Um ano novo em folha chegou e a última coisa que os investidores querem é que 2012 seja como o ano que acaba de se encerrar: cheio de turbulências devido à crise econômica mundial. O Ibovespa amargou retração de 18,11% e acabou com o ânimo de muita gente. Mas vale a pena respirar, pois a notícia é boa: a previsão dos especialistas é que 2012 terá um período de ajustes, ainda com reflexos da crise da Europa, mas dentro de um panorama que deve ser mais positivo. Neste contexto, a renda variável provavelmente restabelecerá parte de seu poder de atração à medida que a economia mundial se firmar. Para quem já possui ações na Bolsa, portanto, 2012 pode ser um ano de recuperação, e para quem está pensando em se tornar acionista, pode se tratar de uma oportunidade para comprar papéis mais em conta. Confira a seguir as apostas dos especialistas e saiba onde é preciso focar.
Um olho aqui, outro lá - A crise europeia deve continuar assombrando os mercados no primeiro semestre, promovendo a manutenção do período de incertezas que caracterizou 2011. “A crise ainda não está resolvida, apesar de encaminhada, então ainda vai haver alguma volatilidade. No segundo semestre esse horizonte deve melhorar”, aponta o consultor financeiro José Kobori, autor do livro Análise Fundamentalista. Ele explica que o período que se iniciará em julho deve ser bom para o mercado de ações, mas essa recuperação estará condicionada à resolução da crise europeia no primeiro semestre. “Sob qualquer aspecto, a Bolsa está barata. O investidor de longo prazo pode fazer apostas em empresas de bons fundamentos”, recomenda Kobori.
De um modo geral, 2012 deve ser um ano mais estável, com menos altos e baixos, ainda que o clima na Europa continue difícil. Nesse cenário em que as grandes economias penam para se manter à tona, um país emergente como o Brasil tem grande empuxo para se inserir mundialmente. “Se a gente fizer a lição de casa direito, pode terminar 2012 numa situação ainda melhor do que estamos hoje. Do ponto de vista de médio e longo prazo, o futuro é Brasil”, garante o diretor da faculdade de Administração da FAAP, Tharcisio Souza Santos. Para ele, a Bolsa deve ser menos volátil em 2012, mas não tão menos do que foi em 2011. “Não é hora de todo mundo largar o investimento de renda fixa para ir pra Bolsa. Mas já dá pra pensar em ter um pedaço da Bolsa na carteira”, acrescenta. Segundo o professor, o mercado ainda permanece cauteloso, por isso é preciso estar atento aos acontecimentos.
Apostas para 2012 – Assim como aconteceu no ano passado, empresas boas geradoras de caixa e pagadoras de dividendos, bem como as ligadas ao mercado interno, continuam sendo sugeridas para quem quer investir com segurança. Entre elas se destacam companhias ligadas à energia, infraestrutura, varejo, consumo e bancos. Empresas ligadas a commodities também são uma boa opção: ainda que a China seja afetada pela crise e reduza seu crescimento, a perspectiva permanece positiva. Mas é sempre bom lembrar o principal conselho dos analistas na hora de escolher os papéis para compor a carteira: “Ficar atento, analisar os relatórios e confiar nos gestores para ver quais são as empresas mais adequadas ao seu perfil de investidor”, aconselha José Kobori.
Tharcisio Souza Santos elenca os setores que devem estar entre os mais valorizados de 2012: Construção Civil, que continuará atraindo investimentos; Indústria Mecânica, por causa do aumento do consumo; Commodities como Petróleo; e Indústria de Ponta, caso haja incentivo tecnológico do Governo a esse setor. Além disso, quem não quer apostar na Bolsa, mas pretende manter a liquidez de seu dinheiro, pode aplicá-lo em renda fixa. Papéis do Tesouro Direto atrelados à inflação, como a NTN-B, pós-fixada e atrelada ao IPCA (que paga juro real sobre o IPCA), são uma boa alternativa em um cenário de alta de inflação.
Cautela – O mau desempenho do Ibovespa em 2011 foi puxado pela queda acentuada das blue chips, que sofreram com a fuga de capital estrangeiro da Bolsa brasileira. Segundo dados da BM&FBovespa, o saldo de investimento estrangeiro ficou negativo em R$ 1,352 bilhão. Isso geralmente acontece porque, em momentos de incerteza, o investidor estrangeiro parte em busca de liquidez, vendendo as ações que tem em nações emergentes para fazer frente aos problemas em seu país de origem.
Em um cenário de retomada, como deve ser o segundo semestre de 2012, as blue chips ganham valor muito mais rápido, já que o estrangeiro volta e se dedica a comprar as ações de maior liquidez. “Para o investidor de longo prazo é interessante olhar para uma Vale, que talvez continue volátil por um período entre 6 e 12 meses, mas que vai crescer quando retomar”, aponta o consultor financeiro José Kobori. Por outro lado, é bom que os investidores tenham cautela com relação a setores de tecnologia e empresas que exportam produtos com valor agregado para países ricos, como Estados Unidos e os da Europa. “O mercado vai continuar difícil lá fora”, explica o professor Tharcisio. Difícil, mas com boas perspectivas para quem souber aproveitar.
SETORES PARA FICAR DE OLHO
ENERGIA: Independentemente da crise global, as pessoas continuam consumindo energia. Portanto, as empresas do setor devem continuar gerando bons dividendos por não serem cíclicas;
INFRAESTRUTURA: Está recebendo muitos investimentos, não só por causa do crescimento do Brasil, mas também devido à Copa do Mundo e às Olimpíadas;
CONSUMO: Atravessa uma boa fase graças ao bom momento do mercado interno. Destaque para empresas como a AmBev, que são excelentes geradoras de caixa.
BANCOS: Possui boas empresas que sofreram em 2011 e têm perspectiva de recuperar valor e enfrentar uma alta em 2012. São companhias bem administradas, a exemplo do Banco do Brasil e do Itaú Unibanco, este último com um bom colchão de liquidez (importante no setor bancário). É um segmento que se mostra sólido desde 2008, com bons parâmetros de governança corporativa, seguro e atrelado ao mercado interno.