Terminou no último dia 14 a temporada de divulgação dos balanços do terceiro trimestre de 2011 (3T11). E o mercado esteve atento aos números das empresas de capital aberto. Afinal, essa é a hora de avaliar se as contas corporativas fecham e se trazem boas perspectivas para o futuro. Segundo o analista Maurício Bastter, o lucro da maioria das companhias se manteve com boas taxas de crescimento. Em contrapartida, o endividamento também aumentou. “Para muitas empresas os lucros continuam crescendo, ainda que no terceiro trimestre eles tenham vindo um pouco menores, cerca de 10% a menos do que no segundo. E uma coisa que chamou a atenção é o aumento do endividamento. Pode ser pelo fato das taxas de juros terem caído, encorajando um pouco mais as empresas a tomarem empréstimos”, observa. Conversamos com os analistas e descobrimos os destaques em cada setor – seja para o bem, ou para o mal. Confira!

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Petrobras (PETR3 e PETR4): Embora a valorização cambial tenha comprometido os resultados da empresa, refletindo-se, por exemplo, na queda de 26% do lucro em relação ao terceiro trimestre de 2010, o último balanço da petrolífera trouxe boas referências. “A Petrobras geralmente é complexa de analisar, mas continua crescendo, apesar dos problemas da capitalização e da dívida. Ela positivou o fluxo de caixa nesse balanço. Não quer dizer que vai ficar positivo, mas pode refletir que finalmente está equilibrando gastos, que é um grande problema”, aponta Maurício Bastter.
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CEMIG (CMIG 3 e CMIG4): A receita da empresa de energia subiu 11% em relação ao terceiro trimestre de 2010, passando de R$ 3,6 bilhões para R$ 4 bilhões, enquanto o lucro líquido subiu 17%. O destaque fica com a criação, junto à Light, da SPE Amazônia Energia Participações S.A, que comercializará 9,7% da energia produzida pela Usina de Belo Monte. “É um resultado acima da média e que traz boas perspectivas”, afirma a analista Maria Christina Maciel, da Lopes Filho e Associados.
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AES Tietê (GETI3 e GETI4): A empresa teve receita líquida de R$ 519 milhões, um aumento de 10% em relação ao 3T10. O EBITDA alcançou R$ 405 milhões, com margem de 78%, e o lucro líquido foi de R$ 228 milhões, aumento de 15% em relação ao 3T10. “As elétricas vieram em geral com resultados bons, com margem acima dos 40%. E a AES Tietê consegue ter ainda algum crescimento, enquanto as companhias do setor não têm muito crescimento. A dívida dela também é estável”, conta Bastter.
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Ultrapar (UGPA3): Responsável pelas marcas Ultragás, Ipiranga, Ultracargo e Oxiteno, teve receita líquida de R$ 12,9 bilhões, contra R$ 10,9 bilhões apurados no terceiro trimestre de 2010. O seu lucro operacional foi de R$ 345 milhões para R$ 398 milhões e o EBITDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 465 milhões para R$ 536 bilhões. A nova estrutura de governança e sua entrada no Novo Mercado da BM&F Bovespa valorizaram a companhia.

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Vale (VALE3 e VALE5): A mineradora teve receita operacional recorde de R$ 28,6 bilhões no 3T11 e lucro operacional de R$ 14,4 bilhões, 9,7% maior do que os R$ 13,2 bilhões do trimestre anterior. “A Vale continua crescendo e trazendo bons números. Teve um expressivo aumento do lucro e passou a Petrobras em lucro líquido. Ela também mostrou um equilíbrio das dívidas”, analisa Bastter.
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Usiminas (USIM6, USIM3 e USIM5): Apresentou queda de 6% no EBITDA e retração de 17% na produção de aço bruto. Para Maurício Bastter, os dados indicam piora da companhia. “A Usiminas continua apresentando dados piores que em 2010, os lucros caíram ainda mais, e ela está com problema de margem de lucro, que hoje é só de 6%. E uma coisa que não tinha - e está começando a ter - é uma dívida grande. Ainda não é fora do controle, mas vem aumentando”, diz. Já Maria Christina Maciel considera que a queda nos resultados do 3T11 está dentro do projetado e não indica grande queda na performance da empresa. “A Usiminas apresentou um resultado inferior, mas dentro das projeções. O setor siderúrgico, contando também a CSN, teve resultados um pouco menores do que no 3T10, mas a variação foi muito pequena e o setor continua até que em crescimento por aqui”, diz.

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Hypermarcas (HYPE3): A gigante do varejo é unanimidade entre os analistas de mercado – no mau sentido. “Ela não conseguiu ter lucro, reverteu isso para prejuízo e está com a dívida explodindo. Foi um balanço bem ruim”, comenta Bastter. O EBITDA caiu 24,4% em relação ao 3T10, e a margem de lucro líquido despencou 78,2%. (INSERIR LINK PARA MATÉRIA SOBRE A HYPERMARCAS)
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B2W (BTOW3): A companhia de varejo que detém as marcas Lojas Americanas, Submarino, Ingresso.com e Blockbuster teve lucro bruto de R$ 232,2 milhões, contra R$ 284,2 milhões em 2010, o que representa queda de 18,3%. O EBITDA foi de R$ 127,7 milhões no 3T10 para R$ 79 milhões este ano, caindo 38,1%. “A B2W também veio muito ruim. Apresentou prejuízo, a dívida continua aumentando, consumindo caixa, e os gastos estão grandes”, diz o analista. “A B2W e a Hypermarcas tiveram um resultado operacional ruim e sofreram com o efeito câmbio mais do que o projetado”, analisa Maria Christina.

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AmBev (AMBV3 e AMBV4): No setor de bebidas, a receita líquida da AmBev cresceu 10,6% no terceiro trimestre e o EBITDA atingiu R$ 2,9 bilhões, o que corresponde a uma evolução de 13,5%. “A AmBev, que já vinha tendo resultados exuberantes, veio com números ainda melhores, com uma margem de lucro maior, que passa de 30% da receita total. A dívida está caindo, e a empresa tem mais dinheiro em caixa do que dívida, ou seja, tem dívida líquida negativa”, reforça Bastter.
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Marcopolo (POMO3 e POMO4): A receita líquida consolidada da fabricante de carrocerias alcançou R$ 888,6 milhões. O lucro bruto somou R$ 195 milhões, com margem de 21,9%. O EBITDA foi de R$ 127,2 milhões, com margem de 14,3%. O lucro líquido totalizou R$ 78,5 milhões e margem de 8,8%. No período, verificou-se um bom aumento da produção, favorecida pelo aquecimento do mercado interno. A produção destinada ao mercado interno atingiu 8.974 unidades no 3T11, 19,8% superior às 7.490 unidades produzidas no 3T10.
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Gafisa (GFSA3): Entre as construtoras, embora não tenha apresentado redução drástica nos lucros ou na receita, a redução dos lançamentos da Gafisa indica um arrefecimento do ritmo de atividades. “As construtoras vinham tendo um crescimento grande, por causa da explosão imobiliária. O que se vem observando é que a despeito de continuar com a receita enorme, a dívida vem crescendo muito, o que pode se refletir na queda dos lucros”, afirma Bastter.
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