O grupo de países emergentes que formam os BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – vem, nos últimos anos, chamando a atenção do mercado pela forte expansão das suas economias. E, em breve, eles terão mais coisas em comum do que o ritmo de crescimento: suas Bolsas de Valores estarão mais integradas, conforme anúncio feito na última reunião anual da World Federation of Exchanges (WFE), em Johasnesburgo, no mês de outubro. E o que isso significa?
A parceria consistirá na listagem cruzada de derivativos (como contratos negociados no mercado futuro). Esse é o primeiro passo para a aproximação dos mercados que movimentam 422 bilhões de dólares diariamente, agrupam 981 mil companhias e são responsáveis por mais de 18% do volume de contratos de derivativos negociados em todo o mundo. “Investidores globais estão cada vez mais procurando acesso aos maiores mercados em desenvolvimento”, afirmou Ronald Arculli, presidente da Hong Kong Stock Exchange e da WFE.
A crescente importância dos BRICS também justifica a empreitada. “A aliança permite que mais investidores ganhem acesso ao bloco dos BRICS, com seu crescente poder econômico. Do ponto de vista global, esta aliança aponta para a importância das economias e mercados financeiros dos BRICS na próxima década e ressalta a necessidade do relacionamento entre os países”, disse Arculli. Naturalmente que nenhum processo acontece de uma hora para outra e, na prática, os investidores terão que ter um pouco de paciência até que possam colocar a mão na massa de fato.
Listagem cruzada - A primeira etapa da aliança entre as Bolsas dos BRICS, a listagem cruzada dos derivativos dos seus índices, deve ser implementada até junho de 2012. As próximas etapas da parceria ainda não foram definidas, mas devem envolver a criação de novos mecanismos para a ampliação da listagem cruzada entre as Bolsas. Para a segunda fase está previsto o acesso pleno às empresas de capital aberto. “Depois disso, acontecerá a listagem cruzada destes produtos e sua negociação em moeda local”, disse Edemir Pinto, diretor presidente da BM&FBOVESPA. A terceira fase pode incluir o desenvolvimento de produtos e a cooperação com mais tipos de serviços.
Ampliação de investimentos - A reação do mercado à parceria foi positiva. A aproximação da Bovespa com mercados do mesmo perfil deve aumentar o volume de investimentos na Bolsa brasileira e tornar o País mais visível para os pequenos e médios investidores estrangeiros. “O acordo permite que esses papéis sejam negociados em outras Bolsas, havendo um intercâmbio de ativos entre diferentes mercados e facilitando o fluxo de investimentos. É positivo porque amplia a negociação de títulos e abre mais mercados para os produtos que são negociados aqui, o que também vai beneficiar as empresas nacionais”, analisa Alcides Leite, professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios.
Esse caminho será facilitado em mão dupla, já que o investidor brasileiro também passará a ter acesso a outras praças em expansão. “Além de ser uma importante medida de internacionalização da Bolsa de São Paulo, isso também vai beneficiar o investidor, que poderá diversificar ainda mais seus investimentos”, acredita o professor.