nacional aumentou 58,3% no ano passado e contabilizou o aporte de mais de R$ 3,5 bilhões – melhor desempenho dos últimos oito anos. No total, são R$ 7,5 bilhões em títulos nas mãos de pequenos investidores. Além disso, o número bruto de pessoas que se cadastraram no Tesouro Direto (sistema que permite a compra e venda de títulos públicos do governo pela internet) subiu 28,8% em 2011, contabilizando 276.373 investidores.
O universo de títulos compreende papéis prefixados, que indicam quanto o ativo irá render até a data de seu vencimento, e pós-fixados, cujo rendimento está atrelado a algum indicador econômico. O papel mais vendido do ano foi a LTN, que é prefixada e correspondeu sozinha a 31,1% das aquisições. Se forem divididos por categorias, porém, os títulos mais procurados foram os indexados ao IPCA - principal indicador de inflação - (NTN-B e NTN-B Principal), que registraram 51,1% da procura, enquanto o total de prefixados (LTN e NTN-F) representou 36,4%.
De acordo com o doutor em Economia e professor do Ibmec do Distrito Federal, José Ricardo da Costa e Silva, a compra de títulos indexados ao IPCA foi a forma que o investidor encontrou para se proteger da incerteza. “Foi um ano muito barulhento. O Banco Central mudou a estratégia de atuação, ainda tinha o reflexo do excesso de demanda dos últimos trimestres de 2010. Esse cenário sumiu. Agora ele é muito mais favorável”, indica o especialista. Ele acredita que em 2012 as pessoas devem se voltar novamente para títulos prefixados, já que a tendência é de queda na taxa de juros. À medida que os juros caem, portanto, o preço do título sobe, e lá na frente o investidor sai ganhando se quiser vender o papel.
Por outro lado, os títulos pós-fixados não devem ser completamente descartados. De acordo com Costa e Silva, se o investidor mantiver o papel até seu vencimento, sem negociá-lo antes, não perderá dinheiro – muito pelo contrário, nesse caso a aplicação se torna uma boa pedida. “Mas se for vender no meio do caminho vai sair perdendo, porque o título que tem vai estar com valor menor. Para manter até o vencimento, é um bom investimento”, aponta Costa e Silva.
2012 de mudanças – Neste ano de 2012, a intenção do governo é incentivar ainda mais a popularização do Tesouro Direto entre os brasileiros e comemorar os dez anos do programa, por isso uma série de medidas devem tornar ainda mais fácil ao pequeno investidor a aplicação do dinheiro em títulos da dívida pública. A partir do segundo semestre do ano, por exemplo, a aplicação inicial necessária será reduzida dos atuais R$ 100 para R$ 30. Isso porque a fração que é possível comprar de um título (de 0,2) diminuirá – contando que o valor total de cada papel nunca é menor do que R$ 500. O valor máximo de investimento também sofrerá mudanças e será alterado dos atuais R$ 400 mil para R$ 1 milhão. Será possível ainda programar compras e vendas e reaplicar automaticamente o lucro dos juros na época do vencimento do papel, seja no mesmo título ou em outro de diferente tipo e vencimento.
Costa e Silva acredita que a busca por uma maior popularização do Tesouro Direto pode ser uma tentativa de incorporar as classes C e D no mercado de títulos. Assim, níveis mais baixos de renda serão integrados e passarão a ser parceiros do Governo, o que é bom para a União e incentiva a criação de uma poupança nacional. “No passado, se resumia à caderneta de poupança. Assim se cria uma oportunidade de diversificação”, assinala o professor. Conforme informações divulgadas pela imprensa no final de janeiro, as novas medidas devem entrar em vigor em junho. Mais um motivo para acreditar que os títulos são uma boa aposta para 2012.
A seguir, saiba mais sobre os cinco tipos de títulos que o Tesouro Direto disponibiliza para a venda e veja qual deles se adapta melhor ao seu perfil:

LTN (Letras do Tesouro Nacional)
Se o investidor mantiver o título até o vencimento, sabe exatamente quanto terá de retorno com esse investimento; mas se vender antes da data, corre o risco de ter uma rentabilidade menor (ou maior) do que o acordo inicial. Possui fluxo simples, com aplicação e resgate, e maior disponibilidade de vencimentos para negociação no Tesouro Direto. A desvantagem é que o rendimento é nominal e quem possui LTNs pode ver seu poder aquisitivo diminuir com a alta da inflação.
PERFIL: menos conservador. Indicado para quem acredita que a taxa prefixada vai ser maior do que a Selic.
NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F)
Assim como o LTN, o valor que será recebido na data de vencimento já é de conhecimento prévio do investidor. A diferença é que até esse dia, o título vai rendendo cupons semestrais de juros (a uma taxa pré-definida), que podem aumentar a liquidez e levar a reinvestimento. Possui as mesmas desvantagens que o LTN (risco de perda no valor do investimento com a venda antes do vencimento e menor poder aquisitivo se houver alta de inflação e juros).
PERFIL: menos conservador. Indicado para quem acredita que a taxa prefixada vai ser maior do que a Selic.

NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – Série B)
O investimento fica protegido da alta da inflação, já que esse título é indexado ao IPCA, e a cada semestre são liberados cupons de juros para reinvestimento. Traz rentabilidade real, mas tem como ponto negativo o fato de que o título flutua devido à expectativa de inflação. Se o papel for vendido antes do vencimento, também pode haver prejuízo.
PERFIL: conservador. Indicado para quem quer um fluxo de rendimentos periódico, com os cupons semestrais, e busca criar uma poupança de médio ou longo prazo (aposentadoria ou compra de imóvel, por exemplo).
NTN-B Principal
Assim como o NTN-B, permite que o dinheiro seja protegido da inflação por ter indexação ao IPCA e traz rentabilidade real. O preço do título também varia com a expectativa de inflação, mas ao contrário do NTN-B não paga juros semestrais. O investidor se poupa do trabalho de reinvestimento e dos custos de negociação.
PERFIL: conservador. Indicado para quem quer criar uma poupança de médio ou longo prazo.
LTF (Letras Financeiras do Tesouro)
Possui fluxo simples, com uma aplicação e um resgate (sem rendimento de juros), e a rentabilidade da taxa básica de juros, a Selic. Esse papel também flutua com a expectativa dos juros.
PERFIL: mais conservador.