O lucro líquido da Petrobras passou de R$ 8.295 milhões no segundo trimestre deste ano para R$ 8.566 milhões nos três meses subsequentes. Essa melhora se deu em função do resultado financeiro positivo, decorrente do impacto da valorização do real em seu endividamento.
Infelizmente, apesar do aumento da demanda interna, a petrolífera continua com dificuldade de aumentar consistentemente seu lucro operacional. Embora tenha apresentado recordes na venda de gás natural e na geração de energia termelétrica, a estatal amargou queda de 1% na produção total, comparando com o segundo trimestre de 2010. Paradas para manutenção nas plataformas P-33 e P-35 foram motivos para tal redução.
No trimestre, a blue chip ainda amargou algumas despesas não recorrentes com destaque para: o fim do projeto Barracuda – Caratinga, o dissídio coletivo concedido aos trabalhadores e o incentivo aos funcionários para compra de ações na oferta. Juntos, esses fatores impactaram as despesas operacionais em mais de R$ 1,2 bilhões. A consequência do quadro não poderia ser outra, houve uma redução de 13% em seu resultado operacional no período.
A Petrobrás investiu R$ 8.566 milhões terceiro trimestre, enfatizando a área de abastecimento e com foco na melhoria da qualidade da produção e na expansão da capacidade de refino.
A empresa também anunciou que arrecadou R$ 120.249 milhões na maior oferta de ações da história, dos quais R$ 74.800 milhões foram destinados à cessão onerosa, R$ 40.300 milhões entraram como disponibilidades no balanço da empresa e R$ 5.200 milhões (referentes ao GreenShoe) só impactarão o caixa no quarto trimestre. A oferta tornou a empresa menos alavancada, reduzindo a relação entre o endividamento líquido e a capitalização líquida, de 34% para 16%, e o quociente dívida líquida/ Ebitda, de 1,52 vezes para 0,94 vezes.
Em suma, o resultado da Petrobras deixou a desejar no terceiro trimestre, mas as expectativas permanecem promissoras. Já no ano que vem, a produção de Tupi deve alcançar a marca de 50.000 barris por dia. As novas descobertas de petróleo leve em águas ultra-profundas na bacia de Sergipe também poderão ser exploradas no futuro, principalmente depois do sucesso da megacapitalização da estatal, que tornou o nível de endividamento mais condizente com a necessidade de investimento para os próximos anos. Por último, cabe destacar que alguns fatos não recorrentes, que acabaram impactando negativamente a performance da estatal de julho a setembro deste ano, não deverão se repetir.