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14/02/2011 14h52
Redecard e Cielo estão na cola do desempenho da economia
Por: Marcel Teixeira
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O fim da exclusividade no credenciamento das bandeiras dos cartões de crédito, em 1º de julho do ano passado, trouxe um novo cenário para as empresas do setor, com aumento da concorrência. A Redecard é quem mais vem sentindo a perda de market share e anunciou um lucro líquido de R$ 348,7 milhões no 4º trimestre de 2010 (4T10), 13% inferior ao mesmo período de 2009. Já a Cielo (ex-Visanet) fechou o último trimestre de 2010 com lucro líquido de R$ 444,5 milhões, praticamente estável em relação aos R$ 442 milhões alcançados no 4º trimestre de 2009 (4T09).

“Essas companhias são bem reguladas, portanto, mais fáceis para prever resultados. Inseridas no setor de consumo, elas dependem de uma economia aquecida para terem melhores resultados. Os dois balanços não vieram muito bons, mas os números da Cielo estiveram mais em linha com o esperado. Entretanto, o mercado já havia antecipado essa movimentação, precificando bem os papéis”, comenta o economista e analista de mercado da Wintrade, José Góes.

A Redecard anunciou uma margem líquida de 39,3% no último trimestre, 7 pontos percentuais inferior ao registrado no 4T09. Para a Cielo, essa margem foi de 38,7%, com uma redução de 4,3 p.p. na mesma base de comparação.

Em teleconferência com jornalistas para a apresentação dos resultados, a Redecard afirmou passar por um momento de transição entre julho de 2010 e março deste ano devido ao fim da exclusividade. A previsão é de que a margem comece a mostrar recuperação no segundo trimestre de 2011, com ganhos em eficiência, consequência dos investimentos feitos desde o ano passado.

Os custos totais de serviços prestados chegaram a R$ 232,2 milhões no 4T10 para a Redecard, um aumento de 39,9% em relação ao mesmo período de 2009, oriundo, sobretudo, da nova realidade do setor, que demandou a contratação de mais membros para as equipes das áreas de vendas e suporte técnico. Para a Cielo esse aumento foi ainda maior, chegando à marca de R$ 354,7 milhões, um aumento de 41,1% na mesma base de comparação.

“O cenário ainda não é muito favorável para a evolução dessas empresas. Por terem seus desempenhos diretamente ligados ao da economia do País, as atuais medidas do governo para desaquecer o consumo e controlar a inflação, como a restrição de crédito e o juro alto, podem trazer prejuízos aos seus resultados. Entretanto, isso pode ser benéfico em um intervalo maior de tempo, pois abre espaço para futuros cortes de juros. Acredito que os papéis dessas empresas sejam um investimento interessante para o longo prazo”, analisa o economista.

A saída é investir - A Redecard vem buscando alternativas para lidar com a inevitável perda de market share com o fim da exclusividade de credenciamento das bandeiras de cartões de crédito e o consequente aumento da concorrência. Em um primeiro momento, a companhia precisou aumentar a taxa de desconto do aluguel das maquininhas para competir com os preços oferecidos no mercado.

Apesar do aumento, na comparação entre 4T10 e 4T09, de 16,1% no número de equipamentos instalados e ativos, a receita com aluguel de aparelhos teve uma redução de 13,7% nesse mesmo período, totalizando R$ 169 milhões.

Com o preço médio do aluguel dos equipamentos desde julho, a diversificação do leque de serviços oferecidos nas maquininhas da Redecard vem sendo uma das principais alternativas para ganhar mercado. A empresa tem como objetivo unir, no mesmo equipamento, serviços como verificação de cheques, pagamentos pelo celular e recargas telefônicas.
“O fato de não brigar com tarifas é algo positivo para a empresa. Por conta da escala de seu negócio, não precisa mais se preocupar tanto com os valores cobrados pela concorrência, já que tem se adequado a isso desde o ano passado”, constata Góes.

Parcerias visam ao aumento da base de clientes - A Cielo também tem ido além da briga travada com as tarifas cobradas pelo aluguel de máquinas com os concorrentes. Investindo cada vez mais em novas parcerias, a companhia pretende aumentar substancialmente sua base de clientes.

Desde o 4T10, a empresa fechou parcerias importantes: com uma das maiores bandeiras regionais do país, a Good Card; com a JBC (Japanese Card Bureau), a quinta maior bandeira de cartões de pagamento no mundo; no segmento de vouchers, com Bônus CBA, Cabal Vale e Verocheque. Em fevereiro, a Cielo anunciou sua mais recente parceria com o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), para obter a base de um milhão de cartões da bandeira regional fora do estado, a Banescard.

A companhia também começou a investir em seu programa de fidelização. Em conjunto com a Dotz, empresa líder do setor de fidelização no modelo de coalizão na América Latina, permitirá que os clientes acumulem, consultem e resgatem seus pontos nas máquinas da Cielo.

Com o objetivo de explorar o potencial de segmentos ainda inexplorados, a Cielo também lançou, em novembro do ano passado, seu primeiro aplicativo no Brasil para iPhone, iPad e iPod Touch, com o qual os aparelhos podem ser usados para realizar pagamentos móveis com cartões de crédito Visa, MasterCard e American Express.

“Essas iniciativas mostram que a empresa vem investindo bastante para poder colher resultados lá na frente. É uma empresa que merece a atenção do investidor no longo prazo, pois vem trabalhando para aumentar, cada vez mais, sua base de clientes”, diz o analista.

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