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02/06/2010 16h16
Sonhos de consumo na Bolsa
Por: Leandro Lanzoni
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Recentemente, a WinNews apresentou uma reportagem especial sobre a indústria têxtil e mostrou por que o segmento é atrativo aos investidores. Agora, chegou a vez de conhecer de perto as protagonistas do setor na Bolsa: Hering, Marisa e Renner. Além do fato de figurarem entre as maiores empresas do setor Têxtil brasileiro, a cada mudança de estação, essas empresas desfilam ostentando crescimento e valorização. Elas são verdadeiras vedetes que aproveitam o bom desempenho dos indicadores internos para brilhar também no índice Bovespa.

O que reluz é ouro

No caso dessas três gigantes do setor, o que reluz não é apenas o glamour do mundo da moda. Ao analisar alguns indicadores fica fácil entender o seu crescimento. Diversos fatores, determinantes para o setor varejista, não param de apresentar bons resultados.

O crédito está expandindo; o índice de desemprego está diminuindo – na semana passada, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou o menor nível de desemprego para o mês de abril dos últimos anos; a renda do trabalhador vem crescendo; a classe C está avançando - em 2009, ampliou sua participação para 49% da população brasileira.

Para completar, Hering, Marisa e Renner ainda têm outro grande trunfo nas mãos: são voltadas para o mercado interno, ou seja, a turbulência da crise grega não afeta o seu desempenho e o investidor pode ficar de olho na economia tupiniquim, que está aquecida. “A maioria das ações de empresas sólidas e voltadas ao consumo interno está subindo, elas sentiram pouco a crise. O problema são os papéis exportadores de commodities, que continuam sofrendo com os problemas externos”, explica o operador de mesa da WinTrade Gustavo Migliano.

Que tal conhecer um pouco mais do perfil de cada empresa?

Renner - Com 121 lojas espalhadas pelo território nacional, a empresa ostenta o título de ser a segunda maior rede de lojas de departamentos de vestuários do País, com participação de 16% do setor. “A área de Varejo está tendo uma boa valorização. Mesmo assim, a Renner consegue se destacar. Isso porque a empresa já conquistou um patamar muito sólido. Depois de sofrer entre o 3º e o 4º trimestre de 2008, a companhia conseguiu se recuperar. Estamos vendo com bons olhos os seus últimos balanços”, diz o analista Mário Bernardes Junior, do Banco do Brasil.

No primeiro trimestre deste ano, a Renner atingiu lucro líquido 239,8% maior do que o do mesmo período de 2009. Enquanto isso, a receita líquida da venda de mercadorias incrementou 21,4%. As margens superam a média histórica da empresa, mas a boa fase não deve parar por aqui. Analistas acreditam que nos próximos trimestres as receitas e margens devem continuar apresentando crescimento elevado.

Cia. Hering - A empresa tem mais de 129 anos de tradição no setor, trabalha com produção própria, terceirização de fases do processo produtivo e com a compra de produtos acabados. Mesmo com a produção própria, o seu ganha-pão mesmo é no varejo. Os produtos são comercializados em 190 franquias da Hering Store e da PUC e em, aproximadamente, 8.800 lojas do varejo.

A companhia tem maior aceitação nas classes sociais A, B e C, distribuindo sua atuação em três marcas: Hering, PUC e Dzarm. A primeira é o carro chefe dos negócios, movimentando 80,3% da receita bruta das vendas (de acordo com dados do 3º trimestre de 2009), enquanto as outras duas visam um público mais segmentado: a PUC segue a linha infantil, já a Dzarm é voltada para os consumidores jovens.

Marisa - Fundada em 1948, a marca tem presença em todas as regiões do Brasil. Hoje, já são 227 lojas que vendem produtos focados no público feminino com idade entre 20 e 35 anos, pertencentes à classe C. No último trimestre, a receita líquida consolidada da empresa cresceu 25,2%, atingindo R$ 316,9 milhões, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

E novidades vêm por aí, para engordar ainda mais esse número. Desde o final do ano passado, a empresa está apostando em um novo ponto de atuação, a segmentação das lojas. A estratégia pretende ampliar o leque de consumidores para atingir também as classes A e B.

Você acionista

O panorama para Hering, Marisa e Renner é próspero. Mas, pensando na relação custo e benefício, será que vale à pena investir nelas? A opinião de José Góes é positiva, porém, antes, o analista alerta que é preciso olhar para o preço dos papéis e ponderar a aplicação. “Essas empresas, principalmente Hering e Marisa, são muito boas, mas não são mais nenhuma pechincha, já incorporaram o preço de todo esse crescimento. Porém, como elas têm apresentado expansão muito forte, acredito que ainda têm potencial de valorização. É difícil imaginar, hoje em dia, essas ações caindo de forma violenta, o fundamento delas é muito bom”, esclarece.

Mesmo com toda a expansão do setor, analistas acreditam que ainda há oportunidades para as empresas aumentarem sua atuação. Isso porque é uma área ainda muito fragmentada. Para se ter uma ideia, os cinco maiores varejistas de vestuários detêm apenas 5% do mercado. Segundo especialistas do mercado, na Bovespa, também há espaço para altas; as ações continuam com bom upside. Por exemplo, se o Brasil avançar 7%, o setor de consumo pode evoluir entre 20% e 30%. Ou seja, os papéis de empresas desse segmento ainda podem continuar crescendo junto com a economia do País.
 

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