Sorte na Bolsa, azar em alguns resultados. Apesar das ações da Souza Cruz terem sido um dos destaques do Ibovespa no ano passado – com valorização de 65,8% -, o aumento de impostos sobre os cigarros, a queda de 1,2% no volume de vendas (para R$ 71,9 bilhões) e a valorização do real acabaram resultando em uma diminuição de 2,4% no lucro líquido da empresa em 2010, que ficou em R$ 1,45 bilhão. Porém, segundo a própria companhia, com a melhora na qualidade de seus produtos, a Souza Cruz pretende conseguir maior valorização no âmbito internacional, mercado no qual a empresa vê seus números caindo desde 2008.
Queda explicada - A redução da demanda estrangeira pelos cigarros da Souza Cruz deve-se, principalmente, à valorização de 12% do real em relação ao dólar, em 2010. Com 93,2 mil toneladas exportadas de cigarros, a queda foi de 17,8% em relação aos números de 2009. Já o aumento dos impostos sobre os cigarros fez com que a companhia reajustasse em 11% os valores de seus produtos.
A despeito da queda do lucro líquido, o ganho operacional da Souza Cruz seguiu o mesmo caminho de altas dos últimos cinco anos ao subir 2,7% em comparação com o ano de 2009, atingindo a marca de R$ 1,94 bilhão.
O EBTIDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que vem subindo desde 2006, também teve uma alta de 3% em relação ao exercício anterior e chegou a R$ 2,1 bilhões. No mesmo ritmo de crescimento, a margem EBTIDA avançou 2,9 pontos percentuais de 2009 para o ano passado, chegando a 38%.
Perspectivas e dividendos – O economista e analista de mercado José Góes acredita que, por já ser um dos principais nomes do setor, a Souza Cruz não tenha mais tanto espaço para a expansão de negócios, mas avalia como “bem precificadas” as ações da empresa. “O volume de vendas caiu, mas mesmo assim a companhia conseguiu um melhor mix de fumo vendido, com produtos mais caros, e isso colaborou para o crescimento da receita. Suas ações não devem oscilar muito neste ano, mas já estão bem precificadas no patamar atual”, afirma ele.
A política de dividendos é um dos destaques da Souza Cruz, que distribuiu cerca de R$ 10 bilhões entre seus acionistas na última década, com uma média de R$ 1,4 bilhão nos últimos anos, segundo a própria companhia. “É uma empresa que gera bastante caixa e não possui tantos gastos com investimentos. Isso justifica essa ótima política de distribuição de lucros”, constata Góes.
Há apenas uma ressalva a ser feita para os investidores. “O dividend yield (relação entre o dividendo pago por ação e o preço da ação) não é mais tão atrativo quanto antes. Esse número ficou entre 4% e 5% no ano passado. Contudo, ela pagava mais ou menos nessa mesma proporção de dividendos há alguns anos atrás, quando o valor do papel era mais baixo no mercado. Sendo assim, a ação voltará a ser mais atrativa nesse quesito caso não ultrapasse a casa dos R$ 70”, diz Góes. Portanto, vale ficar de olho no sobe e desce das ações na Bolsa.