Das cerca de 500 empresas brasileiras de capital aberto que atuam na BM&FBovespa, apenas 100 tem suas ações negociadas com frequência no mercado de capitais – atingindo um grande fluxo de compra e venda. Se considerarmos que o Brasil é visto como uma das nações mais empreendedoras do globo, tanto o número de companhias com capital aberto quanto o de companhias mais “líquidas” parecem pequenos. A razão disso pode estar em vários fatores: de um lado, dificuldades e entraves à abertura de capital, principalmente em relação às pequenas e médias empresas; de outro, a pouca necessidade de ter ações negociadas na Bolsa. Se você quer saber um pouco mais sobre o assunto, entenda abaixo por que as companhias abrem capital e que dificuldades elas enfrentam nesse processo.
Leque de benefícios – Quando uma empresa passa a negociar seus papéis na Bolsa de Valores, seu objetivo é obter recursos para investir no próprio crescimento e tornar-se mais competitiva. “Além disso, uma companhia de capital aberto, que atenda às regras da CVM [Comissão de Valores Mobiliários], é vista de uma maneira diferente das demais empresas que não têm capital aberto. De certa forma, sua marca está registrada nos boletins e noticiários que saem a cada momento sobre o mercado acionário”, explica o educador financeiro da MoneyFit Antonio De Julio. Ainda como vantagens, os especialistas citam o aumento da possibilidade de novas aquisições, a diversificação de proprietários e um maior prestígio pessoal e corporativo.
Além disso, quando uma companhia faz uma oferta pública de suas ações ela ajuda a gerar empregos. “Um país com boas empresas, que sejam sólidas, é um país sólido. A Bolsa de Valores é o ‘pulmão financeiro’ de um país”, explica De Julio. No modelo capitalista, as maiores economias têm suas principais empresas na Bolsa. Segundo o consultor financeiro Mauro Calil, este mecanismo permite dispersar riqueza entre a população. “Indivíduos e famílias passam a crescer financeiramente com o crescimento econômico da nação e das empresas à medida que acumulam patrimônio baseado em ações. É um ciclo virtuoso no qual todos ganham”, acrescenta.
Dificuldades nada pequenas – Os resultados de se tornar uma sociedade anônima podem ser positivos para a empresa, mas o caminho até chegar ao mercado de capitais é cheio de obstáculos. De acordo com o doutor em finanças Ricardo Bordeaux, um dos principais entraves à atuação das companhias na Bolsa de Valores é o custo para abrir capital. “Somente as maiores empresas vão à Bolsa porque os custos da abertura de capital são elevados, inviabilizando emissões pequenas”, explica. Para ele, os valores a pagar são mais onerosos no Brasil devido ao reduzido número de investidores no País.
Antonio De Julio, da MoneyFit, explica que existem outras Bolsas ao redor do mundo, como no Canadá e na Inglaterra, que oferecem caminhos alternativos para pequenas e médias empresas – as que costumam sofrer mais com problemas de falta de dinheiro. “Nesses países, devido às baixas taxas de juros, a cultura do investimento é muito maior. Por isso, praticamente todas as empresas vão buscar recursos para crescer nas Bolsas de Valores”, afirma o consultor. Outros fatores que dificultam a abertura das pequenas companhias são a burocracia e o desconhecimento acerca dos benefícios da capitalização via mercado acionário ou títulos de dívida privada. “À medida que cresce a necessidade de capital e também o conhecimento dos controladores e executivos sobre formas melhores de captação, aumenta a possibilidade e interesse na abertura de capital”, opina Calil.
É bom lembrar que empresas menores e em expansão podem não necessitar de capital externo para financiar seu crescimento. Há ainda aquelas que têm facilidade em conseguir financiamentos de custo baixo, e que por esse motivo não vêem tantas vantagens no mercado de capitais. Nesse perfil se encaixa quem tem acesso a linhas de crédito a juros reduzidos, como as do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outro caso são as multinacionais, por exemplo, que conseguem captar recursos lá fora e acabam desestimulando o lançamento de ações na Bolsa brasileira.
Incluindo pequenas e médias – Em 2005, a BM&FBovespa criou o Bovespa Mais, um segmento especial de listagem que possibilita às companhias obterem reconhecimento e despertarem o interesse dos investidores. Segundo De Julio, essa é uma boa iniciativa que visa atender às médias e pequenas empresas que ainda não possuem condições de cumprir as rígidas exigências do mercado. De acordo com Bordeaux, a abertura de capital de companhias menores é desejável e está em estudo pela CVM. “Acredito que se chegará a uma fórmula que combine segurança com liquidez para as pequenas empresas”, conclui.
01- Contratar uma auditoria.

A companhia interessada deve ter seus três últimos balanços anuais auditados por uma empresa externa de primeira linha.
02- Implantar a governança.

É preciso aderir às práticas de governança corporativa, importantes para se relacionar de forma transparente com os investidores.
03- Escolher os parceiros.

Advogados devem dar assessoria nos aspectos legais e um banco de investimentos precisa conduzir o processo de abertura, além de fazer contatos com potenciais investidores.
04- Criar a área de RI.

O departamento de Relações com Investidores é o responsável por fazer a comunicação da companhia com os acionistas e o mercado.
05- Elaborar o prospecto.

A publicação contém todos os dados da empresa: números, resultados, história e planos.
06- Obter os registros.

O registro de empresa aberta da CVM prevê a entrega de vários documentos, que devem ser levados à Bolsa depois que o pedido for aprovado.
07- Anunciar a abertura.

Após conseguir o registro, a empresa fixa o preço da ação e publica anúncios da abertura de seu capital em veículos de circulação nacional.
08- Fazer road shows.

A companhia promove encontros com potenciais investidores dos principais centros financeiros para explicar por que vale a pena comprar seus papéis.
09- Marcar a data de abertura.

Depois de encerrado o prazo das reservas de ações, é preciso publicar anúncios nos jornais nacionais, informando a data da abertura.