Quando o assunto é investimento estrangeiro, a BM&FBovespa vai muito bem, obrigado. Em 2010, o saldo ficou positivo em R$ 5,96 bilhões, o que ajudou na conquista da moderada alta de 1,04% acumulada pelo índice durante o ano e demonstrou que o pessoal lá fora confia nos papéis daqui. Do início de 2011 até o dia 19 de janeiro, investidores estrangeiros haviam comprado R$ 23,7 bilhões em ações e vendido R$ 21,7 bilhões. Mas o que você, que investe, tem a ver com isso?
Poder de atração – “O estrangeiro vem para o Brasil porque a economia brasileira está crescendo. Investir em companhias brasileiras é um ótimo negócio”, explica o professor Tharcísio Souza Santos, diretor da Faculdade de Administração da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
Em sua maioria, eles são investidores institucionais – bancos, hedge funds – com sede no exterior e que possuem um representante legal no país – banco ou corretora –, com a função de manter o cadastro do cliente atualizado. Os interessados abrem uma conta específica para sua categoria, e que conta com isenção do Imposto de Renda sobre ganhos de capital, conforme regras da CVM.
Brasileiros no exterior
Se os estrangeiros representam uma importante parcela dos investimentos na Bolsa de Valores brasileira, o caminho contrário também está aberto para o pessoal daqui. Hoje, uma série de bancos opera em diversos países, e a BM&FBovespa já recebe títulos equivalentes a ações que são negociadas em outros mercados.
Os investimentos no exterior ficam sujeitos às leis específicas do Banco Central e às regras da nação onde se pretende colocar dinheiro.
O analista Gustavo Padovan, da Beta Advisors, lembra que é preciso abrir uma conta em alguma instituição fora do Brasil e que o interessado precisa manter a Receita Federal informada sobre essas movimentações.
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“Cada investidor tem sua estratégia em investir na Bolsa brasileira, mas a maioria é atraída ou repelida pelos fundamentos do país e das empresas”, acrescenta Gustavo Padovan, analista de renda variável da Beta Advisors, empresa de assessoria de investimentos. “Como o fundamento macroeconômico brasileiro tem se tornado cada vez mais sólido, nos últimos anos os estrangeiros voltaram suas atenções para o mercado daqui, aumentando sua exposição”, completa. Eles costumam preferir papéis ligados a riquezas, commodities, agronegócio e blue chips.
Esse tipo de investidor espera uma alta rentabilidade na contrapartida de investir em um mercado como o Brasil, que é relativamente mais arriscado do que o de países desenvolvidos. Acontece que, no caso de alguma instabilidade, eles habitualmente retiram seu dinheiro e o colocam em investimentos, em tese, mais seguros – títulos públicos norte-americanos, por exemplo. Esse movimento provoca uma queda na cotação das ações da Bolsa, reflexo de uma quantidade excessiva de vendas. É aí que o investimento estrangeiro entra na sua vida.
Oportunidade para brasileiros – Quando um movimento de retirada causa a queda da Bolsa, surge uma oportunidade para os brasileiros. O grande número de vendas provoca a diminuição no preço das ações e, com isso, se torna fácil e barato comprar papéis. Por outro lado, é importante não se desesperar ou tomar atitudes precipitadas ao ver a debandada dos estrangeiros.
Para o professor Tharcísio Souza Santos, da FAAP, o investidor daqui precisa manter o sangue frio. “Se ele estiver pensando em aplicação de longo prazo e tiver feito uma boa escolha, deve ficar calmo”, aconselha. Segundo o especialista, este tipo de oscilação “faz parte do jogo” e se agrava porque o Brasil é um país emergente.
Gustavo Padovan, da Beta Advisors, recorda que a BM&FBovespa está inserida em um universo de economias globais onde mudanças do outro lado do mundo podem afetar positiva ou negativamente as ações. “Para o investidor individual pessoa física é preciso também se informar para não ser pego de surpresa por estes movimentos naturais do mercado”, completa o analista.
Nesse caso, é bom ter conhecimento sobre as empresas das quais se possui ações e do ramo em que elas atuam, além do andamento da economia brasileira e internacional. O hábito de diversificar os investimentos também ajuda a diminuir o impacto que uma variação específica é capaz de causar. “O investidor estrangeiro não é o vilão da Bolsa brasileira, como muitos consideram. Eles contribuem para a liquidez das negociações dos papéis e para a geração de capital produtivo no Brasil”, defende Padovan.
Perspectivas – Para 2011, as perspectivas de investimento estrangeiro na BM&FBovespa seguem otimistas, mas os índices devem ser inferiores aos do ano que terminou. Em 2010, a Bolsa encerrou o período com saldo positivo em relação a este tipo de investimento pelo segundo ano consecutivo. Ainda assim, os números foram menores do que em 2009, quando o saldo líquido foi de R$ 20,6 bilhões – diferença de quase 75% na comparação com 2010, que registrou R$ 5,96 bilhões.
Tharcisio Souza Santos, da FAAP, acredita que neste ano o investimento estrangeiro deve crescer menos, assim como a economia brasileira, que tem em vista a ameaça da inflação e o cenário econômico desfavorável na Europa e nos Estados Unidos. “O investimento em Bolsa vai continuar acontecendo. O Brasil continua exercendo efeito de atração, mas isso não vai ter o tamanho que teve ano passado”, avisa.