O Brasil esteve em evidência durante o ano de 2009, como nunca esteve antes. A afirmação pode até parecer um plágio do conhecido discurso do presidente Lula, mas não se trata de conversa eleitoreira! O País foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O resultado não poderia ser outro! Os olhos de grandes potências estão voltados para cá! E entre os vários setores que se beneficiam deste cenário está o turismo, que, por consequência, estimula outros diversos segmentos da economia e empresas listadas na Bolsa, como você verá a seguir.
Pesquisa feita em setembro pelo Ministério do Turismo aponta que por volta de 84% dos brasileiros desejam viajar pelo Brasil nos próximos seis meses. Esse percentual era de 75% no ano passado. Mas não somos apenas nós que queremos andar pelo País. Conforme pesquisa da Infraero, o número de desembarques de estrangeiros por aqui supera os cinco milhões, resultado pouco inferior a 2008, já que os “gringos” não tiveram assim tanta verba para sair por aí a passeio.
Estudos do IBGE apontam que o turismo representa em torno de 3% a 5% do PIB nacional. E para Conrado Navarro, educador financeiro, esse percentual pode crescer ainda mais, devido a novos aportes de dinheiro. “Isso significa investimento maior em cultura, além, claro, de aspectos relacionados diretamente ao turismo, como infraestrutura, por exemplo”.
No curto prazo, as viagens de final de ano devem ser influenciadas em especial pelos, aproximadamente, R$ 85 bilhões que o 13º salário injetará na economia, valor 8% maior que no ano anterior. “Algumas entidades ligadas ao comércio esperam um final de ano 15% melhor que o do ano passado. Um Natal muito longe da crise, ao que parece”, afirma Navarro. Ele explica que o impacto mais forte deste período do ano pode ser sentido pelas empresas de turismo, redes de varejo e companhias aéreas. Mas o especialista avisa que tais expectativas podem já estar precificadas no mercado. Portanto, de nada adianta investir apenas na época em que as vendas das empresas aumentam. O investimento no longo prazo é muito mais seguro.
Assim, tendo em vista um horizonte maior, Navarro diz que com a melhora da renda e uma economia mais estável, o setor de infraestrutura, de um modo geral, irá se destacar nos próximos anos. “O movimento é semelhante ao que já ocorreu em outras economias, como o Chile ou México. Setores de varejo e também commodities continuarão sendo boas apostas, porque trabalham muito com a demanda interna, que vem se aquecendo”. Dessa forma, para o longo prazo, Navarro lista os setores que serão mais beneficiados com o turismo. “Por razões de maior fluxo de visitantes e giro nas cidades, acredito que os grandes beneficiados serão os setores de locação de veículos, construção civil, comércio e varejo, transportes aéreos e siderurgia”.
Confira, agora, os setores que devem se beneficiar com o turismo no curto e no longo prazo.
Hotéis – É um dos setores que mais dependem do turismo. Entretanto, em Bolsa, a rede hoteleira não possui participação considerável, com destaque para Hotéis Othon (HOOT4) e Invest Tur (IVTT3). Especialmente no curtíssimo prazo o impacto que o turismo tem sobre este segmento é mais relevante, por conta das sazonalidades (férias de meio e de fim de ano, além dos feriados). Para exemplificar, podemos acompanhar a situação das ações de Hotéis Othon, que, durante este ano todo permaneceram entre R$ 0,20 e R$ 0,30 e, logo que outubro iniciou, registraram alta de mais de 70% em apenas um dia para se manter, desde então, por volta dos R$ 0,60. Vale destacar que essas ações não fazem parte do Ibovespa e possuem baixíssima liquidez, já que são pouco negociadas. Assim, seu preço pode ser alterado por pequenas operações de compra e venda.
Construção civil – Este é o setor que mais se destacou no ano e tem tudo para continuar a crescer nos próximos. Apenas na carteira do Ibovespa, figuram três empresas do setor: Gafisa, Rossi Residencial e Cyrela. Esta última anunciou, alguns dias atrás, que planeja dobrar de tamanho até 2012. E, com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos se aproximando, esse setor necessitará de muito investimento.
Varejo – O setor do varejo talvez seja o mais impactado pelo final de ano. Impulsionado principalmente pelas vendas de Natal e pelas viagens, os últimos três meses são os mais importantes para essas lojas, que registram lucro muito mais elevado que nos trimestres anteriores. Entre as empresas do setor, destacam-se a Lojas Americanas, a Lojas Renner e o Grupo Pão de Açúcar.
Transporte aéreo – Na Bolsa há apenas duas grandes empresas do setor, a GOL e a TAM. Elas foram, neste ano, consideradas as companhias aéreas mais lucrativas da América Latina e dos EUA até o final do terceiro trimestre, segundo dados da Economática. E um novo player deve entrar para o grupo. A Azul anunciou que deverá captar recursos na Bolsa já em 2010.
Quanto às viagens de final de ano, o impacto é visível nestas empresas. Apesar de apenas 40% dos passageiros viajarem a lazer, eles são importantes para aumentar consideravelmente a demanda no final de ano e no início do ano seguinte, quando o carnaval se aproxima. A GOL, inclusive, alega oferecer tarifas competitivas com os ônibus interestaduais. “Muita gente ainda viaja de ônibus por desconhecimento ou se impõe alguma barreira. A questão é cultural”, disse Constantino de Oliveira Júnior, presidente da GOL. O objetivo da companhia, no entanto, é investir ainda mais nos passageiros a negócios, pretendendo elevar o percentual para 65%.
Para a Copa do Mundo, as Companhias ainda não apresentaram uma estratégia definida. Porém, elas deverão adotar como alternativa o fretamento de aeronaves e parcerias. Além disso, os aeroportos terão que se adequar ao grande fluxo de passageiros. Para isso, a Infraero prevê investimentos de R$ 4,7 bilhões em 15 aeroportos da Copa.
Siderurgia – E, indiretamente, um dos setores que mais se beneficiam, no longo prazo, é a siderurgia. Isso porque ela fornece o aço, matéria-prima necessária para as obras de infraestrutura. Bastante afetado pela crise, o segmento já deve se recuperar no próximo ano. Segundo estimativa do Instituto Aço Brasil, a produção de aço bruto em 2010 deve crescer mais de 24%. Atualmente, três companhias do setor compõem o Ibovespa: Gerdau, Usiminas e CSN.