Começo este artigo com algumas perguntas: você sabe quanto em valor financeiro e percentual da sua carteira está em risco atualmente? E por operação isolada? Ou ainda, quantas ações pode comprar de modo que arrisque apenas 2% do seu capital?
Caso tenha as respostas na ponta da língua, parabéns. Infelizmente, muitos operadores não conseguem responder a essas perguntas de imediato, embora as respostas sejam simples de ser calculadas.
Se você é trader, é importante conhecer qual pode ser o tamanho máximo de sua posição em cada operação, de forma a não colocar sua carteira de ações ou outros ativos sob risco excessivo.
Para esse cálculo é necessário saber: qual o valor total de sua carteira, o percentual de risco que está disposto a aceitar por trade, o valor do stop e o preço de entrada. Veja um exemplo:
Para uma carteira de R$ 50.000, cujo proprietário não queira arriscar mais de 2%, o valor de entrada da ação seja de R$ 40 e seu stop de R$ 38,00, o tamanho máximo da posição seria de 500 ações.
Esse valor é obtido dividindo o percentual máximo de risco da carteira, que nesse caso são os 2% de R$ 50.000, ou seja, R$ 1.000, pela diferença entre o preço de entrada e o de stop. Assim, teremos:
R$1.000/R$ 2,00 = 500 ações
Se o resultado encontrado for um valor diferente do múltiplo do lote padrão da ação, deve-se arredondá-lo para baixo para não aumentar o percentual de risco máximo pré-definido.
A lógica é a seguinte: se o pior cenário acontecer e formos “stopados”, perderemos o valor do stop multiplicado pelo número de ações compradas (R$ 2,00 x 500), ou seja, perderemos exatamente os R$ 1.000, que são os 2% do total da carteira. Portanto, limitamos nosso risco!
Você já deve ter percebido que a operação do exemplo totalizou um desembolso de R$ 20.000 (500 x R$ 40,00) em relação ao valor total da carteira. Será que isso significa que os R$ 30.000 restantes deverão ficar parados e sem remuneração até o término da operação inicial?
Não. O cálculo apresentado limitou apenas o risco máximo por operação isolada. Com o restante dos recursos, poderia-se abrir uma nova operação, também de forma a arriscar no máximo 2% do total da carteira. Nesse caso, teríamos 4% do valor total da carteira em risco, mas em duas operações distintas.
Obviamente, com o valor total também seria possível comprar 1.250 ações (R$ 50.000 / R$ 40), mas, desse modo, o valor colocado sob risco, caso a operação desse errado, seria de R$ 2.500,00, ou 5% do capital. Cada operador decide seus padrões, mas arriscar 5% de toda a carteira em uma única operação pode ser considerado um risco excessivo.
Alexander Elder, famoso trader russo radicado nos Estados Unidos, popularizou a regra dos 2% e dos 6%. Segundo ele, arriscar no máximo 2% de sua carteira por operação, e não mais de 6% de seu total na somatória de operações, são bons parâmetros. Vale ressaltar que esses valores são níveis máximos e o trader deve procurar se manter abaixo deles. Em verdade, quanto mais experiente o operador, menos ele prefere arriscar.
Assim, considere a hipótese de não arriscar mais de 4% do total de sua carteira enquanto não obtiver resultados consistentes. Isso, por exemplo, lhe possibilitará montar duas operações arriscando no máximo 2% em cada, ou quatro operações arriscando no máximo 1% em cada.
Apenas seguir essas regras não garante que seus trades sejam vitoriosos. Existem alguns riscos e premissas. A premissa básica é a de que se deve operar ativos de boa liquidez, que permitam a inclusão de stops com pouca diferença entre ordens de compra e venda. Também se faz necessário monitorar frequentemente suas operações para assegurar-se de que tudo está conforme o planejado.
O principal risco deriva do inerente comportamento dos ativos no mercado, ou seja, mesmo que se escolha ativos de boa liquidez, ainda assim é possível que seus stops sejam pulados, fazendo com que seu risco máximo possa aumentar.
Apesar de pouco comum em ativos de boa liquidez, isso pode acontecer. Nesse caso, voltamos para uma das premissas básicas, que é o acompanhamento constante da operação, com intuito de averiguar e consertar qualquer "desvio de percurso" da mesma.
Existem diversos mecanismos para controle de risco, e esse é apenas mais um deles. Tomando esses devidos cuidados e melhorando seu gerenciamento de risco, seus resultados financeiros tenderão a ser cada vez mais consistentes, com cada vez menos riscos envolvidos. Abraços e bons negócios!
Sinésio Alves é consultor financeiro e ministra cursos e palestras sobre mercado financeiro. É co-fundador do site www.investpedia.com.br - que trata de assuntos sobre finanças pessoais e investimentos para todo tipo de público, do iniciante ao avançado.
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