“Adoraria uma reportagem sobre o papel da Positivo (POSI3) para entender mais o porquê da queda de valor nos últimos 12 meses”, enviada por Anderson Stedile do Amaral
As ações da Positivo (POSI3) sofreram uma queda brusca de valor em cerca de um ano. Se em abril de 2010 chegavam a quase R$ 20, no mesmo mês de 2011 estavam sendo negociadas a menos da metade do preço. No pregão da última quinta-feira, 26 de maio, fecharam cotadas a R$ 6,30. Quais seriam as razões da queda? “O mercado tem visto esse papel com bastante restrição. A empresa tem uma concorrência muito forte de importados e, recentemente, com o dólar mais baixo, a margem despencou, porque ela precisa manter os preços”, explica o analista de mercado José Góes.
Mesmo com as vendas de computadores estáveis – ao contrário do que acontece nos EUA e na Europa, onde os PCs vêm sendo substituídos pelos tablets – a empresa não anda com muitos motivos para comemorar. Diminuição de margens, aumento do prejuízo e avanço da concorrência pressionam uma das líderes do setor no país e a maior empresa de informática da Bovespa. Confira mais sobre o que acontece com a empresa:
Redução de margens decepciona o mercado no 1T11 - A Positivo divulgou no dia 12 de maio os números referentes ao primeiro trimestre deste ano, e os resultados não foram exatamente o que o mercado aguardava. A empresa fechou o período com prejuízo de R$ 33,7 milhões, mais do que os R$ 12,8 milhões esperados. No mesmo período do ano passado foi registrado lucro de R$ 37,8 milhões. A margem bruta enxugou, passando de 33,3% no 1T10 para 20,7%, e o lucro Ebtida ficou negativo em R$ 18,7 milhões. Góes conta que o mercado já esperava balanços mais acanhados para esse primeiro exercício do ano, mas que as perdas apresentadas foram maiores do que o imaginado. “Depois desse balanço o pessoal começou a ver as ações com um pouco de medo, porque eles não estão conseguindo lucrar”, diz.
Concorrência forte e margem fraca - A razão do baixo desempenho está em empresas de peso que vêm brigar com a Positivo pelo consumidor brasileiro. E elas não estão se saindo mal nessa briga. A americana HP divulgou neste mês que ultrapassou a Positivo em vendas, interrompendo a liderança de 35 trimestres da empresa brasileira. Já a taiwanesa Acer vai investir US$ 30 milhões no Brasil, para reestruturar sua produção de notebooks e netbooks.
“Essas ações não tem perspectiva de subir por enquanto, teria que mudar um pouco esse ambiente”, acredita Góes. Rivalizar com gigantes estrangeiras e lutar contra um câmbio desfavorável para as empresas nacionais, no entanto, limitam o campo de ação da Positivo. A alternativa para sair do sufoco enxergada pelos especialistas é cortar custos e trabalhar pela ampliação das margens. Também vale acreditar que o brasileiro vai continuar comprando cada vez mais computadores – só não valem os da concorrência.

Fonte: BM&FBovespa