A aviação civil movimenta milhões de pessoas diariamente, e quando mencionamos o transporte aéreo brasileiro, estamos falando de um número pequeno de companhias, uma vez que o setor aéreo brasileiro é muito concentrado nas mãos de poucos. Neste cenário, uma companhia se sobressai por possuir a maior participação de mercado tanto em voos domésticos quanto internacionais: a TAM.
Ela foi fundada em 1961 e já em 1996 começou a voar em todo o território nacional. Desde então, ampliou significativamente suas rotas internacionais, ocupando hoje uma participação de 88% do número de passageiros transportados ao exterior e de 43% nos voos domésticos. A empresa abriu capital em 1997 e, atualmente, seu valor de mercado é de R$ 3,8 bilhões. Suas ações são negociadas na Bovespa e na NYSE (Bolsa de Nova York). Além disso, está presente em oito índices.
A soberania desta companhia está longe de ser abalada. Mas há, no entanto, concorrentes que não devem ser descartadas na análise do setor. Criada em dezembro de 2008, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras já atingiu uma participação no mercado doméstico de aproximadamente 4,7%. “A Azul vai crescer e pode ameaçar o mercado da TAM”, aposta Roberto Gonzalez, professor da Trevisan Escola de Negócios. “Ela tem uma estratégia de operar em aeroportos não operados pelas grandes companhias; possui um plano lento e gradual”, explica.
O que levar em conta ao investir - Analistas concordam que é preciso estar atento às muitas variáveis que influenciam o setor de aviação antes de optar pelo investimento. Duas são bastante importantes, o petróleo e o dólar. “Qualquer modificação tem um grande impacto na nossa rentabilidade”, define a própria TAM. Aliás, é devido à grande relevância destes valores que as companhias realizam operações de hedge para se prevenir das alterações futuras nos preços tanto do dólar quanto da commodity.
Em julho, por exemplo, o dólar atingiu o menor valor em dez meses. “Esta é uma notícia positiva em meio a um momento de insegurança”, analisa Roberto Gonzalez. Para se ter uma ideia da influência do câmbio, em 30 de junho de 2009, uma variação tanto positiva quanto negativa em 10% da moeda norte-americana acarretaria em um impacto de aproximadamente R$ 587 milhões para mais ou para menos no resultado financeiro da TAM.
No caso do petróleo, apesar do combustível de aviação ter representado 25,6% das despesas operacionais da TAM no segundo trimestre, a queda no preço do barril da commodity tem influenciado positivamente. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, a economia foi grande: a participação do petróleo nos custos operacionais caiu 16%.
Lucros maiores, receitas menores – O balanço da companhia aponta lucro líquido de R$ 788,9 milhões no segundo trimestre, resultado muito superior aos R$ 337 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Frederico Turolla, sócio da Pezco Consultoria & Pesquisa, diz que a crise atingiu o País de modo mais ameno que o previsto. “A crise teve um impacto menor que o esperado”, explica Turolla. “O cenário é um pouco mais favorável do que alguns meses atrás, mas o risco ainda é alto”, alerta.
Tais números podem levar o investidor a pensar que a crise econômica não afetou o desempenho do setor. Mas não é o que indica a receita líquida da TAM, que recuou 9% no segundo trimestre de 2009 comparativamente ao de 2008. Isso acontece porque a maior parte dos ganhos é gerada pela venda de passagens, que foi fortemente abalada pela conjuntura econômica. “Apesar da crise não ter afetado tanto os brasileiros, as pessoas preferem se preservar, comprando bens como garantia”, explica Gonzalez.
Por outro lado, Turolla acredita em uma estratégia diferente para reduzir o impacto da crise. “O parque de aeronaves parece não estar ajustado para certas rotas. Deveria haver menos aeronaves de porte maior para, assim, aumentar a taxa de ocupação”. Neste último trimestre, a TAM gerou R$ 1,8 bilhão proveniente da venda de passagens, valor 11,55% menor que em 2008 e que representou 82,4% da receita do segundo trimestre.
Apesar das intempéries, até a metade de agosto, as ações da TAM subiam 32% no ano. O desempenho é bastante atrativo para potenciais investidores, mas antes vale lembrar que o perfil de investimento desse segmento está mais para arriscado do que para conservador, como avalia Gonzalez. Turolla também diz que ficaria reticente em investir no longo prazo, já que os riscos são elevados. Isso porque são muitos os fatores que influenciam o desempenho de qualquer companhia do setor, o que dificulta traçar perspectivas futuras. Dessa forma, o melhor a fazer antes de optar ou não pelo investimento é estar bem informado, assim, serão maiores as chances de obter rendimentos positivos e diminuir riscos.