Em meu último artigo, deixei clara a diferença entre tática e estratégia e mostrei que elas não podem faltar na vida de um vencedor. Agora vou para a parte prática. Separarei as pessoas em quatro categorias no mercado: os iniciantes, os aventureiros, os poupadores e os estrategistas. A partir dessas definições, será mais fácil seguir táticas e estratégias com objetividade.
Vale ressaltar, antes de tudo, que para a classe de estrategistas cabe escrever inúmeros livros sobre como proceder. Isso porque nela moram todos os estilos possíveis e imagináveis de estratégias e táticas, adotadas sempre com o intuito de maximizar os lucros em qualquer prazo (do curto ao longuíssimo).
Feita minha ressalva, vamos às classes de investidores pessoa física:
Iniciantes – Esse tipo de investidor tem plena consciência de que está “pisando” em terreno novo. Ele vive seu primeiro contato com ações e/ou investimentos e ainda não possui julgamento de si mesmo com relação ao assunto. O que ele quer é aprender esse mundo novo para maximizar seus lucros, administrar melhor suas economias, ganhar dinheiro etc.
Aventureiros – Esta é a classe da qual as pessoas deveriam fugir! É muito comum o aventureiro “quebrar a cara”, desistir, deixar as emoções, conscientemente ou não (veja em Psicologia do Mercado), à frente das táticas e estratégias. Normalmente, ele realiza operações sem saber realmente o porquê delas: compra, vende, ganha ou perde, se irrita ou fica feliz. O fato é que o aventureiro não sabe aonde ele quer chegar (estratégia), nem seu verdadeiro método (tática). O mercado para ele se torna um tabuleiro de apostas que o faz refém de suas próprias emoções.
É possível o aventureiro ser confundido com o iniciante e vice-versa. A diferença básica entre eles é que um encara a atividade como novidade e outro, não. Entretanto, é comum que iniciantes entrem no mercado como aventureiros no lugar de assumirem o papel de um comprador / poupador (próxima classe) ou até de mero espectador e estudante. De qualquer forma, é mais provável que haja aventureiros com mais tempo de mercado, mesmo que não assumam ou nem percebam.
Ser um aventureiro é muito mais fácil e menos trabalhoso do que ser um estrategista e, também, no mínimo, mais emocionante do que um poupador (ambas escolhas erradas, se o que você quer mesmo é maximizar o lucro, guiado exclusivamente pela emoção).
Poupadores – De maneira simples, essa classe é caracterizada por pessoas que não vendem, o que é chamado de “forever buy” ou “buy and hold”. É fácil fazer parte dela, aliás, é a categoria onde todos os iniciantes deveriam entrar. Ao ser um poupador, o investidor, quase sem querer, possui uma estratégia e uma tática bem definidas. A ideia é trocar dinheiro por ativos, e pronto!
Pode ser que no meio do caminho surjam contratempos. Os ativos que você escolheu podem não se mostrar tão bons ou até a economia do seu país pode balançar. É claro que nestas situações você será penalizado. Mas é importante entender que grande parte da volatilidade na Bolsa é ocasionada, principalmente, porque o mercado tende a precificar de imediato e com muito mais sensibilidade qualquer expectativa – com relação ao presente e futuro.
Utilizarei um exemplo real para ilustrar o que quero dizer: o lucro da padaria ao lado da sua casa pode cair 50% no inverno sem você nem saber. Mas, no fim das contas, essa padaria pode ser lucrativa ao longo do ano. O fato é que, diferente do mercado, você não fica acompanhando sua “cotação”, sabe que o estabelecimento existe e acaba, hora ou outra, comprando lá seus produtos. Caso a padaria fosse listada na Bolsa, certamente iria “apanhar” do mercado em momentos menos favoráveis.
Vou além! A grande maioria dos seus bens e pertences tem uma correlação com a economia que é quase imperceptível. Por exemplo, quando o subprime derrubou em 50% as bolsas mundiais, seus bens de consumo, como refrigerante, cigarro, camisa, sapato, comida, entre outras coisas, não mudaram de preço. Você já pensou que aquela era a hora de não consumir e comprar Bolsa? Pois, em termos de preços relativos, esse era o certo a fazer. A explicação é simples: ou a economia quebrava de vez e todos os preços realmente cairiam, ou a Bolsa retomaria seu patamar, como de fato acabou acontecendo.
É por essa razão que, sem saber, o poupador está em uma classe que há de maximizar o lucro no longo prazo, principalmente se ele usar a Bolsa como uma previdência. Sua estratégia acaba sendo muito forte, compensando tranquilamente uma tática muito simples.
Estrategistas – Esta é a classe que inclui todos os que têm tática e estratégia muito bem definidas e que, certamente, são vencedores no longo prazo.
Para o estrategista, não importa qual método ou tática ele adota (gráficos, balanços, fundamentos, acompanhamento de book de ofertas, entrada e saída de fluxos etc). O que realmente conta é sua capacidade de saber o que está fazendo no mercado, aonde quer chegar no longo prazo (estratégia) e os métodos para isso (tática).
De todas as classes citadas anteriormente, o poupador é o único que se enquadra no grupo dos estrategistas, especialmente se ele decidir usar alguma tática melhor definida, como derivativos e venda coberta de opções, ao invés de simplesmente carregar a compra e comprar todo mês. Outro fator que colabora para que um poupador seja um estrategista é a noção de preços. É importante que ele saiba que depois de certo valor deve parar de comprar, ou então comprar mais se a ação cair até um preço determinado.
Quem compra e vende no curto/médio prazo, o chamado trader, também pode fazer parte dessa classe, desde que, mais uma vez, ele saiba o que está fazendo, tenha uma estratégia forte de longo prazo e use um método claro no curto espaço de tempo para atingir seu objetivo.
Posto isso, quero mais uma vez deixar claro como é importante se conhecer, saber onde você se encontra e tentar melhorar seu desempenho objetivamente, sem culpar a própria sorte, as dicas que recebeu ou mesmo o “mercado” por suas perdas.
Se você é iniciante, tente se tornar um poupador. Agora, se é um poupador, tente incluir mais táticas e se tornar um estrategista. Por fim, se você se considera um aventureiro, saia urgente da pior e mais perdedora das classes! Estude, crie estratégia de longo prazo, tenha táticas sólidas no curto e, com um método claro, opere sempre sabendo o que está fazendo.
Perder dinheiro faz parte da renda variável, da rotina de quem compra e vende, e nem de longe é sinônimo de errar. É possível sim perder operando corretamente, assim como ganhar operando errado, mas o mais relevante é ter estratégia, buscar operações +EV. Assim, no longo prazo, você tem tudo para ser um vencedor.
Obs: Nos próximos dias 14 e 15 (sábado e domingo) darei um curso de análise técnica, uma ótima tática para quem quer ter estratégia.