O mercado de varejo farmacêutico ganhou em 2011 uma nova liderança. A Raia Drogasil surgiu da união entre Droga Raia e Drogasil, anunciada em meados de agosto. Com R$ 4,1 bilhões de receita bruta e R$ 224 milhões de Ebtida nos 12 meses encerrados em março de 2011, a nova companhia conta com 725 lojas em nove estados, abocanhando 8,3% do market share nacional.
A sinergia e o aumento da capacidade de compra da empresa são vistos como fontes potenciais de receita e redução de custos. “Haverá uma redução de custo da estrutura, o que representa maior lucratividade e, para o acionista, possibilidades de dividendos. Juntas, as empresas também vão poder brigar melhor pela fatia de mercado do sudeste”, comenta Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Contabilidade da Faculdade Santa Marcelina.
O processo de fusão das empresas deve durar dois anos, e inclui a incorporação dos ativos da Drogasil pela Droga Raia, além de mudanças no corpo de dirigentes, reestruturação do conjunto de unidades e busca por uma maior coesão nas operações. Conheça melhor o potencial e as oportunidades do sétimo maior grupo de varejo do País.
Na Bolsa, incorporação de ações - O investidor que tem papéis da Droga Raia ou da Drogasil passará a ser acionista da Raia Drogasil. A companhia será listada no Novo Mercado da Bovespa – nível mais avançado de Governança Corporativa - e terá 50% do seu capital em circulação no mercado de ações. “A relação de substituição foi definida de forma que os acionistas receberão 2,29 ações ordinárias de emissão da Drogasil para cada ação ordinária de emissão da Raia”, explica Marcelo Cambria, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).
A fusão, do ponto de vista empresarial, será mais vantajosa para a Droga Raia, já que a nova parceira apresenta número de lojas, faturamento e margens maiores. “A Drogasil já tinha uma lucratividade maior, então para a Droga Raia vai ser positivo trabalhar com uma empresa maior, que aumentará a perspectiva de faturamento e ampliará a sua fatia de mercado”, conta Gonçalves.
No varejo, duas vendem melhor do que uma - Droga Raia e Drogasil são veteranas do mercado farmacêutico. A primeira iniciou suas atividades em 1905, em Araraquara, interior de São Paulo. A segunda teve a primeira loja aberta em 1935, e dois anos depois já havia se tornado uma rede com a incorporação de pequenas farmácias. A tradição e o grande número de lojas fazem com que as duas companhias tenham forte presença entre os consumidores, um dos principais trunfos da futura empresa.
“As duas bandeiras permanecem em operação já que elas registram baixa sobreposição geográfica, mas a união poderá elevar as margens de negociação das redes com os laboratórios e ampliar a disputa sobre o preço destes medicamentos. Com maior escala de compra, as empresas podem barganhar descontos mais amplos”, diz Cambria. Com uma boa freguesia que deve continuar cativa, o professor indica que o mercado de genéricos, que movimenta anualmente R$ 7,3 bilhões no País, deve ser foco das novas operações. “Os genéricos são vistos como uma das grandes fronteiras de competição para o setor já que a data de expiração de algumas patentes está próxima”, diz.
A proximidade física entre unidades, no entanto, pode preocupar o mercado, que vê nesse aspecto um risco de diluição do potencial da companhia. “É provável que algumas unidades sejam fechadas, para que a lucratividade seja mais bem dividida dentro da companhia”, observa Gonçalves. Cambria ressalta que não há motivos para se preocupar. Mesmo com a redução do número de lojas, a liderança em áreas importantes deve garantir bons negócios junto aos consumidores. “Já na perspectiva de concorrência, a fusão com a Droga Raia é tida como a melhor solução para promover a expansão imediata da Drogasil e proteger o mercado paulista das investidas da Pague Menos, forte, principalmente, no Nordeste”.
Perspectivas animam - Para os especialistas, as perspectivas apresentadas pelas companhias, ao lado dos bons fundamentos, incentivam a compra de ações. “No curto e médio prazo a expectativa é de que haja uma lucratividade significativa”, explica Reginaldo Gonçalves. A capacidade de brigar pelo consumidor, se colocando no mercado de forma competitiva, é apontada por Cambria como um dos fatores que faz com que o grupo seja colocado no radar do investidor. “A integração origina uma única rede mais forte e favorece algumas negociações de preços. É acompanhar a performance do ativo na bolsa e esperar o momento certo de comprar mais um ativo forte do setor de consumo”, diz.
Confira o desempenho das duas companhias neste ano*:
*De janeiro a 17 de novembro de 2011